Anti-Semitismo na Europa Hoje |p.3/3| - BILA SORJ

 

 


3ª parte/3  REFERÊNCIAS

 

Anti-Semitismo na Europa Hoje

BILA SORJ  (*)

Novos Estudos CEBRAP Nº 79 S.Paulo - Nov. 2007REFERÊNCIAS

 

[1] Para uma crítica à premissa do "eterno anti-semitismo", presente sobretudo entre muitos historiadores, ver Arendt, Hannah. Origens do totalitarismo I - O anti-semitismo, instrumento de poder. Rio de Janeiro: Editora Documentário, 1979 [1973]         [ Links ].
[2] Bauman, Zigmunt. Life in fragments: essays in postmodern morality. Oxford: Blackwell, 1995 [1988]         [ Links ].
[3] Entre essas elites se destacam os fundadores do movimento sionista, que propunham a normalização do povo judeu mediante a construção de um Estado nacional e as instituições filantrópicas dedicadas a alterar a estrutura ocupacional dos judeus. Para uma análise dos empreendimentos filantrópicos no Brasil, ver Sorj, Bila. "'Normalizando' o povo judeu: a experiência da Jewish Colonization Association no Brasil". In: Identidades judaicas no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Imago, 1997.         [ Links ]
[4] Apud Bauman, op. cit., p. 219.
[5] Também cresceu, neste mesmo período, a hostilidade dirigida a outros grupos, notadamente árabes, muçulmanos, refugiados e imigrantes, ou assim percebidos. Para a França, segundo dados do Ministério do Interior, desde 2000 a incidência de atos de ameaça e de violência de natureza anti-semita supera aqueles de natureza racista e xenofóbica (Commission Nationale Consultative de Droits de l'Homme, La lutte contre le racisme, l'antisémitisme et la xénophobie: rapports d'activité, Paris, La Documentation Française, 2006, www.lesrapports.ladocumentationfrançaise.fr/ BRP/064000264).         [ Links ]
[6] Para um levantamento dos incidentes anti-semitas na Europa nos últimos anos, ver McClintock, Michel & Sunderland, Judith. L' Antisémitisme en Europe: um défi à la indefférence officielle. Human Rights First, 2004 (www.HumanRightsFirst.org).         [ Links ]
[7] Essas ocorrências estão detalhadas no relatório de Michel Posner, diretor executivo do Human Rights First apresentado ao State Committee on Foreign Relations dos Estados Unidos em abril de 2004 (www.humanrightsfirst.org/discrimination/antisemitism/Antisem_test_final4.pdf).         [ Links ]
[8] Estamos excluindo de nossa análise o anti-semitismo da extrema-direita, uma vez que não é sobre essas manifestações que o debate público atual se concentra.
[9] Vários encontros governamentais foram realizados nos últimos anos para lidar explicitamente com esse problema. O mais recente foi a Conferência sobre Anti-Semitismo e outras Formas de Intolerância, em Córdoba, Espanha, em junho de 2005.
[10] Os países pesquisados foram Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Alemanha, Holanda, Espanha, Suíça, Grã-Bretanha, Hungria e Polônia. A pesquisa mostra que a idade mais avançada e o menor nível de escolaridade são fatores-chave na probabilidade de os entrevistados concordarem com os estereótipos anti-semitas (Anti-Defamation League, Attitudes towards Jews in twelve European countries, maio 2005).         [ Links ]
[11] Certamente, a extrema-direita européia continua a ver os judeus como agentes de uma modernidade incontrolável que ameaça as virtudes das sociedades nacionais fundadas na tradição.
[12] Em alguns países, o pico dos incidentes ocorreu durante o mês de abril de 2002, justamente no momento em que o exército israelense ocupou várias cidades palestinas, provocando acirrada controvérsia sobre a política de ocupação e os métodos utilizados para conter a Segunda Intifada.
[13] Arendt, op. cit.
[14] Para um inventário que identifica os autores dos atentados, ver European Monitoring Centre on Racism and Xenophobia, Manifestations of anti-Semitism in the EU-2002-2003, 2005 (http://eucm.eu. int).         [ Links ]O relatório alerta, todavia, para os limites dos dados coletados, uma vez que a maior parte das classificações dos autores dos ataques foi baseada apenas nas percepções das vítimas e de testemunhas.
[15] Roy, Olivier. Globalised Islam. The search for a new ummah. Nova York: Columbia University Press, 2004.         [ Links ]
[16] Cohen, Martine. "Les Juifs de France: modernité et identité". Revue d'Histoire, n. 66, abr.-jun. 2000.         [ Links ]
[17] Ibidem.
[18] Suzan, Bénédicte & Dreyfus, Jean-Marc. Muslims and Jews in France: communal conflits in a secular state. The Brookings Institution U.S.-France Analysis, Washington, 2004 (http:// www.brookings.edu/fp/ cusf/analysis/suzan2004 0229.pdf).         [ Links ]
[19] Durkheim, Émile. "Antisémitisme et crise social". In: Victor Karady (org.), Textes, vol. 2 - Religion, morale, anomie. Paris: Éditions de Minuit, 1975.         [ Links ]
[20] Ibidem, p. 253.
[21] Rosenbaum, Aléxis. L´Antisémitisme. Paris: Breal, 2006.         [ Links ]
[22] Cohen, op. cit.
[23] Wieviorka, Michel. La tentation antisémite: haine des juifs dans la France d´aujourd´hui. Paris: Lafont, 2005.         [ Links ]
[24] A pesquisa foi realizada a partir de entrevistas com jovens muçulmanos encarcerados em presídios.
[25] Wieviorka, op. cit., p. 195.
[26] Chaumont, Jean-Michel. La concurrence des victimes: génocides, identité, reconnaissance. Paris: La Decouverte, 1997.         [ Links ]
[27] Foxman, Abraham H. Never again? The threat of the new anti-Semitism. Nova York: HarperCollins/HarperSan Francisco, 2003;         [ Links ]Dershowitz, Alan. The case for Israel. Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons, 2003;         [ Links ]Chesler, Phyllis. The new anti-Semitism: the current crisis and what we must do about it. San Francisco: Jossey-Bass, 2003.         [ Links ]
[28] Sarfati, Georges-Elia. L'Antisionisme. Israël/Palestine aux miroirs d'Occident. Paris: Berg International, 2002.         [ Links ]
[29] Para uma visão da diversidade atual de pontos de vista acerca do sionismo na elite intelectual, política e acadêmica de Israel, ver Flint, Guila & Sorj, Bila. Israel, terra em transe. Democracia ou teocracia? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.         [ Links ]
[30] Finkelstein, Norman. Beyond chutzpah: on the misuse of anti-Semitism and the abuse of history. Califórnia: University of California Press, 2005.         [ Links ]
[31] Instituição criada pela União Européia para monitorar as manifestações de racismo e anti-semitismo no Continente. Ver Manifestations of anti-Semitism in the EU-2002-2003, cit.
[32] Ibidem, p. 13.
[33] The American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) é um dos mais importantes lobbies americanos. Em seu site, a seção "quem somos" traz explicitamente esse reconhecimento. A organização assim se apresenta: "Por essas razões, o The New York Times chamou o AIPAC a mais importante organização que afeta a relação entre os Estados Unidos e Israel, enquanto a revista Fortune sistematicamente classifica o AIPAC entre os mais poderosos grupos de interesse da América" (http://www. aipac.org/about/).         [ Links ]
[34] Daily Times, 20/3/2003.         [ Links ]
[35] Esse texto apócrifo, publicado no início do século XX, descreve o plano dos judeus para dominar o mundo; é considerado um marco que inaugura a teoria da conspiração judaica.
[36] Al-Doustour (Jordânia), 17/4/ 2003. Esse extrato e o seguinte são citados em Wieviorka, op. cit., p. 112, e constam do inventário realizado pelo site www.proche-orient.info.         [ Links ]
[37] Akher Saa'a (Egito), 26/02/ 2003.         [ Links ]
[38] O Alcorão relata que alguns judeus se comportaram como traidores do Profeta Maomé.
[39] Kramer, Martin. The salience of Islamic anti-Semitism. Institute of Jewish Affairs Reports, Londres, n. 2, out. 1995 (http://www.geocities.com/martinkramerorg/Antisemitism.htm).         [ Links ]
[40] Wieviorka, op. cit.
[41] Iran Focus, 11/2/2006.         [ Links ]
[42] Jerusalem Post, 10/2/2006.         [ Links ]
[43] Said, Edward W. "Réponse aux intellectuctuells árabes fascinés par Roger Garaudy. Israel-Palestine, une troisième voie". Le Monde diplomatique, ago. 1998 (http://www. monde-diplomatique.fr/1998/08/SAID/ 10786).         [ Links ]
[44] Para um levantamento de pronunciamentos "negacionistas" na Europa e no Oriente Médio, ver www.Wikipedia.org/wiki/Holocaust_denial.         [ Links ]O pronunciamento de maior repercussão na mídia ocidental foi proferido pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na reunião da Organization of Islamic Conference (OIC), realizada em Meca em 2005. Assim se expressou o presidente iraniano: "Alguns países europeus insistem em dizer que Hitler matou milhões de inocentes judeus em crematórios, e eles insistem nisso, e, se alguém provar qualquer coisa em contrário, eles condenam essa pessoa e a colocam na prisão". O pronunciamento foi fortemente criticado pelo Muslim Public Affairs Council, organização que trabalha em prol dos direitos civis dos americanos muçulmanos.
[45] Uma vez que o movimento antiglobalização congrega diferentes grupos, não é possível generalizar manifestações que ali ocorrem como se fossem representativas do movimento como um todo. Naomi Klein, escritora e ativista do movimento antiglobalização e severa crítica das políticas do governo israelense, manifestou sua preocupação com o fato de que "enquanto o movimento antiglobalização sempre se manifesta corretamente contra o antiislamismo, nunca se pronuncia contra a onda de anti-semitismo na Europa". E sua indignação continua: "Toda vez que eu acesso o site de livre acesso de notícias de ativistas do movimento, como o Indymedia.org, eu me confronto com um fio de teorias conspiratórias sobre os judeus acerca do 11 de Setembro e com citações do Protocolo dos Sábios de Sião. O movimento antiglobalização não é anti-semita, ele apenas ainda não enfrentou as implicações de mergulhar nos conflitos do Oriente Médio [...]. É possível criticar Israel e condenar vigorosamente o crescimento do anti-semitismo. E é igualmente possível ser a favor da independência da Palestina, sem adotar uma visão simplista e dicotômica 'pró-Palestina/anti-Israel', imagem que espelha a equação 'o bem versus o mal', tão cara ao presidente George W. Bush" (Toronto Globe & Mail, 24/4/2002, http:// www.zmag.org/content/Activism/klein_oldhates.cfm).         [ Links ]
[46] Markovits, Andrei S. "'Twin brothers': European anti-Semitism and anti-Americanism". Jerusalem Center for Public Affairs, Post-Holocaust and Anti-Semitism: Web Publications, n. 6, 8/1/2006 (http://www. jcpa.org/phas/phas-markovits-06.htm).         [ Links ]
[47] Bell, Daniel A. Communitarianism and its critics. Oxford: Oxford University Press, 1993;         [ Links ]Taylor, Charles. The ethics of authenticity. Cambridge: Harvard University Press, 2000.         [ Links ]
[48] Taguieff, Pierre-André. La force du préjuge: essai sur le racisme et ses doubles. Paris: Éditions La Decouverte, 1987.         [ Links ]
[49] Klug, Brian. "The collective Jew: Israel and the new anti-Semitism", Patterns of Prejudice (Londres: Routledge), vol. 37, n. 2, jun. 2003, apud Slim, Hugo. How we look: hostile perceptions of humanitarian action, 2004 (http://www.hdcentre.org).
        [ Links ]

 

Print version ISSN 0101-3300 |  doi: 10.1590/S0101-33002007000300005 

 

(*) BILA SORJ é Professora titular de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É autora de "Identidades judaicas no Brasil contemporâneo" (Imago, 1997), e co-autora, junto com Guila Flint, de "Israel, terra em transe. Democracia ou teocracia?"  (Civilização Brasileira, 2000).

 

 

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