Iniciativa de Genebra

Líderes dos dois povos mostram que a

PAZ entre Israel e Palestina é possível AGORA

 

 

 

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Apresentação

 
YOSSI BEILIN

 

HOJE NÓS TE SALVAMOS, SR. SHARON

[YOSSI BEILIN (*) - 29/11/04 - Haaretz - traduzido pelo PAZ AGORA/BR ]

Embora esta evacuação não esteja sendo realizada pela vontade de um acordo definitivo de paz, ela tornará possível que este seja alcançado, quase certamente sem o senhor.  Não daremos uma razão, ou a desculpa, para deixar de evacuar os assentamentos de Gaza. Permaneceremos com a consistente tradição da esquerda sionista, que apóia qualquer passo para acabar com a ocupação...

ד''ר יוסי ביילין Xclique na foto e ouça YOSSI BEILIN

Prezado senhor. Primeiro-Ministro,

O fato de que o Yahad, que tenho a honra de chefiar, irá salvar o seu governo de ser derrubado hoje, frente ao voto de desconfiança que está sendo proposto contra ele pela ala trabalhista, causa-me noites de insônia. Afinal, não temos nem um pingo de confiança no senhor.

Sua pesada responsabilidade pelo desastre causado pela supérflua Guerra do Líbano, e sua visita provocativa ao Monte do Templo - que contribuiu para a erupção da Intifada, ou pelo menos a acelerou - são suficiente para evitar que o apoiemos.

Durante o mandato do governo Barak, 53 israelenses foram mortos na Intifada, enquanto durante o seu termo, para o qual o senhor prometeu que prevaleceria a paz e a segurança, quase mil outros israelenses, e três vezes mais palestinos, foram mortos. Isso é suficiente para justificar não confiar no senhor.

O assunto do momento é a pobreza em Israel. Até 1977, Israel era um dos países mais igualitários do mundo. O Likud, que tinha a imagem de representar os pobres contra os bem servidos e os corruptos, ampliou as diferenças sociais, algo que todos os governos de esquerda eleitos nos 27 anos anteriores haviam com sucesso evitado.

Seu governo realmente fez um bom trabalho. Ele transformou Israel em um dos países ocidentais com o maior abismo entre ricos e pobres. Ele premia os ricos com benefícios, reduz impostos para pessoas com condições, e altivamente e de olhos abertos, corta as alocações dos pobres.

O senhor ocasionalmente emite slogans sobre compaixão, como se fosse proferir um sermão numa sinagoga, e dá ao Ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu, total liberdade de ação, com a qual ele está mergulhando Israel num abismo de desigualdade e a níveis de pobreza sem precedentes na História de Israel.

O senhor poderia encontrar as vítimas de sua política, se tivesse ido comigo nesta 4ª feira a um encontro com os moradores da Shchuná Dalet em Beer Sheva, que vivem de pensões e estão sendo forçados a sobreviver  com duas a três fatias de pão por dia.

O desligamento de Gaza, que é a razão pela qual não o iremos derrubar hoje, tampouco nos traz grande alegria. Não temos dúvida de que Dov Weisglass falava a verdade na recente entrevista para Ari Shavit no Haaretz.

Sua grande intenção é renunciar a este pedaço indesejável de terra para evitar as críticas internacionais com relação a sua falta de evacuar os postos avançados ilegais, a continuação do empreendimento de assentamento na Cisjordânia , os assassinatos seletivos, a destruição de casas, a construção da cerca de separação ao longo de um traçado que anexa áreas palestinas a Israel, e a continuação da ocupação.

No final, o senhor fará todo possível para colocar qualquer processo político viável em formol, como se pode deduzir do fato de o senhor ser o primeiro primeiro-ministro que se recusa a entrar em negociações sem pré-condições com o presidente da Síria.

E apesar de tudo isto, acreditamos que o fato de o senhor pretender evacuar os assentamentos de Gaza é uma importante contribuição para o processo político, que proporciona um precedente significativo para o futuro.

Embora esta evacuação não esteja sendo realizada pela vontade de um acordo definitivo de paz, ela tornará possível que ele seja alcançado, quase certamente sem o senhor.

Não daremos uma razão, ou a desculpa, para deixar de evacuar os assentamentos de Gaza. Nós permaneceremos com a consistente tradição da esquerda sionista, que apóia qualquer passo para acabar com a ocupação, mesmo que ele não venha de nós. Ficaremos em guarda, não lhe permitiremos evitar facilmente a conclusão da tarefa que o senhor se propôs a fazer, que parecia muito mais fácil de ser feita pelo senhor uma ano atrás do que hoje.

Não, isto não é uma rede de segurança. Estamos nos abstendo unilateralmente de um voto de desconfiança.

Não temos interesse de ter ministros no seu governo, porque, ao contrário de outros, não iremos aceitar a responsabilidade coletiva pelas suas políticas de segurança e social.  Nos reservamos todo o direito de nos unir a um voto de desconfiança se o seu governo tomar decisões que marquem precedentes e de longo alcance com as quais não possamos conviver.

Mas faremos uso desse direito apenas se não houver outra saída. Tampouco seremos capazes de nos abster quando o orçamento do Estado for levado a votação - a não ser que este incorpore mudanças que salvem as crianças famintas dos bairros pobres de Beer Sheva. Mas esta votação poderá ser adiada e levada ao Knesset apenas daqui a quatro meses.

Por enquanto, superaremos nosso justificado desejo de vê-lo deixar o escritório de Primeiro-Ministro, porque acreditamos em nossa capacidade de provocar evoluções políticas que se desviem das suas intenções originais.

Da mesma forma que tornamos possível com a Iniciativa de Genebra  - como o senhor admitiu especificamente - que o senhor levantasse a idéias da retirada unilateral de Gaza, nós também trabalharemos após a retirada para promover negociações com a nova liderança palestina, na direção de um acordo definitivo.

Este acordo será baseado no plano Clinton e na iniciativa Bush. Será realizado no contexto do plano de paz road map, e quando for assinado, será surpreendentemente simular àquela mesma Iniciativa de Genebra da qual o senhor tentou fugir.

(*) Yossi Beilin foi Ministro da Justiça de Israel, é presidente do Partido Yahad e o co-promotor israelense da Iniciativa de Genebra, lançada em 1º de dezembro de 2003 na Suiça (leia  a íntegra em português em http://geocities.yahoo.com.br/agenebra/).

COPYFREE :   Reprodução permitida com os devidos créditos aos autores, à fonte, ao PAZ AGORA/BR - www.pazagora.org  e aos tradutores. Os textos publicados visam subsidiar o diálogo e NÃO representam necessariamente as posições do Movimento PAZ AGORA ou dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA. Estas são expostas nas seções "QUEM SOMOS" e "POSIÇÕES" do site www.pazagora.org

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TRANSIÇÃO PALESTINA e CONVERSAÇÕES DE PAZ

- Abu Mazen - Uma Segunda Oportunidade –

[ YOSSI BEILIN (*) - 17/11/2004 - La Vanguardia - traduzido pelo PAZ AGORA/BR ]

Abu Mazen se atreveu a dizer à direção palestina encabeçada por Yasser Arafat que a intifada armada foi um erro, desde seu primeiro dia. "

Em outubro de 1993, um mês depois da assinatura do acordo de Oslo na Casa Branca, viajei a Túnis, sede da direção  da OLP, encabeçando uma delegação israelense que ia tratar do tema dos refugiados palestinos como parte das conversações multilaterais (iniciadas na conferência de Madri em 1991). Na primeira noite de nossa visita, mantive com Yasser Arafat uma longa conversa, finda a qual me pediu um encontro privado. Disse-lhe de meus temores ante um prolongado acordo provisório de 5 anos, durante os quais os extremistas -de ambos lados- tentariam sabotar por todos os meios o acordo sobre o estatuto permanente. Propus a ele que levássemos a cabo um processo informal, no intento de chegar a um acordo sobre o estatuto permanente muito antes dos 5 anos estabelecidos. Para minha surpresa, aceitou de imediato a proposta e me disse que Abu Mazen trabalharia comigo.

Abu Mazen era o homem que havia estado por trás dos negociadores palestinos em Oslo, como eu estivera com os negociadores israelenses. Nos conhecemos na Casa Branca por ocasião da cerimônia de assinatura dos acordos de Oslo, e me agradou que tivesse sido encarregado de negociar comigo.

As conversações se celebraram ao longo de dois anos, principalmente entre os negociadores israelenses e palestinos. Em 31/10/1995, nos reunimos em segredo em Tel Aviv, no meu escritório, e declaramos que considerávamos os entendimentos a que havíamos chegado e os mapas anexos como a base para as negociações entre as duas partes. Abu Mazen devia passar o material a Yasser Arafat para que o revisasse, e eu a Yitzhak Rabin (nesse momento, meu cargo era  de ministro de Economia e Planejamento). Quatro dias mais tarde, Yitzhak Rabin foi assassinado; e foi sucedido por Shimon Peres, que não quis tratar do tema antes das eleições de 1996.

Durante a campanha eleitoral, os entendimentos vazaram para os meios de comunicação de forma distorcida, e foram apresentados como uma enorme concessão por parte de Israel. Segundo o acordo preliminar que havíamos estabelecido, não confirmamos a existência desses entendimentos e os apresentamos como simples conversações, não vinculantes entre as duas partes. Durante o mandato de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro,  me foi pedido que apresentasse esses entendimentos a um representante de seu governo, coisa que fiz. Mas Netanyahu não os utilizou.

Pouco antes das conversações de Camp David em 2000, Sandy Berger, assessor de Segurança Nacional do presidente Clinton, visitou Israel e pediu uma reunião com Abu Mazen e comigo na casa de Martin Indik, embaixador estadunidense em Israel. Berger nos fez uma simples pergunta: "Vocês respaldam o documento conhecido como os entendimentos Beilin-Abu Mazen?". Recebeu uma resposta de nós dois.

O documento não foi apresentado na cúpula de Camp David, mas o presidente Clinton me disse mais tarde que tinha servido de base para o plano Clinton, apresentado por ele em dezembro de 2000. E constituiu a base para o plano muito mais detalhado que apresentamos ao mundo faz um ano, o Acordo de Genebra, que foi apoiado e alentado fortemente por Abu Mazen desde seus primórdios.

Abu Mazen é um estadista especial. Muito modesto, não se mostra desejoso de assumir o poder político,  considera-se alguém que só de modo ocasional participa em política, por falta de opção e porque às vezes não há outro para fazer o trabalho. Percebe-se que não é desejado, desaparece logo do cenário, como fez em 2003, após 4 meses no cargo de primeiro-ministro sob a direção de Yasser Arafat. Raras vezes concede entrevistas, nunca estará na primeira fila e não gosta de proferir discursos. Mas quando fala é sincero e seus discursos não são demagógicos nem exaltados.

Abu Mazen foi valente porque se atreveu a dizer à direção palestina encabeçada por Yasser Arafat que a intifada armada era um erro -desde seu primeiro dia,  e que tinha-se que por um fim nela. Até há poucas semanas, muitos o considerava como alguém que não regressaria à direção palestina porque havia cortado em grande medida seus vínculos com o movimento Fatah e a OLP. Porém, coisas da política, a morte de Yasser Arafat o devolveu ao terreno político, porque é considerado um dos pais fundadores do movimento nacional palestino e porque, neste momento, não há ninguém na direção palestina que possa receber o mesmo apoio que ele.

Uma segunda oportunidade é algo raro na vida em geral, e particularmente na política. O retorno de Abu Mazen à cena política é uma notícia muito boa para os que acreditam na paz.

Não é moderado em sua perspectiva ideológica nem tampouco um negociador fácil, nas é pragmático, lógico e responsável. Se Abu Mazen for eleito presidente da Autoridade Palestina em 9 de janeiro de 2005, a paz palestino-israelense terá uma segunda oportunidade também.

(*) YOSSI BEILIN é o principal promotor israelense dos Acordos de Genebra, presidente do Yahad (Partido Social-Democrata de Israel), e um dos principais articuladores do processo de paz de Oslo. 

COPYFREE :   Reprodução permitida com os devidos créditos aos autores, à fonte, ao PAZ AGORA/BR - www.pazagora.org  e aos tradutores.  Os textos publicados visam subsidiar o diálogo e NÃO representam necessariamente as posições do Movimento PAZ AGORA ou dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA. Estas são expostas nas seções "QUEM SOMOS" e "POSIÇÕES" do site www.pazagora.org

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Entrevista mundial via Internet em 28/07/2004

·         O plano de retirada de Sharon irá transformar Gaza numa grande prisão para os palestinos?

·         O senhor se acha pessoalmente responsável pelos milhares de mortos e feridos israelenses, vítimas de sua fracassada política de Oslo?

·         Israel está preparado para devolver as colinas de Golan?

·         O senhor também riscou Arafat de sua agenda?

·         O muro de separação se provou eficaz para conter atentados terroristas. O senhor vê alguma real alternativa ao muro?

Leia as respostas a estas e outras questões a israelenses, australianos, palestinos, egípcios, turcos, ...

 

 

Entrevista do líder do Partido Social-Democrata de Israel – Yahad. Yossi Beilin respondeu, via internet, em 28/07/04, questões de leitores do jornal Haaretz em todo o mundo.

 Beilin, que comanda o partido de esquerda Yahad, articulou no ano passado o Acordo de Genebra, em conjunto com o líder palestino Yasser Abed Rabbo. A iniciativa não-oficial propõe uma concessão palestina sobre o direito de retorno a terras dentro do Estado de Israel, em troca da soberania sobre o Monte do Templo.

  O plano também propõe uma retirada israelense da maior parte da Cisjordânia e de toda a Faixa de Gaza. A proposta encontrou uma furiosa desaprovação do governo Sharon.

Beilin serviu como Ministro da Justiça ao governo chefiado por Ehud Barak, e foi também um dos arquitetos do Acordo de Oslo.

Ø       Parece-me que o desligamento de Gaza, ainda que não sendo a melhor solução é a única possível de ser realizada nas atuais circunstâncias. O senhor apóia o desligamento de Gaza? (Dov Yafit - Ramat-Hasharon, Israel)

 

Yossi Beilin: Concordo com sua opinião de que uma retirada unilateral de Gaza está longe da visão do Campo da Paz de um acordo definitivo de paz, em linha como o Acordo de Genebra. É muito claro que Sharon está lançando a trilha de uma retirada unilateral para evitar um acordo.

Ainda assim, como você sugere em sua questão, não se pode ignorar que neste exato momento este é o principal jogo que está rolando. Mais ainda, o fato de que Sharon, pai do movimento de assentamentos, irá desmantelar assentamentos é importante. Portanto, o Campo da Paz, e o Partido Yahad em particular, apoiarão o plano quando for proposto no Knesset, e fará seu máximo para usar o momentum da retirada para renovar o processo de paz. 

Ø       O senhor acha que Sharon e seu governo irão se retirar de Gaza e da Cisjordânia de forma que os palestinos possam construir um Estado, ou irá o plano de retirada apenas transformar Gaza numa grande prisão para os palestinos?  (Kosay- Cairo, Egito)

YB: Ouvindo Sharon e conhecendo sua escola de pensamento, eu sua escola de pensamento, suspeito que ele está conduzindo o plano de retirada unilateral com vistas a evitar que a visão de Genebra se transforme em realidade, e para promover seu antigo plano de Bantustões para a Cisjordânia e Gaza. No entanto, acredito que tais processos têm suas vidas próprias, e depende dos campos da paz - tanto do israelense quanto dos árabes - juntamente com o mundo, fazer que este plano seja um "Primeiro Gaza", em vez de "Gaza no Final".

Ø       A maioria dos palestinos apenas enxerga uma usurpação israelense de terras no Muro da Cisjordânia, incessante atividade de assentamentos, e presença militar agressiva do exército israelense. Assim, para os palestinos, a solução de Dois Estados parece inviável. O Sr. poderia dizer algo para atenuar esta percepção palestina? (Ghassan Abdullah -Ramalah, Palestina).

YB: Acho que nos meados dos '90, israelenses e palestinos experienciaram um lampejo da atmosfera que um acordo de paz entre os dois povos poderia criar. Lamentavelmente, o ciclo de violência que começou em setembro de 2000 minou severamente a confiança entre os dois povos. Entretanto, posso dizer aos palestinos e israelenses que eles não devem perder a esperança. Não existe uma alternativa real à solução de Dois Estados, que traga paz e estabilidade à nossa região. Os dois lados não devem desistir de seus parceiros pela paz, mas ao contrário, devem reforçá-los.

Ø       O senhor  se acha pessoalmente responsável pelos milhares de mortos e feridos israelenses que foram vítimas de sua fracassada política de Oslo? (Paul Herdan - Los Angeles, E.U.)

YB: : O processo de Oslo é a única esperança para uma solução tipo ganha-ganha entre Israel e os palestinos. Ele se tornou vítima de extremistas de ambos os lados (o primeiro foi Baruch Goldstein e os terroristas suicidas palestinos o seguiram). Quando a sanidade retornar, ele se tornará novamente a única solução, mesmo que o chamemos de Plano Clinton, Iniciativa de Genebra ou Plano Bush. Quando você se refere a números, deve ser mais cuidadoso, mas quando você tenta atribuí-los, é melhor referi-los à indisposição de fazer paz, em vez de aos esforços de fazê-la.

Ø       Em vista da caótica situação nas ruas palestinas, como o senhor proporia iniciar negociações para um acordo de paz entre Israel e os palestinos, e com quem? (Shimon Z. Klein - Bat Hefer, Israel)

YB:  Nos últimos 3 anos e meio, o governo Sharon está fazendo tudo o que pode para enfraquecer a Autoridade Palestina. Entretanto, o campo pragmático entre os palestinos toma sua força do status do processo de paz: quando este está em marcha - os pragmáticos prevalecem; quando não há processo, os extremistas tomam o controle. Existe um primeiro-ministro palestino conhecido como Abu Alá - ele é nosso parceiro oficial e devemos negociar com ele e a liderança pragmática palestina que ele representa. 

Ø       Conforme muitos observadores, é impossível concluir um tratado de paz estável israelense-palestino com Arafat. Por essa razão os governos israelense e americano o isolaram física e diplomaticamente. Qual seu ponto de vista sobre isto? O senhor também o riscou de sua agenda? (Alfred Pijpers- Haia, Holanda)

YB:  Acho esta política equivocada. Isolá-lo como a um animal ferido, sabendo que ele ainda é o mais relevante líder palestino, certamente não o fará um menor obstáculo. Por mais problemática que Arafat seja como líder,  Abu Alá, Abu Mazen e o restante do grupo palestino pragmático ainda precisa de sua legitimidade para chegar a um acordo com Israel.

Ø       Dada a sua experiência em Camp David e Taba, o que é necessário do lado palestino para que o processo de paz avance. E se estes passos necessários se materializarem, como poderia a população de Israel ser convencida de que é possível um progresso? (Steve Sass - Marblehead, E.U.)

YB: : Antes de 12/10/2003, minha resposta a esta questão seria uma hipótese. Mas agora, após chegar ao Acordo de Genebra naquela data, eu sei que tanto israelenses e palestinos proeminentes podem chegar a um acordo. Mesmo este acordo não sendo oficial, ele consegue um apoio estável de 40% em ambos os lados. Eu acredito fortemente que se tal acordo for apresentado por lideranças oficiais, ele ganhará uma vasta maioria.

Ø       Com relação à Síria, não ouvimos nada sobre alguma negociação. Parece que todo diálogo foi congelado. Pergunto-me sobre o status das negociações das Colinas de Golan. Israel está preparado para devolver as colinas na sua totalidade? (Sossi Yepremian - Los Angeles, E.U.)

YB: Depende de sobre qual Israel estamos discutindo. Quatro primeiros-ministros israelenses - Rabin, Peres, Netanyahu e Barak - concordaram com a retirada das Colinas de Golan num contexto de um acordo de paz. Lamentavelmente, o Sr. Sharon nem mesmo tentou ver se o apelo do presidente Assad por uma renovação das negociações era sério ou não.

Ø       O que o faz pensar o senhor tem o direito de negociar com palestinos ou qualquer outro, se o Sr. não é um representante eleito pelo povo israelense? Em qualquer outro país, o senhor enfrentaria acusações de traição. (George Erdos - Toronto, Canadá).

YB:  Tenho orgulho da democracia israelense que permite tal comportamento. Como o senhor provavelmente sabe, nunca tivemos a pretensão de assinar um acordo, mas sim uma carta à Ministra do Exterior da Suíça, com um modelo de acordo em anexo.

Ø       Por que existem diferenças tão significativas entre o que o Acordo de Genebra diz em inglês, em hebraico, e o que diz em árabe, particularmente com respeito ao "Direito de Retorno?" (Shari Reich - Lakeland, FL, E.U.)

YB:  Acho que o senhor está enganado. Não existe tal diferença. A versão obrigatória é a inglesa, mas as versões em árabe e hebraica foram ambas examinadas por especialistas das duas partes. 

Ø       O muro de separação se provou um meio eficaz para conter atentados terroristas. Dada a presente situação, o Sr. vê uma real alternativa a completar o muro? (Eran - Bonn, Alemanha)

YB:  O muro de separação é por sua natureza uma solução de curto-prazo. Ele não defenderá Israel por si. E seu traçado só pode ser o das fronteiras de 1967.

Ø       O que explica a posição da Europa visivelmente contra Israel? (Neil Solomons - Londres, G.B.)

YB: A questão política para Israel é como tornar a União Européia mais amiga de Israel do que uma adversária. E eu acredito que nos últimos 3 anos e meio, Israel fez tudo que podia para evitar tal evolução.

Ø       Quanto da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém o senhor está disposto a ceder como parte de um acordo definitivo? (Michael Rogers- Colorado , E.U.)

YB:  Conforme o mapa sobre o qual acordamos na Iniciativa de Genebra, a base para as futuras fronteiras serão as fronteiras de 1967. E as trocas de terras são eqüitativas e baseadas neste pressuposto.

Ø       O Sr. detecta sinais de uma decadência ideológica em Israel? Parece que o sionismo como ideologia pioneira já se acabou e agora precisa ser redefinido para sobreviver. Qual sua opinião? (Efraim - Jerusalém, Israel).

YB:  A principal idéia do sionismo não mudou nos últimos 100 anos. É o ideal de haver um Estado Judeu que seja democrático e assegure sua maioria judaica.

Ø       O senhor acha que a liderança palestina irá ao final concordar em renunciar ao direito de retorno de refugiados palestinos como parte de um tratado final de paz? (Susan Jenkins- Wellington, Nova Zelândia).

YB:  Os palestinos entendem que a insistência no direito de retorno irá impedir um acordo com qualquer governo israelense no futuro. E eu acredito que está provado na Iniciativa de Genebra que pode-se chegar a um acordo com eles sobre uma solução definitiva sem qualquer referência ao direito de retorno.

Ø       Quão bem sucedido e eficiente seria um Estado Palestino administrado nas dus regiões separadas de Gaza e Cisjordânia? (Harry Schnapp- Sydney Austrália).

YB: É claro que é preferível que o Estado tenha total contigüidade, mas, no caso do futuro Estado Palestino, a conexão entre a Cisjordânia e Gaza terá que ser diferente. Ou por uma estrada especial sob soberania israelense, ou por um túnel ou ponte. Assim mesmo, acredito que tal Estado pode ser viável, especialmente se o mundo, inclusive Israel, lhe der assistência.

Ø       O que os fez oferecer a renúncia ao Portão de Jaffa e Efrat no Acordo de Genebra?  (Murray- Thornhill, Canadá).

YB: É preciso de dois para dançar um tanto, e não se pode negociar sem um parceiro. Nós obtivemos muito nas negociações de Genebra e também tivemos que fazer concessões.

Ø       O quão preocupante é o crescimento do anti-semitismo na Europa? Como o Sr. acha que Israel deveria agir em relação a isso? (Ido Lotan- New York, E.U.).

YB: O anti-semitismo é um fenômeno preocupante em todo o mundo. Seria difícil ou mesmo impossível eliminá-lo. Mas é o papel do Estado Judeu fazer qualquer coisa possível para não despertar esta besta às vezes adormecida e assegurar que os atos de Israel não estejam aumentando as perspectivas de anti-semitismo. Eu acredito que o atual governo não está levando isto em conta. Israel, por exemplo, deve ser muito cuidadoso quando decide assassinar um líder inimigo e sua família, sabendo que alguém como ele pode provocar um atentado terrorista em comunidades judaica, como o que aconteceu no edifício da AMIA em Buenos Aires, em 1994.

Ø       Gostaria de ouvir sua opinião sobre o Sr. Arafat. O senhor concorda com a tese bem difundida de que até que ele saia do cenário nada pode acontecer? (Asi - Londres, G.B. 

YB: Não tenho nenhuma informação sobre o sucessor do Sr. Arafat e estou longe de estar certo de que caso ele saia irá haver um sucessor que fará a paz com Israel. Nesses tempos, gostemos ou não, é ele que está representando o lado palestino. Acho que deveríamos negociar com seu primeiro-ministro, com os membros de seu governo, sabendo que no final não haverá um acordo sem a sua confirmação, sem a sua assinatura.

Ø       Apesar do fato de os temas social e econômico se terem tornado centrais na política israelense, parece que as suas próprias posições sobre esses assuntos não são totalmente claras. Com relação a isso, com qual partido europeu ou americano o senhor mais se identifica? (Amir- Oxford, G.B. 

YB:  Não creio que muitos outros líderes israelenses tenham se preocupado em escrever livros sobre suas posições sociais e econômicas. Posso remetê-lo ao meu livro que foi publicado em 1999, chamado "Do Socialismo ao Social-Liberalismo". Eu me vejo como parte da internacional socialista, e me identifico com as políticas dos partidos social-democratas na Europa, como o sueco e muitos outros.

Ø       Demograficamente, dada à taxa de nascimento dos árabes israelenses muito maior que a dos cidadãos judeus, eles poderiam se tornar maioria em Israel, com a correspondente representação no Parlamento. Como o Sr. vê o futuro e a existência de Israel como estado judeu, e qual é sua sugestão para evitar que isso aconteça? (Gabi - Tel Aviv, Israel)

YB:  De acordo com as projeções do Prof. [demógrafo Sérgio] Dela Pergolla, haverá 65% de judeus e 35% de não-judeus em Israel em 2050. Isto significa que estamos falando de uma sólida maioria judia em Israel no futuro previsível, se estivermos aptos a concordar com as fronteiras da Iniciativa de Genebra.

Ø       O Sr. acha que o Irã é uma ameaça existencial a Israel? As ameaças israelenses de atacar o Irã tornam Israel mais seguro? (Marsha Cohen - Miami, E.U.)

YB:  Ninguém pode ignorar as ameaças iranianas. Israel as deve levar a sério e provocações não nos ajudarão.

Ø       Parece que quanto maior o sucesso do movimento dos colonos, mais a solução de um único Estado se torna mais viável a longo-prazo. Que passos devem ser dados para assegurar que uma solução de Dois Estados reemerja como alternativa preferida pelos dois lados?  (Albert A. Gregório - Rochester, N.York , E.U.)

YB:   Acho que o Sr. está certo e que o sucesso do movimento dos colonos iria por um fim ao sonho sionista. Ao defender o Grande Israel, eles estão renunciado ao estado judeu. Apenas um governo que esteja determinado a fazer um acordo com os palestinos, baseado na solução de Dois Estados, irá mudar esta tendência. E nós não temos muito tempo.

Ø       Meu entendimento é que o Yahad se opõe ao direito de retorno palestino, mas também se opõe às emendas às leis de imigração que cancelam a possibilidade de palestinos se tornarem israelenses através do casamento, conhecido como o "crawling right of return". Como o senhor explicaria esta discrepância? ( Yoav Dotan- Detroit , E.U.)

YB:  Existe uma grande diferença entre se opor ao "direito de retorno" e aceitar leis draconianas de imigração. Em nossa era de globalização e abertura, mesmo que não possamos aceitar uma idéia de entrada livre em Israel, devemos ser muitos cuidadosos para não criar aqui um gueto judeu, e devemos pagar o preço para isso.

Ø       Os judeus têm algum direito de viver em Hebron se os palestinos não os desejam lá? (Larry Brown - Chicago, E.U.) 

YB:   Conforme a Iniciativa de Genebra, israelenses terão uma permissão especial para visitar Hebron. Mas não viverão lá.

Ø       Por que não existe um PAZ AGORA palestino? (Chaim Landau- Givat Shmuel, Israel)

YB:   Só é preciso acompanhar os acontecimentos no lado palestino, os anúncios que foram publicados no mês passado contra a violência e contra atitudes de vingança, o trabalho que está sendo feito com o objetivo de apoiar a Iniciativa de Genebra, as assinaturas que foram coletadas em apoio à Iniciativa Ami Ayalon-Sari Nusseibeh, para entender que esta questão já pertence a uma época passada.

Ø       O que pensa o senhor da entrada do partido Trabalhista num governo de união nacional com o Likud? (Leelee - Paris, França)

YB:  O partido Trabalhista [Avodá] está cometendo um grave erro ao tentar voltar ao governo Sharon. A experiência de 2001 a 2002 foi traumática para os interesses nacionais de Israel e para o próprio partido. Se o Avodá quer apoiar a retirada unilateral de Gaza, pode fazê-lo dando ao Likud uma rede [parlamentar] de proteção ao invés de obter pastas ministeriais e compartilhar a responsabilidade coletiva por políticas a nível econômico, social e religioso que são contrárias à sua própria ideologia.

Ø       O senhor acredita que a esquerda israelense, e o Yahad em particular, são percebidos pela maioria dos israelenses como representantes da classe média alta, alienados da massa de israelenses que sofrem a insegurança econômica? Se for assim, o Sr. tem algum plano para superar esta percepção? (Noam Knoller- Amsterdam , Holanda)

YB:   Concordo que esta percepção ocorre no que se refere ao segmento judaico urbano. Mas é muito errado quando se fala do segmento rural de Israel ou quando se fala do segmento árabe. A política do Yahad é uma política de solidariedade, de igualdade, e contra o capitalismo cruel do atual governo. Planejamos continuar e perseguir esta política. Nosso papel será o de convencer o máximo de pessoas de que a atual política de Netanyahu e seus colegas é a pior para eles e que nossa política porá um fim à sua miséria.

Ø       Os judeus europeus estão hoje uma situação difícil. Enquanto tentam convencer suas comunidades a apoiar posições de esquerda e pacifistas, tornam-se menos e menos claros sobre temas como a cerca e os refuseniks. O senhor teria alguma orientação para eles? ( Stephane N. Ginsburgh- Bruxelas, Bélgica)

YB:  A política do Yahad sobre a cerca é muito clara. Não nos opomos à idéia da cerca, desde que seja construída sobre as fronteiras de 1967. Não se constroem cercas no terreno de seu vizinho. Quanto aos  refuseniks, o Yahad é firme contra a desobediência coletiva, mas respeitamos aqueles soldados que decidem desobedecer em função de ordens ilegais, e que estão dispostos a pagar o preço por isso.

Ø       O senhor enxerga um novo mapa político sendo formado, com o Likud e o Avodá rachando para formar novas alianças direita/esquerda - direitistas do Likud unindo-se à União Nacional , deputados esquerdistas do Avodá juntando-se ao Yahad, e uma terceira força de centro ? (Eliezer Ben-Moshe - Jerusalém, Israel)

YB:  Não acredito na teoria do Big Bang. Acho que em qualquer sistema político normal se tem uma esquerda e uma direita e as vamos ter sempre em Israel. A esquerda é o movimento que nunca está contente com a realidade, a qual sempre deseja melhorar. A direita é movimento que justifica a situação presente. Deve haver um acordo entre direita e esquerda em temas específicos, o que ocorre em qualquer sociedade. Mas não se deve tirar nenhuma conclusão disso, acreditando que seja um denominador comum amplo o suficiente para permitir uma unificação entre as duas.

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