ABBAS AGORA - Editorial Haaretz


É impossível conquistar a paz e também
satisfazer as ambições dos colonos

 
ABBAS AGORA
 
Editorial Haaretz 17|12|2009
 
Como era de se esperar, o limitado congelamento de construções nos assentamentos não trouxe de volta os líderes palestinos para a mesa de negociações.
 
É óbvio que a decisão de dar incentivos aos moradores de assentamentos isolados não contribuirá para construir a confiança entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente palestino Mahmoud Abbas. Netanyahu continua a andar numa corda bamba entre seu compromisso com uma solução de dois Estados e seu desejo de agradar os colonos e seus representantes no Likud e na coalizão de governo.
 
Abbas, também, está numa 'saia justa', almejando acabar a ocupação mas temendo que um retrocesso dos princípios básicos em questões sensíveis, como a construção judia em Jerusalém Oriental poderia fortalecer seus rivais do Hamas.
 
Numa entrevista a Avi Issacharoff, neste jornal, Abbas sugeriu uma saída para o dilema: congelar construções israelenses na Cisjordânia e Jerusalém Oriental por seis meses sem se fazer uma declaração pública. De qualquer forma, o governo já está obrigado pela decisão oficial do governo Sharon no road map a impor um congelamento total de construções nos assentamentos (bem como a evacuação dos postos avançados (outposts) ilegais.
 
 
Na opinião de Abbas, durante este período seria possível iniciar conversações para um acordo final de paz sem pré-condições além das recomendações do road map, e chegar a um acordo.  Abbas disse que já sugeriu isto em duas conversas com o Ministro da Defesa Ehud Barak nas últimas 3 semanas, mas não recebeu uma resposta.

Se Netanyahu e Barak querem realmente preservar a opção de dois Estados e evitar o colapso da liderança palestina que a apóia, devem responder positivamente à proposta de Abbas. O prejuízo de se prolongar o impasse diplomático e a levar à saída de um líder pragmático como Abbas afetaria os interesses de Israel na região e no mundo infinitamente mais do que o preço de um congelamento total por seis meses da construção fora da Linha Verde.
 
As amargas experiências dos mandatos anteriores de Netanyahu e Barak no governo deveriam ter-lhes ensinado que um líder que tenta levar adiante o processo de paz e defender o posicionamento de Israel no mundo enquanto busca, ao mesmo tempo, satisfazer a extrema-direita acaba fracassando. Desta vez, suas acrobacias podem levar à perda de um importante parceiro para a paz e uma grave deterioração nas relações exteriores de Israel.
 
 
 

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