O Discurso de Posse de Obama - BRADLEY BURSTON

 


O que um  pacifista israelense gostaria de ouvir de Obama

em sua posse como presidente dos EUA


 

O Discurso de Posse de Obama

 

BRADLEY BURSTON - 17|01|2009

 

- publicado pelo Common Ground News Service (CGNews) e traduzido pelo PAZ AGORA|BR -

 

 

Estes são dias cinzentos para aqueles que acreditam na paz na Terra Santa. Mas a História já mostrou que a violência pode dar lugar para a razão, novas realidades e oportunidades não previstas. É nossa tarefa descobri-las, explorá-las e fortalecê-las.

 

Ao povo palestino, declaramo-nos neste dia como seus aliados. Aliados, porque sabemos que seu desejo de paz, por um futuro estável e produtivo, pela liberdade e autodeterminação, é real. A sua causa é justa. O seu desafio é monumental.

 

Vocês fizeram sacrifícios heróicos. Mas para que os seus filhos conheçam a paz e uma Palestina independente, haverá novos sacrifícios.  Que exigirão de sua parte ainda muita bravura.

 

Assim como escolhem suas lutas, também terão que escolher os seus sonhos. Escolham a paz. Renovem seu compromisso com a co-existência. Façam esta escolha, e prometemos ser mais do que um bom intermediário. Seremos seu advogado.

 

Estudamos a sua História, e conhecemos as tragédias que sofreram e as dores às quais resistiram. Admiramos a sua determinação. Respeitamos as suas profundas ligações com a Terra Santa. Sabemos que não podem ser subjugados. Sabemos que não podem ser forçados, rendidos.

Nós sabemos que a vasta maioria dos palestinos ainda apóia uma paz de dois estados para dois povos - Israel e Palestina - mas que está perdendo a fé nisso.


Nossa própria História, nossas próprias lutas e dores, mostraram-nos que uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir. Mas aprendemos, ao mesmo tempo, que a reconciliação renova a força e alimenta a esperança. Promove a unidade e, com o tempo, cura o ódio.

 


Não ficaremos parados. Declaramos aqui que os ouviremos em primeiro lugar. Juntos com parceiros da comunidade internacional, prometemos que os ajudaremos a reconstruir. Prometemos, também, ajudá-los a começar a construir uma ponte para a paz. Sabemos que muitas pontes para a paz racharam e caíram no abismo. Façam a escolha, e prometemos estar com vocês quando derem os primeiros passos na nova ponte.

 

 


Ao povo de Israel: neste lugar, nesta hora difícil, declaramos livremente a nossa gratidão por sua longa amizade, e sublinhamos nosso compromisso com a sua segurança.

 

Tomamos a liberdade de falar-lhes com a franqueza de velhos amigos. O conflito, para ser resolvido, exige novas idéias e percepções inovadoras. E novos compromissos.

 

Sabemos que, para a grande maioria dos israelenses, o grande objetivo é a paz. Durante os anos '90, israelenses e palestinos deram passos corajosos de aproximação, encontrando-se como aliados na busca de um fim para este conflito armado interminável.

 

Desde então, porém, a minoria de extremistas nos dois lados, os inimigos da paz cujas ações vem arruinando as vidas da maioria, contaram muitas vitórias. Aqueles cujas ações objetivam sabotar o diálogo e a confiança na paz prosperaram.

 

Para que os israelenses comecem a atravessar uma nova ponte para a paz será necessária fé e amigos confiáveis. Fazemos esta promessa: não ficaremos parados. Estaremos com vocês nessa travessia.

 

 

 

Para israelenses e palestinos, ambos:

 

Nenhum povo do planeta lutou por mais tempo ou com maior tenacidade por liberdade, justiça e segurança. Por isso mesmo, nenhum dos dois as terão até que ambos os povos conquistem uma paz que inclua liberdade, justiça e segurança,

 

A Terra Santa é, por sua natureza um patrimônio sagrado. Ela pertence a vocês, e também ao mundo. A paz de vocês é a paz do mundo.

 

Acreditar na paz é valorizar as crianças, assegurando-lhes um futuro. Nós lhes perguntaremos as suas opiniões e as apreciaremos. Queremos ouvir não só os líderes, mas também os pais, filhos, avós, religiosos. Escrevam para nós.

 

Falem sobre seus sentimentos, seus temores, suas idéias para uma solução.

 

Ouviremos vocês. Não vemos maior honra, maior imperativo diplomático, do que apoiá-los, palestinos e israelenses, nesta luta desafiadora, contra todos os males, pela paz.

 

 

(*) Bradley Burston é colunista e editorialista do Haaretz. Recebeu em 2006, na ONU, o Prêmio Eliav-Sartawi de jornalismo no Oriente Medio.

 

 

 

© PAZ AGORA|BR

   Reprodução permitida com os devidos créditos às fontes, edição e tradução dos

Amigos Brasileiros do PAZ AGORA - www.pazagora.org

 

 

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