Posição do Brasil no conflito – Israel não merece primeiro-ministro que tem

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O secretário-geral [do Itamaraty] expressou a preocupação do governo brasileiro com a renovada ofensiva das Forças de Defesa de Israel sobre os territórios e cidades palestinas, deplorou os recentes atos terroristas dirigidos contra a população civil israelense e reiterou que o Brasil considera injustificável, e contrária aos esforços de paz, a atual ameaça à integridade física e política do presidente Yasser Arafat.

Na ocasião, o governo brasileiro ressaltou ser imperativo o cumprimento da Resolução nº 1402 do Conselho de Segurança da ONU e urgente que se criem condições para o cessar-fogo, bem como para a retomada imediata das negociações de paz, com base no Plano Tenet e nas recomendações do Relatório Mitchell, assim como no Plano de Paz aprovado na Cúpula da Liga dos Países Árabes, em Beirute, em 28 de março último.


Para chanceler brasileiro, Israel não merece um líder como Sharon

BRASÍLIA (CNN) — Ao comparecer na quinta-feira a uma sessão do Senado para abordar as medidas protecionistas norte-americanos para o aço, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, acabou envolvendo-se profundamente – e fazendo comentários surpreendentes – em uma discussão sobre a atual crise no Oriente Médio.

Lafer não apenas criticou a ofensiva militar de Israel contra cidades e aldeias palestinas na Cisjordânia como opinou que os israelenses não mereciam um primeiro-ministro como Ariel Sharon.

“Acho que o Estado de Israel não merecia um primeiro-ministro com as características do atual”, afirmou Lafer, sem citar Sharon nominalmente.

O chanceler fez a observação ao responder a uma intervenção do senador Pedro Simon, do PMBD (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), condenando a atitude do chefe de Governo israelense.

Lafer, que tem origem judaica, reconheceu que sua declaração “não era apropriada” para um chanceler, mas concordou com as críticas de Simon, que afirmou que “os israelenses não merecem o primeiro-ministro que têm”.

Simon disse, ainda, que “o Estado de Israel teria, no futuro, que prestar contas dos atos desse governante” – uma referência à ocupação das cidades palestinas e do QG do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.

Na opinião de Lafer, o povo israelense perdeu a oportunidade de escolher um primeiro-ministro com visão mais ampla do processo de paz com os palestinos, ao rechaçar Ehud Barak e optar por Sharon nas últimas eleições.

“No labirinto histórico em que a região está envolvida, o caminho que está bloqueado é o da paz”, disse o chanceler, acrescentando que a política de combate ao terror pela força militar destruirá as cidades e os povos, mas vai deixar “intacto justamente o terror”.

Lafer também descreveu o ministro do Exterior israelense, Shimon Peres, já ganhador do Prêmio Nobel da Paz, como “quem representa (atualmente) as expectativas de paz, do ponto de vista de Israel”.

O ministro brasileiro revelou ter conversado com Peres nos últimos dias sobre a importância da renovação dos esforços do enviado especial dos Estados Unidos, Anthony Zinni.

Durante a sessão no Senado, Lafer também comunicou que o presidente Fernando Henrique Cardoso já informou ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, que o Brasil “está pronto para dar a sua colaboração para a paz no Oriente Médio, com a participação de tropas brasileiras”.

Segundo Lafer, a preocupação do Brasil é abrir um espaço para a diplomacia e diminuir o campo da guerra.

Por sua vez, o secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador Osmar Chohfi, após se reunir com representantes do Conselho dos Embaixadores dos Países Árabes, em Brasília, emitiu uma nota sobre a posição brasileira diante do conflito entre israelenses e palestinos.

O comunicado expressa a preocupação do governo brasileiro com a integridade do líder palestino Yasser Arafat, que está sitiado dentro de seu QG na Cisjordânia, e com a ofensiva das forças israelenses.

Por outro lado, a nota também lamenta os recentes atentados suicidas que visaram alvos israelenses durante as celebrações da Páscoa judaica.

Lei a nota em sua íntegra:

“No quadro do agravamento da situação no Oriente Médio, o secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador Osmar Chohfi, reuniu-se com os representantes dos 13 países que integram o Conselho dos Embaixadores dos Países Árabes em Brasília.

A reunião teve por objetivo manter os governos árabes informados sobre as medidas que vêm sendo tomadas pelo governo brasileiro para cooperar no esforço comum da comunidade internacional para obter um cessar-fogo na região e propiciar a retomada das negociações com vistas à implantação do Estado palestino e a obtenção de uma paz justa, abrangente e duradoura para todos os países da área.

Na ocasião, o governo brasileiro ressaltou ser imperativo o cumprimento da Resolução nº 1402 do Conselho de Segurança da ONU e urgente que se criem condições para o cessar-fogo, bem como para a retomada imediata das negociações de paz, com base no Plano Tenet e nas recomendações do Relatório Mitchell, assim como no Plano de Paz aprovado na Cúpula da Liga dos Países Árabes, em Beirute, em 28 de março último.

O secretário-geral mencionou os diversos contatos sobre o assunto que o presidente da República e o ministro de Estado das Relações Exteriores têm mantido com altas autoridades estrangeiras, inclusive com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sobre as medidas que possam ser tomadas pela comunidade internacional para pôr fim às hostilidades e conduzir à retomada do processo de paz. O governo brasileiro confirmou a disponibilidade do Brasil de vir a participar de uma eventual iniciativa de paz das Nações Unidas”.

(Com informações da Agência Brasil e da France Presse)

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