Aceitar Já a Iniciativa Saudita - GERSHON BASKIN


Uma negociação com base na Iniciativa Árabe de Paz poderia trazer, não só a paz de Israel com os palestinos, Líbano e Síria, mas também com todo o mundo árabe.
 
 
GERSHON BASKIN (*) - Jerusalem Post 05/03/07
 
- traduzido pelo PAZ AGORA/BR -
 
Quatro anos após ter sido apresentada, a Iniciativa Árabe de Paz (IAP) está finalmente chegando ao palco principal. Rumores sobre encontros e negociações nos bastidores, sobre a Iniciativa, entre o primeiro-ministro Ehud Olmert e o assessor de segurança nacional saudita, príncipe Bandar bin Sultan foram reforçados por relatos de que o príncipe saudita está tentando modificar a Iniciativa de forma a torná-la mais aceitável por Israel.

A Ministra do Exterior Tzipi Livni declarou que Israel não pode aceitá-la na sua atual forma, porque ela menciona a Resolução 194 da ONU, que é a base para os reclamos árabes pelo direito de retorno dos refugiados da guerra de 1948 para seus lares dentro de Israel.
 
Israel também rejeita a referência direta às linhas de 04/06/1967 no texto da Iniciativa. Israel argumenta corretamente que em negociações com os palestinos sobre fronteiras, já foi aceito o princípio de trocas territoriais, e que não há porque voltar para as linhas de 1967, que ignoram quaisquer das novas realidades efetivadas e a natureza muito tênue daquelas linhas para Israel.
 
Apesar dos rumores de que se esteja tentando modificar o documento, é pouco provável que o mundo árabe concorde em mudar a proposta, que já foi produto de um equilíbrio entre vários interesses e forças que o compõem. Mas a Liga Árabe poderia aprimorar o marketing do documento para Israel. Pelo menos, seria possível afirmar que a Iniciativa Árabe de Paz é um "escopo, uma base ou uma plataforma" para retomar o processo de paz, ao invés de vê-la como um documento que precisa ser aceito ou rejeitado como um todo.
 
A Cúpula da Liga Árabe, que será realizada em Riyad no fim deste mês, poderia decidir enviar um representante de alto nível para apresentar a Iniciativa diretamente no Knesset (parlamento israelense) e no Conselho Legislativo Palestino, aos representantes do povo de Israel e da Palestina. Isto seria um fato que poderia desencadear uma mudança completa no clima político que cerca a Iniciativa desde 2002.

Como a IAP foi amplamente ignorada pelos políticos israelenses, certamente valeria a pena apontar suas principais vantagens e as razões pelas quais Israel deveria aceitá-la rapidamente, antes que se torne irrelevante. 
 
A Iniciativa Árabe de Paz foi aceita por unanimidade por todos os países membros da Liga Árabe em março de 2002. Foi ratificada unanimemente no encontro da Liga de Cartum em maio de 2006. Ele propõe o reconhecimento do Estado de Israel, a paz completa e relações normalizadas entre todos os países membros da Liga e Israel.
 
Há um enorme significado na referência a relações normalizadas. Deve ser entendido que a noção de normalização das relações com Israel foi um enraizado tabu na cultura política árabe desde 1948. O fato de a Liga Árabe propor relações normalizadas é uma revolução política.
 
A IAP também propõe "alcançar uma solução justa para o problema dos refugiados palestinos, a ser acordado em conformidade com a Resolução 194 da Assembléia Geral da ONU". Esta é a primeira vez que um documento árabe utiliza a palavra "acordado" neste contexto.
 
Isso significaria que esta questão poderia ser negociada entre as partes. No seu parágrafo operacional sobre refugiados, a Resolução 194 afirma: "Que aos refugiados desejosos de retornar aos seus lares e viver em paz com seus vizinhos, seja permitido fazê-lo o mais cedo possível, e que seja paga compensação pela propriedade dos que optarem por não retornar e pela perda ou dano à propriedade que, sob os princípios da lei internacional ou por equidade, deveriam ser cumpridos pelos governos e autoridades responsáveis".
 
A resolução não afirma que todos os refugiados devem ser autorizados a voltar, e abre a porta para os que não desejam retornar receberem compensação financeira. Um acordo entre Israel e a OLP que ofereça compensação a refugiados palestinos no lugar do retorno certamente atenderia aos requisitos da IAP e não  atrapalharia um acordo israelense com a Iniciativa.
 
Para receber os benefícios da proposta, Israel deve permitir a criação de um Estado Palestino soberano e independente dentro de fronteiras que sejam mutuamente aceitos para Israel e a OLP, com Jerusalém como capital. Este passo é claramente compreendido como parte dos interesses de segurança nacional de Israel.
 
Israel ainda precisaria resolver, com o Líbano e Síria, a questão da área das Fazendas de Shaba, e retirar-se das Colinas de Golan. Extrair sua região norte do domínio de uma possível guerra, também é claramente do interessa da segurança de Israel.
 
A solução dessas questões fornecem os meios para chegar à paz. Agora, com a Iniciativa Árabe de Paz, os resultados de tais ações não iriam apenas trazer a paz com os palestinos, Líbano e Síria, mas também com todo o mundo árabe.
 
O campo pacífico criado iria se estender de Marrakesh até Bangladesh. Apenas o Irã ficaria fora da região de paz, mas também já foi relatado que o presidente iraniano, durante sua recente visita a Riyad, declarou seu apoio à IAP.
 
Isto é quase bom demais para ser verdade. Agora é a vez dos líderes de Israel se virarem para o mundo árabe e dizer "sim", alto e bom som. O governo de Israel deve enviar uma mensagem à Cúpula da Liga Árabe dizendo que aceita a Iniciativa Árabe de Paz, mesmo no seu formato atual, como um quadro de trabalho para a retomada do processo de paz e negociações bilaterais que devem começar o quanto antes.
 
O primeiro ministro Olmert ao anunciar sua aceitação da Iniciativa como base para negociações poderia declarar sua disposição a falar para a Cúpula da Liga Árabe. O Quarteto declararia sua disposição em acompanhar Olmert a Riyad e ofereceria seu apoio para a imediata organização de uma conferência regional de paz para o relançamento de todas as vias bilaterais e multilaterais objetivando alcançar acordos plenos dentro de um ano, em todas as frentes.
 
Pela primeira vez na História do Oriente Médio, a possibilidade de uma paz autêntica e abrangente é muito real. A oportunidade está colocada à nossa porta.
 
(*) GERSHON BASKIN é co-presidente do IPCRI - Israel/Palestine Center for Research and Information - www.ipcri.org
 
 

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