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SÓ A ESQUERDA É CAPAZ
[
Akiva Eldar - 25/10/04 – Haaretz
-
www.haaretz.com ]
- traduzido pelo
PAZ
AGORA/BR
-
Nunca saberemos se a Iniciativa de Genebra, e a
recusa de reservistas a servir nos territórios,
foram realmente a razão para o plano de desligamento
de Sharon, ou se aquele acordo virtual e as recusas
lhe deram desculpas para escapar do
road map
para o velho esquema de Bantustões. Mas para os
deputados do Avodá e do Yahad, assim como para a
maior parte do Shinui, cujas raízes estão no
campo da paz, as pessoas cujos votos irão aprovar
amanhã o plano de desligamento, não é importante de
onde Sharon vem. O que importa é para onde está indo
o Likud. Uma revisão dos últimos 11 anos mostra que
a corrente central da sociedade israelense,
incluindo a maior parte dos eleitores do Likud,
estão descendo a trilha que Yitzhak Rabin
pavimentou.
Num artigo emocionado sobre "sionismo baseado na fé"
publicado recentemente no "Nekudá", Israel Harel,
morador do assentamento de Ofra, observou que o
Acordo de Oslo removeu 42% da Terra de Israel (áreas
A e B) do Estado de Israel: "É verdade que, de um
ponto de vista declarativo, nós não concedemos nem
uma polegada", escreveu, "mas qualquer pessoa
inteligente sabe e entende que enquanto a lei
internacional na sua forma atual se aplicar no
mundo, esses territórios, que foram entregues aos
árabes por um contrato assinado pelo governo de
Israel, não mais pertencem ao povo judeu. Mas nós
não falamos mais disso... nós reprimimos isso, nós o
aceitamos".
Ele
está certo. Mesmo que governos de direita argumentem
que os palestinos estão violando o Acordo de Oslo
com sua violência, metade da Cisjordânia ainda está
sob controle civil da Autoridade Palestina. E mesmo
que o exército israelense entre e saia, à vontade,
da Faixa de Gaza, do ponto de vista legal a maior
parte deste território continua sob controle civil e
de segurança palestino. Os dois governos Sharon nem
se preocuparam em revogar a decisão de Barak em
dezembro de 2000 de adotar a proposta Clinton, sob a
qual os palestinos receberiam de 94 a 96$ da
Cisjordânia.
Há
dez anos nesta semana, quando Rabin assinou o acordo
de paz com a Jordânia, o campo da paz, com apenas
uma penada, liquidou a visão do Betar de ter as duas
margens do Jordão pertencendo a Israel, assim como a
idéia de Sharon de que a Jordânia é o país dos
palestinos. Na época de sua primeira visita a Amã,
Sharon, então ministro da infra-estrutura, foi
compelido a prometer ao Rei Hussein que essa
expressão não mais seria pronunciada por ele.
A
paz com a Jordânia, um fruto raro do Acordo de Oslo,
é outra garantia de que nenhum governo israelense
são irá algum dia adotar o plano iníquo de
transferir os palestinos para leste. Além
disso, o interesse de Israel em preservar relações
com a Jordânia, assim como com o Egito, demanda que
cada governo considere o impacto de suas ações nos
territórios sobre seus vizinhos do leste e do
sul.
A
cerca de separação, outra concepção de um governo
trabalhista que foi adotada por Sharon, traz de
volta a Linha Verde para a consciência israelense e
internacional, e remove a visão de que "Yesha
[Cisjordânia e Gaza] está aqui", em Kfar Saba e
Mevasseret. "Não é claro que existe um perigo real
de que tudo que não seja incluído na cerca não
ficará no futuro sob soberania israelense" ?
pergunta Harel, comentando sobre o "absurdo" que
levou a direita a se enraivecer quando a Suprema
Corte de Justiça se pronunciou contra a cerca.
O
fato de as decisões da Suprema Corte estarem
consistentemente empurrando a cerca para o Oeste,
para a Linha Verde, também se deve a organizações
pacifistas e ativistas individuais que expuseram o
golpe de explorar a ameaça do terrorismo para
efetivar uma apropriação de terras.
O
precedente de uma retirada "sob fogo", sem aguardar
um acordo com o inimigo, foi colocado há quatro anos
pelo governo Barak. A tranqüilidade que a saída do
Líbano trouxe para a fronteira setentrional deve ser
creditada em boa medida ao apoio a esse passo
recebido da ONU, E.U. e Europa, assim como à pressão
da comunidade internacional para a Síria controlar o
Hezbolah.
Se
o plano para uma retirada de Gaza e norte da
Cisjordânia for de fato executado, o será graças aos
votos dos deputados Yuli Tamir, Amram Mitzna, Haim
Oron e Eti Livni, todos membros do grupo da
Iniciativa de Genebra. Os campos da paz israelense e
palestino, a administração americana e o Quarteto
devem assegurar que Sharon continue a puxar o vagão
para a esquerda, na direção de dois Estados viáveis,
em vez de correr para a direita em direção a um
Bantustão e à perpetuação do sangrento conflito.
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