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Apresentação

ANA MARIA STUART
 


O PT E O ORIENTE MÉDIO

Resumo da palestra de Ana Maria Stuart (*)

[ 30/03/04 - Fórum de Direitos Humanos - B´nai B´rith - S.Paulo ]

- compilado por Lia Bergmann e Moisés Storch -

A coordenadora da Assessoria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores, Ana Maria Stuart destacou o compromisso que o PT mantém, em termos internacionais,  desde os anos '80 com a solidariedade, a defesa dos Direitos Humanos, e a busca da paz e justiça social em todo o mundo. Ao final daquela década, o Partido adquire maior visibilidade internacional, aprofundando seus laços com partidos políticos de outros países, incluindo o Mapam/Meretz em Israel, e movimentos como o PAZ AGORA.

Nos anos '90 partido começou a ter uma presença mais ativa, com contatos com governos, partidos e ONGS de vários cantos do mundo. Em julho de 1993, o então presidente do PT e seu assessor Marco Aurélio Garcia estiveram em Israel, tendo sido recebido pelo então Primeiro-Ministro Itzhak Rabin e seu Ministro de Relações Exteriores Shimon Peres, além de diversos parlamentares e lideranças da sociedade.

Desde sempre, o PT sempre condenou ações terroristas e a violência fundamentalista, tendo pronunciado já em 1994 o repúdio ao atentado contra a sede da AMIA em Buenos Aires.

Na defesa de uma paz justa entre israelenses e palestinos, Lula apoiou o processo de paz de Oslo. Quando da assinatura dos Acordos de Oslo, o PT, presidido por Lula se manifestou dizendo: “esperamos que antes do próximo milênio possamos ter dois estados vizinhos”. Contatos com representantes israelenses, palestinos e dos países árabes estabeleceram as bases da política que o PT mantêm até hoje: a defesa do caminho das negociações de paz.

'Eleito presidente, Lula está honrando o seu compromisso com a paz, inclusive condenando ações do terrorismo islâmico ou dos fundamentalismos de todo o tipo`, destacou. Indagada sobre o porque do PT se manifesta quando há ataques aos civis palestinos, mas não aos israelenses, disse: ‘Nem sempre a imprensa dá o mesmo destaque às manifestações de repúdio divulgadas pelo PT em relação aos ataques de um lado e de outro. O partido parte da idéia de que nada justifica a perda da vida de civis’.

Afirmou ainda que `o PT acompanha com muita simpatia os esforços de civis israelenses e palestinos – como o do Acordo de Genebra – o qual considera realista. `Os grupos extremistas palestinos e os radicais israelenses não concordam com essa proposta, mas, considero que o Brasil deveria divulgar e apoiar tal iniciativa`.

Foi levantada também a questão de porque o PT não se manifesta sobre as crianças bomba e aquelas que como mostrado em recente reportagem no Fantástico, dizem: `nós estamos treinados para matar judeus e destruir o Estado de Israel. Ana Maria respondeu que a posição das mães destas crianças que estão se organizando para não compactuar com o uso de seus filhos para o terror é corajosa. `Nós, cidadãos do mundo, temos que nos unir a estas mães, assim como repudiar o uso de mulheres e homens bomba`.

Foram muitas as perguntas sobre o porquê do Brasil não denunciar à ONU a limpeza étnica que vem sendo efetuada pelos muçulmanos em relação aos negros do Sudão, ou não ter denunciado onde foi parar todo o dinheiro que a Europa e até o Brasil enviaram para a Autoridade Palestina e o caos que reina hoje na região que levou a população palestina ao completo desespero pela falta de alimentos e pelo domínio de gangues de marginais, ou ainda porque a AP não aceitou o acordo proposto pelo ex-presidente de Israel, Ehud Barak, que inclusive dividiria a cidade Santa de Jerusalém entre os dois Estados. E ainda que a democracia e a liberdade de expressão são fundamentais ao Estado de Israel, enquanto a AP neste tempo todo teve apenas uma eleição e os outros paises do Oriente Médio não realizam eleições livres.

Há uma conjunção de fatores, e entre eles certamente a falta de democracia que favorece o conflito e que alimenta setores da população que se aproveitam do conflito para manter seus privilégios, considerou ela, analisando que a construção da democracia no mundo é ainda uma questão em aberto. Mas deixou claro que é impossível transformar um país e construir uma democracia de fora para dentro. Estas sociedades têm que começar a defender os valores democráticos e devemos apoiar esses movimentos, temos que denunciar as violações aos Direitos Humanos. É preciso construir uma massa crítica, aumentando a força da opinião pública internacional para que haja ressonâncias internas e se faça chegar a todos os rincões o cenário de liberdade e de respeito aos Direitos Humanos. Eu tenho este compromisso pessoal e o PT também.

Sobre os organismos internacionais que, segundo o governo e o PT, devem ser reorganizados para incorporar países como o Brasil, a África do Sul, a Índia, que cresceram muito, mas, não têm representação suficiente para fazer valer a sua opinião, destacou a posição brasileira que considera importante, por exemplo, terminar com o veto de alguns países como existe hoje na ONU.

E concluiu: ‘Acredito que, encontrando soluções negociadas, poderemos evitar a proliferação desses grupos terroristas e, o que é muito importante, tomar medidas para o controle desses países que financiam atividades terroristas. E hoje já é possível controlar esses capitais. Na luta contra o terrorismo, a comunidade internacional tem que tomar medidas que realmente coloquem a sociedade internacional unida e alinhada contra esta ameaça que se expressa em todos os cantos.

Para Ana Maria Stuart  ´é da maior importância, na medida em que a gente possa dialogar, expor opiniões com liberdade, num espírito de fraternidade e de companheirismo – eu senti isso – acho que reproduzir situações como esta, sem dúvida marca o caminho que devemos trilhar, ou seja a busca do diálogo, da compreensão, do entendimento do diferente, da troca de opiniões. Nessa experiência é que se encontra o caminho para uma sociedade nova, e para um mundo novo. Ana Maria disse que aprendeu muito e que levará as questões abordadas no encontro a outros companheiros, inclusive aos que devem acompanhar o presidente Lula em uma próxima visita a Israel.

(*) Ana Maria Stuart - coordenadora da Assessoria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores. Licenciada em Ciências Políticas e Diplomáticas, pela Universidade Nacional de Rosário, Argentina, mestre em Ciência Política e doutora em Sociologia, pela USP, com concentração na área de Relações Internacionais. Membro titular do CACINT - Grupo de Análise da Conjuntura Internacional e pesquisadora do CEDEC – USP e do Centro de Estudos da Cultura Contemporânea. 

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