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Apresentação

DOV WEISGLASS

 

"PLANO DE DESLIGAMENTO É CONGELAMENTO DO PROCESSO DE PAZ"

[ fontes: Haaretz e Maariv - 06/10/04 –edição e tradução do PAZ AGORA/BR ]

O chefe de gabinete, e mais próximo assessor do primeiro-ministro Ariel Sharon, Dov Weisglass, admitiu explicitamente ontem que o plano de desligamento objetivou o congelamento de negociações com a Autoridade Palestina.

"O significado do plano de desligamento é o congelamento do processo de paz", disse Dov Weisglass,  assessor graduado do primeiro-ministro, sobre o plano de Ariel Sharon numa entrevista a ser publicada na Magazine de 6ª feira do Haaretz.

"E ao congelar aquele processo", adicionou Weisglass, "você evitar o estabelecimento de um Estado Palestino, a discussão sobre refugiados,  fronteiras e Jerusalém.

"Na prática, todo o pacote chamado de Estado Palestino, com tudo que abrange, foi removido indefinidamente de nossa agenda. E tudo isto com autoridade e permissão. Tudo com as bênçãos do presidente (americano) e a ratificação de ambas as casas do Congresso".

"O desligamento é de fato uma cortina formal", disse. "Ele fornece a cortina desnecessária para que não haja um processo político com os palestinos."

Em seguida à publicação dessas declarações, Sharon declarou que continua apoiando o road map como único plano para um acordo definitivo.

Reações em Israel

O presidente do Partido Trabalhista, Shimon Peres, disse que Sharon nunca lhe havia dito que o plano de desligamento visava congelar o processo de paz, comentando "Aquele que procura meia-paz irá trazer meia-guerra".

Yossi Beilin,  deputado e líder do Partido Yahad, e um dos mentores da Iniciativa de Genebra, disse que os "comentários assustadores" de Weisglass foram feitos num raro momento de verdade, e exibem a intenções reais e perigosas de Sharon. Disse que essas observações "revelam o fato de que é Sharon quem não é um parceiro para paz, e o campo da paz precisa trabalhar para que ele seja substituído".

O deputado Mohammed Barakeh, do Partido Hadash considerou as declarações graves, e sublinhou a relevância da Iniciativa de Genebra. Zvi Hendel, deputado do Partido União Nacional disse que os comentários de Weisglass foram feitas com a intenção política de apaziguar a direita no curto prazo.

Perguntado por que razão o plano havia sido feito, Weisglass disse: "Porque no outono de 2003 entendemos que tudo estava travado... O tempo não estava do nosso lado. Havia erosão internacional, erosão interna. Domesticamente, tudo estava ruindo. A economia estagnada, e a Iniciativa de Genebra ganhava um amplo apoio...E então, fomos atingidos pelas cartas dos oficiais, e cartas dos pilotos e cartas de comandos [recusando-se a servir nos territórios]... Não eram garotos com brincos nos narizes e forte cheio de maconha, Eram nossos melhores jovens"

Weisglass não nega que a principal conquista do plano de Gaza é o congelamento do processo de paz de uma "maneira legítima". "Isto é exatamente o que aconteceu", diz. "Você sabe, a expressão 'processo de paz' é uma porção de conceitos e compromissos. O processo de paz é o estabelecimento de um Estado Palestino, com todos os riscos e conseqüências de segurança. O processo de paz é a evacuação de assentamentos, é o retorno de refugiados, é a partilha de Jerusalém. E tudo isso agora foi congelado... o que eu realmente acordei com os americanos foi que parte dos assentamentos não seriam negociados de maneira alguma, e o resto não será negociado até que os palestinos se transformem em finlandeses. Este é o significado do que fizemos ...e Sharon pode também afirmar honestamente que estamos falando de um plano no qual, de 240.000 colonos, 190.000 ficariam no mesmo lugar.

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