‘ISRAEXIT’ – É Hora de Sair dos Territórios

 

Onde está o “Brexit” de Israel?  Israel se vangloria de ser uma ‘nação startup’, mas não tem pressa para sair dos territórios ocupados, o coração fervente  do conflito com os árabes. Quanto mais sangue, veneno e dinheiro serão despejados, até que o “Israexit” aconteça?

A tendência à fusão global e regional foi interrompida. A responsabilidade da comunidade pelos seus membros e a  de uns pelos outros se enfraquece. A idéia de uma soberania supranacional está em declínio. As chances de uma intervenção externa persistente, oposta à de um único golpe decisivo são estreitas. Os locais são sempre mais obstinados. Aguardam pacientemente até que os invasores desistam.

ISRAEL DIZ "SIM" PARA UM ESTADO PALESTINO

Israel diz “SIM” para sair dos territórios ocupados

Os Estados Unidos não suportam guerras que ameacem jogá-los em covas sem fundo. O braço forte que se espera dos governos americanos é oco. Ele apenas se fortalece em caso de ameaça de um ataque direto à América.

Israel exporta repulsa ao não tomar uma decisão nacional crucial para determinar as sua fronteiras e definir sua identidade. Mas, os israelenses que ainda estão dispostos a ter uma geração após outra colonizando assentamentos, ainda não se cansaram.

Qual o significado estratégico, da nossa região, para uma União Européia enfraquecida – conduzida pela Alemanha e França, mas sem o Reino Unido?

Certamente sua admiração pelas loucuras dos colonos não cresceria. Financeiramente, teriam os países doadores qualquer desejo em manter ou financiar o embrião de uma Palestina que jamais nasce?

Seria ainda possível que os americanos fossem suficientemente tolos para acreditar que o horizonte não é eterno mas se aproxima.  Mas, o tempo para ilusões acabou. Israel está arriscando bater de frente com a próxima administração, porque o balanço entre parceria e rivalidade entre os países está sendo erodido pelas típicas atitudes grosseiras de Netanyahu.

Mas a parte do mundo que deu crédito aos processos de reconciliação com o Egito, a Jordânia e a OLP está começando a se distanciar, abandonando as populações do Oriente Médio chafurdando no lodo que criaram para si mesmos.

Netanyahu e Lieberman

Netanyahu e Liberman

Ao lado da pretensão de superioridade moral e ideológica, os líderes de Israel sempre tiveram um papel estratégico – desde os anos ’50 e a penetração soviética nos países árabes.  Israel era retratado como ajudando no esforço de segurança dos Estados Unidos, não menos do que sendo assistido pelos E.U.  Isto funcionou, na medida em que a disposição para trocar territórios por paz não se mostrou um discurso evasivo, quando posta em teste.

Pior ainda, Israel foi pego em colisão com outras demandas militares dos Estados Unidos.Em 1973 [na Guerra do Yom Kipur], os arsenais de armas americanas na Europa foram drenados pela ponte aérea militar para Israel.  Embora correta, esta ação enfureceu os generais responsáveis pelas divisões em alerta contra os soviéticos – para a eventualidade  de eclodir a 3ª Guerra Mundial após o avanço das forças israelenses sobre o Cairo.

Uma colisão similar está ocorrendo na controvérsia sobre a extensão da ajuda americana para defender Israel de mísseis. O presidente Barack Obama reluta em dar a esta questão prioridade excessiva frente a outros itens do orçamento militar do Pentágono, especialmente com a Coréia do Norte.

Israel, de forma egoísta, prioriza os assentamentos – que define como vitais – sobre as necessidades militares. E quer pressionar a ordem de prioridades dos americanos em seu favor.

f-35rolloutceremony-libermanNa entrega dos F-35 “Adir” em Fort Worth, Texas, na semana passada, Masada foi citada como o principal símbolo de Israel. Uma escolha duvidosa.

Provocações suicidas não são um objetivo adequado para uma nação pequena e frágil, que não paga as próprias contas.

Só os colonos estão dispostos a continuar uma guerra eterna, seja com seu próprio sangue ou por cortesia dos israelenses que preferem paz a territórios.

Israel não pode engolir os territórios, mas estes o podem engolir.

Israel precisa sair.

Com um acordo viável. E rapidamente.

[ Amir Oren – Haaretz 25|06|2016 – traduzido pelo PAZ AGORA|BR ]

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