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ESPERANÇA E GLÓRIA – GENEBRA
[ Avraham
Burg (*)
-
Dar Al-Hayat (**)
http://english.daralhayat.com - 29/02/04
]
-
traduzido pelo
PAZ
AGORA/BR
-
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na foto e ouça AVRAHAM BURG
Muitas tentativas de atingir a paz em nossa região
fracassaram. A paz com os egípcios nunca se tornou
completa, mas gera alguns frutos – não há guerra e a
fronteira deixou de ser palco de sangue. Com a
Jordânia também, a linha internacional é respeitada
com firmeza e os acordos de cessar-fogo ao longo da
fronteira com a Síria existem há mais de 25 anos.
Somente com os palestinos, os nossos vizinhos mais
próximos em termos geográficos e políticos, não
temos tido êxito.
As razões para tal fato são muitas e variadas e
embora os responsáveis por este fracasso sejam
conhecidos, estes, de ambos os lados, escaparam da
desaprovação pública por muito tempo. Neste artigo,
eu gostaria de apresentar, resumidamente, o
principal motivo para o colapso da iniciativa de paz
de Oslo e as condições necessárias para o resgate e
sucesso da próxima tentativa – a de Genebra.
Um lembrete: após 20 anos (1967-1987) de um período
de associação entre dominados e conquistadores,
entre palestinos e israelenses, os palestinos nos
informaram que enxergaram a luz na "iluminada"
ocupação e que não estavam mais interessados nesse
tipo de conexão. Eles deram um nome a esse anúncio,
nome que era até então desconhecido no vocabulário
do Oriente Médio: "Intifada". A primeira Intifada
surpreendeu Israel e o mundo todo.
Na verdade, sua existência expôs a intensidade da
violência e do desespero, que foram postos em
movimento. Desta mesma Intifada, nasceu o Acordo de
Oslo. Secretamente, seus idealizadores conjuraram a
Declaração de Princípios, surpreendendo a nós e ao
mundo. Oslo se tornou um fato político efetivo.
Imediatamente, sem dar atenção aos detalhes e
repercussões, as duas sociedades, israelense e
palestina, adotaram a opção da esperança. 80% dos
israelenses e o mesmo número de palestinos disse
"sim" ao acordo na época, um "sim" com muito valor,
que pavimentou o caminho e assinalou a direção para
uma separação acordada e digna entre os dois povos
ligados.
Mas como sempre acontece aqui, ninguém se prepara
para o dia seguinte. Investimos sangue e almas,
vítimas e dinheiro, para discutir sobre o passado,
mas não estamos preparados a dispor da mínima
atenção ao que possa trazer o dia seguinte. Estamos
atados às marcas da morte de todas as gerações
passadas, mas não estamos preparados para criar
marcas de confiança para o bem das futuras gerações.
Deste modo, negligenciamos a preocupação com o dia
seguinte após Oslo. Nos regozijamos com o
surpreendente momento do acordo, mas falhamos em
criar acordos para um futuro promissor.
Ambos, Israel e Palestina, negligenciamos o que era
mais sensível e doloroso ao outro lado.
Israel não compreendeu como os assentamentos eram
sentidos pelos palestinos como um arame farpado que
feria letalmente o corpo e o espírito do
renascimento palestino. Todos os palestinos que
concordaram com a paz de Oslo disseram a si mesmos:
" Eu aceito que a paz é um compromisso". Um
compromisso incompleto e imperfeito, mas um
compromisso honrado é melhor que uma paixão nunca
concretizada. Nós estamos fazendo a paz e esperamos
que, no outro lado, a mensagem seja recebida e que
os assentamentos – símbolo mais doloroso e
evidente da ocupação discriminatória – sejam
interrompidos e removidos da paisagem do futuro
palestino. Israel não estava ouvindo. De Oslo até os
dias atuais, os assentamentos se multiplicaram em
número, preço e dor, sob Rabin, Peres, Netanyahu,
Barak, e, é claro, sob Sharon.
Por outro lado, os palestinos não compreenderam o
que a incitação à violência nos causa. Todos os dias
ouvíamos as vozes emanadas das mesquitas e escolas e
tremíamos. Se é assim o som da nova consciência
palestina, significa que eles não estão criando uma
nova geração para após os postos de controle e
o conflito. Não estão investindo para purificar e
limpar a alma do ódio e da psicologia da
vingança. Outra geração está saindo às ruas, cheia
do sentimento de vingança, ódio e hostilidade. A
vida não era assim: a Oslo política das manchetes
dos jornais e os assentamentos versus o incitamento
nas cidades. As almas dos dois povos não
internalizaram a chance que lhes foi dada. A colisão
foi só uma questão de tempo e o colapso já se
desenhava.
E quando o conflito veio, tal qual um acidente
terrível de trem, duas pessoas estavam ausentes para
impedi-lo. Yitzhak Rabin, sacrificado no altar de
Oslo e Yasser Arafat, que desistiu no momento
decisivo – preferindo continuar a disputa com Israel
no diálogo de sangue e terror e abandonando a mesa
de negociações políticas.
Desde então, por 3 longos e amaldiçoados anos uma
influência maligna se instalou no Oriente Médio.
"Não há ninguém para conversar e nenhum assunto a
ser discutido". Na ausência de um parceiro e de um
acordo, espadas foram levantadas e a morte recebeu
uma licença oficial para se disseminar pelas ruas.
Após 3 anos de sangue e incontáveis lágrimas de
luto, as duas partes se deram conta de que o impasse
não pode ser solucionado através da violência.
Indivíduos podem querer se vingar, continuar
sedentos por sangue, mas não povos. E líderes
simplesmente não podem destruir seus povos com
políticas cíclicas de vingança, retaliação e
vingança. As lideranças dos povos os traíram. Eles
não nos deram segurança e nem nos aproximaram da
paz.
De repente, o momento é chegado de as duas nações,
as duas sociedades civis sobre o qual foi construído
o sistema político, sentirem a "fadiga do
desespero". Elas se cansaram de
estarem desesperadas, quando é óbvio para elas qual
é a solução e que frutos ela pode trazer.
Felizmente, neste momento, Genebra está esperando
por nós. Duas pessoas, meu amigo, colega e parceiro
Yossi Beilin e Yasser Abed Rabbo, não desistiram –
nem quando Barak errou e nem quando Arafat errou.
Eles disseram a si mesmos: se nós, tão próximos da
visão da paz, não formos capazes de construir uma
ponte, ninguém será capaz de fazê-lo.
Paulatinamente, através de um árduo trabalho, com
paciência, o campo de paz foi reerguido. Após 3
anos, obtivemos êxito no acordo.
Pela primeira vez, colocamos perante as duas
comunidades uma imagem do final. Através dos anos e
durante todos os acordos, a imagem do final do
processo era somente algo vago e com pouco conteúdo:
"preços dolorosos", "compromisso histórico" e
"decisões angustiantes". Estas palavras vazias
permitiram que as lideranças se furtassem a suas
responsabilidades históricas com seus povos. Os
Acordos de Genebra
são um retrato real. É assim que o nosso
relacionamento será no dia em que os governos
ascenderem ao nível de responsabilidade dos
idealizadores dos
Acordos de Genebra..
As proposições de Genebra são simples e diretas. Não
desejo uma vitória para um lado ao preço de insulto
e humilhação do meu ex-inimigo e futuro parceiro.
Quero um acordo com dignidade para tudo que é
necessário e precioso para o outro. E espero ser
tratado da mesma forma. Genebra é um acordo de
respeito mútuo, e não de afrontas recíprocas. É
impossível escapar da verdade neste acordo. Cada uma
das partes possui idéias maravilhosas, sonhos de um
grande lar, direitos históricos, e dimensões
religiosas antigas. Mas um acordo político não é um
espaço para a concretização de sonhos. Muito pelo
contrário, um acordo é uma oportunidade para os
sonhadores se encontrarem para determinar a si
próprios, pelo pacto, os limites das possibilidades
de seus sonhos.
Como judeu, nunca desistirei do meu sonho
de aguardar pelo retorno de Deus ao seu santuário no
3° Templo. Porém, até que Ele retorne, não preciso
exercer a minha soberania neste local. Eu rezo para
um local que já foi persa, árabe, romano, mameluco,
cruzado, turco, britânico e jordaniano. Não será
difícil para mim me referir e apelar ao meu "Deus de
todas as nações", mesmo sob a soberania palestina no
santuário – meu sonho espiritual e a soberania
política do outro, cuja fé eu respeito e que também
respeita a minha fé.
De minha parte, sei como é doloroso o sofrimento do
coração palestino ao almejar voltar a suas cidades e
vilas de onde foram exilados no decorrer da guerra e
da História. O sonho de retorno sempre foi o eixo
que alimenta as esperanças de ressurreição dos
palestinos. A chance chegou, está aqui, e vocês não
podem perdê-la. Genebra é a oportunidade de
independência.
Chegou o momento de separar o sonho e construir as
possibilidades. Espero que cada colega palestino
saiba que as orações são uma coisa e a implementação
é outra. Ninguém pode tirar os anseios de um
indivíduo de obter o direito de retorno. Este é um
direito que estão em seu coração. Mas a realização
efetiva não acontecerá, do mesmo modo que o meu
templo continuará no reino dos sonhos até que outra
História chegue. Genebra afirma às duas partes: só
alguém que sabe abandonar seus sonhos no campo dos
sonhos será capaz de criar uma visão melhor e um
futuro mais promissor aos seus filhos. E alguém que
insistir em viver fora dos sonhos acabará vivendo um
pesadelo infinito.
Mesmo a mais orgulhosa mãe de um mártir é uma mãe de
carne e osso, e eu quero lhe oferecer a vida de seus
filhos neste mundo, o sorriso e alegria de netos nos
próximos anos, em vez de sofrimento e funerais, luto
e mágoa sem fim por uma criança que se suicidou e
assassinou tantos homens, mulheres e crianças
inocentes no altar da estupidez e vingança.
Genebra substituiu a esperança na equação do
desespero do Oriente Médio. De repente, todos
acordaram. Há 40% de apoio em Israel e na Palestina.
Uma oposição obstinada de extremistas dos dois
campos persiste, pois eles sabem que a esperança de
Genebra é uma alternativa ao extremismo religioso,
que tira vidas em nome da vida na eternidade.
Portanto, a comunidade internacional acordou e
nos está abraçando –na visão de que Genebra seja a
esperança da região e do mundo inteiro por uma
estabilidade política e pelo futuro de um processo
de paz mútua e respeito.
Os próximos passos são absolutamente claros para
mim. Genebra deve se tornar parte integral da
fórmula internacional – como [as Resoluções da ONU]
242 e 338. Genebra deve ser uma declaração política
que a massa de cidadãos de ambos os lados exige de
suas lideranças. Não uma cortina de ilusões, não o
terrorismo de assassinos e tresloucados sem coração,
não uma separação unilateral e não palavras vazias
de uma velha liderança que não tem mais futuro aqui.
Genebra é contra toda essa terrível desesperança.
Genebra é pela grande esperança. Nós iremos
novamente dizer "sim" ao acordo e, desta vez,
faremos tudo que pudermos para ter sucesso.
(*) Avraham
Burg foi presidente do Parlamento de Israel (Knesset) de
1999 a 2003 e antigo vice-presidente da Agência
Judaica. Atualmente é deputado pelo Partido
Trabalhista. Foi um dos negociadores israelenses do
Acordo de Genebra, assim como da Declaração Conjunta
Israelense-Palestina em 2001.
(**) O
Dar al Hayat é um jornal árabe de grande circulação
publicado em Londres. Este artigo é parte de uma
série sobre a Iniciativa de Genebra que vem sendo
publicada em parceria com o serviço de notícias
Common Ground (CGNews).
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índice
CARTA AOS MEUS AMIGOS PALESTINOS
[Avraham
Burg
(*) - 17/09/2003
- jornal
"Al-Quds" ]
-
traduzido pelo
PAZ AGORA/BR
-
Meu
currículo não é nenhum segredo. Minha mãe nasceu em
Hebron em 1921, uma judia de sétima geração em
Hebron. Eu sou a 8ª geração. A profunda ligação de
minha família com a Cidade dos Patriarcas foi
cruelmente decepada no verão de 1929, quando uma
turba gritando "Matem os judeus" assassinou metade
de minha família. A outra metade, meu avô, tios,
tias e minha mãe, foram salvos pelo proprietário
árabe de suas terras. Desde então, minha família se
dividiu pelo meio: uma metade jamais confiará
novamente num palestino. A outra metade jamais
deixará de buscar vizinhos que desejam a paz.
Eu
tenho o direito de retornar à cidade na qual minha
mãe nasceu e da qual nós fomos expulsos. Eu nunca
irei renunciar a esse direito, mas não tenho nenhuma
intenção de exercê-lo, porque além dos meus direitos
de propriedade eu tenho uma obrigação de criar uma
vida livre de conflitos e mortes sem fim. O direito
à vida de meus filhos e dos filhos de Hebron
prevalece sobre o direito de um assassinar o outro
sobre o altar da terra e da família.
No mês passado publiquei um doloroso artigo no
jornal de maior circulação em Israel. Ele terminava
com o pensamento: "O que se faz necessário não é uma
substituição política do governo Sharon, mas uma
visão de esperança, uma alternativa à destruição do
sionismo e de seus valores pelos surdos, cegos e
mudos."
Desde então, tenho sido muito questionado. O que
você está dizendo para seus amigos árabes? E por
sermos a imagem refletida de outro, quando eu ataco
minha realidade nacional, estou obrigado a lhe dizer
o que penso do que acontece entre vocês.
Tenho raiva. Estou louco de raiva. Vejo meus sonhos
e os sonhos de meus amigos judeus e árabes
consumidos na chama do extremismo. É uma chama que
eternamente sopra para nós aqui no Oriente Médio,
uma chama que eu pensava que as brisas da paz
levariam embora, mas que vi crescerem para
consumirem tudo: casas, corpos, sonhos. Estou com
raiva de vocês, e com os terríveis significados que
vocês permitem a muitos de seus guias religiosos
atribuir à palavra sagrada de Deus. Mas eu fiz um
juramento: Eu não permitirei que o ódio seja meu
conselheiro. Eu não farei da vingança uma política.
Eu não me transformarei em alguém que odeia.
Portanto eu continuarei a acreditar. Não
ingenuamente. Não, eu acreditarei, eu irei orar e eu
manterei minha guarda.
E
aqui está minha fé. Qualquer futuro acordo será
baseado nos princípios de um compromisso
territorial. Qual é este compromisso? O compromisso
territorial não é apenas um negócio imobiliário. É
uma decisão espiritual assumida por povos que tenham
decidido aceitar um ao outro apesar de anos de
hostilidade e profundas cicatrizes de ódio e
vingança. Tal compromisso é antes de tudo entre cada
nação consigo mesma.
Eu
acredito com toda minha fé que toda a Terra de
Israel me pertence. Isto está escrito na Bíblia,
como minha mãe de Hebron me ensinou e aos seus
netos. E eu sei que o sonho da Grande Palestina
passa de avós para netos em cada lar palestino.
Assim, o primeiro compromisso é entre eu e o meu
sonho. Eu renuncio ao meu sonho de retornar a Hebron
para que eu possa viver livre num novo Israel. E meu
irmão palestino deve renunciar a seu sonho de
retornar a Jaffa para viver uma vida honrada e digna
em Nablus. Apenas aqueles capazes de renunciar a
seus sonhos podem sentar-se juntos para forjar um
compromisso entre suas nações.
Até
agora vocês têm servido como a eterna desculpa para
todos os defeitos dos regimes árabes. Os refugiados
estão abandonados no Líbano ou Síria - e não é por
nossa causa. Durante os últimos 50 anos, Israel
absorveu hordas de refugiados de todo o mundo sem
esperar por ninguém. A maior parte dos países árabes
não levantou um dedo pelos refugiados palestinos.
Muitos acharam útil preservar sua raiva e
humilhação. Eles sabem que no momento em que a
independência palestina for declarada, a face dos
mundos árabe e muçulmano se modificará de
forma irreconhecível.
Um
importante pesquisador palestino me disse uma vez
que enquanto os palestinos se opõem fortemente a
Israel em quase todos os níveis, existe uma área na
qual os palestinos querem imitar os israelenses: a
nossa democracia. Eu sei que 35 anos de ocupação foi
uma carga pesada para vocês, e também para nós. Mas
esses anos terríveis deixaram uma coisa boa: a
possibilidade real de uma primeira democracia árabe.
As
forças da democracia, tanto israelenses quanto
palestinas, enfrentam uma execrável aliança de
autocratas corruptos e teocratas fundamentalistas
que farão de tudo para evitar que a luz da
democracia espalhe seus raios de esperança. As
democracias são mais ricas, mais livres e, mais
importante, construídas na esperança e não no medo.
E o que eles mais temem é uma sociedade palestina
sem medo.
Esta é a verdadeira decisão que vocês tem pela
frente. Até agora vocês foram explorados por todos:
países árabes, extremistas islâmicos, Israel e seus
próprios líderes corruptos. Agora vocês têm a
oportunidade de tomar o destino palestino em suas
próprias mãos. A transição da opressão para a
liberdade nacional não é fácil.
Porque o mundo não será seguro para mim até que seja
seguro para vocês, eu quero partilhar com vocês a
experiência histórica de meu povo. Por milhares de
anos de exílio, fomos fracos, e vivemos pelas regras
dos fracos. E o mundo, especialmente o mundo
cristão, gostava de nossa fraqueza. Nossa fraqueza
simbolizava a força deles, nossa derrota era a
vitória deles. Mas num certo momento histórico,
surgiu o movimento sionista, o movimento do
renascimento nacional judaico, a tomou o destino de
nosso povo em suas próprias mãos. Uma corajosa e
honesta liderança trouxe um povo oprimido a
realizações quase inimagináveis. Em um momento
histórico decidimos deixar de ser fracos, e a
natureza de nosso diálogo com a família de nações
foi definitivamente modificado.
Até
agora vocês têm santificado sua imagem de fraqueza,
ainda que pudessem ter sido poderosos. Este caminho
não os levará a nada. Imaginem que tudo tenha sido
feito: Israel deixou os territórios, não haveria
mais assentamentos e um estado palestino
internacionalmente reconhecido surgiu com Jerusalém
Oriental como sua capital. Como vocês se
comportariam? Qual seria o caráter do estado? Qual
seria a parte que vocês tocariam na sinfonia das
nações?
Do jeito que as coisas se parecem agora, vocês estão
se conduzindo para uma grande derrota: um estado
palestino que será o mais novo estado do mundo, mas
retrógrado em seus valores e incapaz de preencher a
grande missão de seu povo.
Eu ouço os gritos de regozijo quando um terrorista
suicida Eu vejo a alegria, parte encoberta, parte
explícita, que irrompe entre os desesperados quando
um shahid (mártir) procura entregar seu corpo
despedaçado ao paraíso e deixar atrás de si uma
trilha de órfãos e viúvas israelenses.
Eu
conheço seu argumento de que vocês não têm
helicópteros nem jatos de combate e portanto os
ataques suicidas são seu armamento estratégico. Esta
é a sua verdade. Bem, eis a minha verdade. O
terrorista suicida oferece a si mesmo e a mim como
sacrifícios para um falso deus. O verdadeiro Deus
odeia o morticínio. Terroristas suicidas não deixam
atrás de si nada além de feridas e cicatrizes.
Ninguém além no mundo, nem mesmo os maiores
apoiadores da causa palestina, aceitam esta arma
do suicídio. É uma arma de monstros, não de
lutadores pela liberdade. E até que vocês se livrem
dela e de seus facilitadores de seu meio, vocês não
terão parceiros no meu lado, nem eu, nem ninguém
outro.
E o
que vem depois? O que acontece quando tivermos ido e
todos os grandes debates sobre o caráter de seu
estado - religioso ou moderno, islâmico ou secular?
Como serão esses debates resolvidos? Quero apostar
já, agora. Haverá terroristas suicidas. O Hamas
tentará ditar estas decisões nacionais pelas
ferramentas que conhece.
O que é bom para Israel é renunciar ao sonho da
Grande Terra de Israel, desmantelar os
assentamentos, deixar os territórios e viver em paz
ao lado de um estado palestino, combater a corrupção
e dirigir todas suas energias para dentro da
sociedade israelense.
E o
que é bom para vocês? A mesma coisa. Renunciar à
fantasia de nos varrer para longe daqui e retornar
a aldeias que na maior parte não mais existem. Lutar
contra a corrupção que os está destruindo por dentro
e dirigir todos seus talentos e recursos para
construir uma sociedade árabe exemplar - um modelo
palestino que revolucionará o mundo árabe, trazendo
a democracia muçulmana para a região e transformando
seu povo numa ponte viva entre Oriente e Ocidente.
Existe uma história antiga sobre o sábio que
conseguia responder a todas questões. Um de seus
discípulos decidiu testá-lo. O discípulo caçou uma
borboleta e a segurou dentro da mão. Chegou ao sábio
e perguntou: "O que tenho na mão - uma borboleta
viva ou uma morta?". Ele estava pensando, se ele
achar que é viva, eu a amasso e mato, e se ele disse
que é viva, abro minha mão e a borboleta mostrará ao
mundo o erro do sábio. Mas o sábio olhou para ele no
olho e disse: "Está tudo em suas mãos."
Um
futuro de vida ou de morte, crianças com esperança
ou desespero, uma nação palestina que seja
respeitada ou desprezada - está tudo em suas mãos.
(*)
Avraham Burg
foi presidente do Knesset
(Parlamento de Israel) entre 1999 e 2003,
e presidente da Agência Judaica. Atualmente é
deputado pelo partido trabalhista. Foi um dos
membros da equipe de negociadores israelenses no
Acordo de Genebra.
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Reprodução permitida com
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NÃO
representam necessariamente as posições do
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