Iniciativa de Genebra

Líderes dos dois povos mostram que a

PAZ entre Israel e Palestina é possível AGORA

 

 

 

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Apresentação

INICIATIVA DE GENEBRA / ISRAEL:  www.heskem.org.il
 

SIM PARA O ACORDO  

DE GAZA A GENEBRA

[ Gadi Baltiansky (*) - 15/08/04 ]

- traduzido pelo PAZ AGORA/BR -

A afirmação em voga de que "não há ninguém com quem falar" está atualmente rendendo os frutos desejados por todos os que rechaçam o diálogo. Pode-se visualizar uma anarquia no cerne da Autoridade Palestina (AP), e estes brotos podem amadurecer e transformar-se num caos total. A profecia de Ariel Sharon está se cumprindo: "Se não conversarmos com eles, se passarmos por cima deles, se os ferirmos, desaparecerão". O sócio potencial para um acordo está se tornando mais e mais débil.

Este é o momento de demonstrar que a profecia contrária também pode se autocumprir. Devemos conversar com o outro lado antes que se feche a oportunidade da solução de dois Estados.

Como estamos no umbral da retirada de Gaza, devemos nos fazer duas perguntas chave:

Esta saindo, mas quem ficará fortalecido ? Estamos saindo, mas em que situação nos estamos metendo?

Israel poderia se dar conta de que, ainda que tenha se retirado de Gaza, permanecerá na mesma situação difícil, dolorosa e perigosa. A ocupação continuará, o conflito piorará, e a desesperança  haverá de crescer.

Mas há outra maneira: declarar que a retirada de Gaza é o primeiro passo no caminho para um acordo permanente. Liderança não consiste apenas na eleição entre caminhos existentes. Amiúde requer forjar novos. Nossa liderança faria bem em pavimentar o caminho desde a retirada parcial e unilateral até um acordo permanente.

De Gaza a Genebra podemos e devemos sair de Gaza, mas para produzir as mudanças desejadas em nossa sociedade, na economia e na educação, e também devemos construir nosso caminho para superar o conflito.

Para resolver nossos problemas existenciais,  o governo necessita mudar seu modo de pensar, ainda que seja mais difícil do que fazer malabarismos com os pedaços que constituem a coalizão de governo. Até aqui, o método estava claro. Primeiro destruir a AP para logo depois protestar por sua  incapacidade para lidar com os transgressores da lei. Primeiro passar por cima dos primeiros-ministros Abu-Mazen (Mahmoud Abbas) e Abu-Ala (Ahmed Qurei), para logo depois se queixar de que não há com quem falar.

Se quisermos escolher a maneira correta de sair de Gaza, também deveremos considerar o outro lado da moeda. Se negociações forem realizadas com o governo palestino, talvez melhore sua capacidade de enfrentar os militantes  radicais. Em vez de coordenar a retirada com Estados Unidos e Egito, talvez efetuá-la com Muhammad Dahlan e al-Rujub Jibril ajude a construir uma verdadeira cooperação para futuras negociações.

Além de começar um diálogo com as personalidades pragmáticas entre os palestinos, o governo deve anunciar que a retirada de Gaza é uma etapa nas negociações sobre um arranjo permanente baseado no roadmap.  

Não destruiremos os lugares dos colonos, mas os entregaremos como parte da futura compensação que, de qualquer maneira, teremos que outorgar aos refugiados. Nós não perpetuaremos a ocupação por outros meios, mas ajudaremos a construir a infra-estrutura do futuro Estado palestino. Não aguardaremos as reformas que estão sendo demandadas da AP, mas fortaleceremos os reformistas potenciais de forma que sejam capazes de realizá-las. Não exigiremos como condição prévia o fim do terrorismo, mas trabalharemos o sentido de um cessar-fogo abrangente. Não aguardaremos por um plano internacional - e seguramente um será proposto após as eleições americanas - mas apresentaremos nossa própria iniciativa delineando as negociações em todas suas questões principais.

A retirada de Gaza --- correta e bem-vinda --- é como a aspirina: alivia uma dor localizada num lugar determinado. Não devemos opor resistência ao analgésico, mas tampouco devemos nos enganar, crendo que seja uma cura para a enfermidade. Nós, israelenses e palestinos, estamos preparados não só para tomar o comprimido, mas também para nos submetermos a uma cirurgia.

Sabemos exatamente qual deve ser o resultado.  Foi delineado por Bill Clinton, nas conversações de Camp David e Taba, nos consensos de Nusseibeh-Ayalon e no Acordo de Genebra. A liderança que seja suficientemente valente  para nos retirar de Gaza deve ter a coragem necessária para admitir que só isto não é suficiente.

Se Israel se retirar de Gaza e, ao mesmo tempo, acentuar pela força seu controle na Cisjordânia, aprofundando a disputa interna e alimentando as chamas do conflito, isto não será recordado como um episódio positivo. Se, por outro lado, a retirada seja vista como um trecho do caminho para um acordo permanente, a decisão da retirada representará um ato histórico de grande significado.

(*)  Gadi Baltiansky  é escritor e diretor-geral da ala israelense da Iniciativa de Genebra. Foi Secretário de Imprensa do ex-primeiro-ministro Ehud Barak.

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ELES NÃO DISTINGUEM ESQUERDA DE DIREITA

[ por Lili Galili – Haaretz - 29/10/04 ]

No ultimo sábado, Dror Sternschuss, da Iniciativa de Genebra se dirigiu a um grupo de 20 israelenses de fala russa num hotel perto de Jerusalém, e perguntou-lhes algumas questões bem diretas: “O que você faria se estivesse dirigindo a campanha da Iniciativa de Genebra? É possível levar nossa mensagem à comunidade russa, ou os imigrantes russos são tão direitistas que é uma causa perdida?”

A audiência, a maioria membros do partido Avodá e do Uma Nação, ativo em organizações de imigrantes, aceitou esportivamente o desafio. "Se você explicar que esta é a única maneira de conseguir uma vida normal, e traçar uma ligação entre a proposta de Genebra e a melhoria das escolas e da economia, poderá chegar a algum lugar”, disseram alguns deles. “Não martele no tema demográfico”, aconselhou Alexander, de Yokne'am: “ele soa muito como discriminação racial. Se você jogar bem suas cartas, poderá trazer os imigrantes russos para o lado de Genebra. Mas não me tente convencer.” Mais tarde Alexander se descreveu como um homem de extrema-direita, “praticamente  Kahane," e apoiador de Avigdor Lieberman. Mas também apóia a retirada de Gaza.

Confuso? Com boa razão. Agora que o plano de Sharon foi empurrado no Knesset e que o país está encarando um referendo nacional, eleições antecipadas ou uma contínua batalha pela opinião pública, o sistema político, parlamentar ou não, todos estão olhando para o milhão de imigrantes russos . Se as opiniões sobre o desligamento cortam a sociedade israelense de uma maneira que não se enquadra nos padrões políticos de direita e esquerda, a situação na comunidade russa é ainda mais confusa.

Mais de 60% dos judeus russos de Israel apóiam o desligamento (conforme pesquisa do Dr. Eliezer Feldman  do Instituto Mutagim), mas muitos deles não entendem realmente os temas envolvidos. Feldman, especialista em pesquisas de opinião de russos, que imigrou ele mesmo há poucos anos para Israel, diz que a razão mais surpreendente que ouviu para apoiar a iniciativa é que após o desligamento “não haverá tantos árabes em Israel”.

Operando na divisa entre um apoio numérico maciço e a falta de entendimento, vários partidos movimentos estão trabalhando para mobilizar o apoio dos russos para uma agenda política futura. Desta vez a batalha está mais complicada. Alguns dos líderes da comunidade de imigrantes, como Avigdor Lieberman, Natan Sharansky, Yuri Stern (União Nacional) Yuli Edelstein (Likud), são ferrenhos opositores do plano de desligamento.

Ao mesmo tempo, cinco outros representantes parlamentares da comunidade, Roman Bronfman, Marina Solodkin (Likud), Victor Brailovsky e Yigal Yasinov (Shinui), além de Michael Nudelman (União Nacional), o apóiam.

As mudanças que ocorrem nessa comunidade, porém, não estão limitadas ao equilíbrio de poder  no parlamento. Hoje, 15 anos após o dilúvio imigratório da Rússia, este imenso setor populacional atingiu uma certa maturidade política e uma maior consciência das complexidades. Algumas vezes os imigrantes tem os mesmos anseios que a população em geral, e em outras vezes, suas preocupações são especificamente russas.

Dispostos a ouvir

Seu posicionamento sobre a Iniciativa de Genebra ilustra claramente a diferença. Os israelenses também perguntam se “pessoas que não representam ninguém” têm o direito de levar adiante uma iniciativa de tão longo alcance. Para os russos, este é um tema crítico, que tem menos a ver com a legitimidade da iniciativa do que com a pecha de ser conduzido por gente “não oficial”. A questão surgiu no encontro com Sternschuss, e foi levantado em outro encontro com israelenses de língua russa organizado há alguns meses pelos ativistas da Iniciativa de Genebra.

A preocupação dos russos com a material é claramente cultural. Na sociedade israelense, as pessoas constroem novas carreiras baseados em terem sido “alguém”. Num país onde generais aposentados são procurados por partidos políticos pelo resto de suas vidas, esse status de “ex” é um patrimônio. Na sociedade soviética, o status de “ex” era virtualmente inexistente. Aqueles bem colocados ficavam no topo até a morte. Apenas tornavam-se “ex” quando algum novo regime viesse e os colocasse para fora, privando-os de qualquer influência.

Diálogos e seminários do tipo patrocinado pela Fundação Adenauer em Shoresh são parte dos preparativos que estão sendo feitos pela Iniciativa de Genebra antes de lançar uma campanha para a comunidade de imigrantes russos. Eles também encomendaram uma pesquisa abrangente ao Dr. Avinoam Brug do Market Watch.

Não pode-se dizer que os russos em Israel estão agora abraçando calorosamente a Iniciativa. Mas há uma certa disposição para ouvir.  De fato, a disposição sempre esteve ali, mas a esquerda nunca a capitalizou. Mortalmente feridos por não ter tido o apoio dos formadores de opinião russos, o Avodá e o Yahad praticamente pararam de falar a esse segmento (exceto Bronfman).Mesmo hoje, não são esses partidos que estão chegado, mas um órgão extra-parlamentar como a  Iniciativa de Genebra, que está mirando o grupo jovem, de 16 a 45 anos, considerado mais receptivo.

Brug diz ter encontrado uma grande ignorância entre esses jovens russos da periferia. "Eles não entendem sempre as diferenças entre direita e esquerda”, diz ele. “Eles se auto-classificam como de ultra-direita, mas mostram opiniões que mais se enquadram na esquerda. Dizem coisas como “Existe direita e esquerda, mas isso é tudo que sei”, ou “Trabalhistas? Não me agradam. Acho que são direitistas”.

A melhor nova na campanha da Iniciativa de Genebra é que os participantes mais informados desses encontros, especialmente na região de Tel Aviv, concordam que o desligamento (que apóiam) é uma solução temporária. Pertençam à esquerda ou à direita, reconhecem o fato de que, no longo prazo, Israel deve chegar a um acordo com os palestinos pelo diálogo. Ouve-se com freqüência declarações como “O desligamento é muito bom para a segurança, mas para o longo prazo outros passos devem  ser tomados”.

Tais dados são apoiados por uma pesquisa feita na semana passada. Ao responder à questão: "O que deve fazer Israel hoje para terminar o conflito israelense-palestino?”, 1/3 dos respondentes disse que Israel deve agir unilateralmente e ¼ que Israel deve negociar com os palestinos com o objetivo de assinar um acordo permanente.

Mas quando essas pessoas foram perguntadas se uma retirada unilateral de Gaza aumentaria ou diminuiria a possibilidade de chegar a um acordo, 38% disse que aumentaria e 41% que diminuiria a possibilidade.

Também surpreendente foi o grau de apoio a um Estado Palestino. Este apoio foi baseado não tanto no reconhecimento de que os palestinos  têm direito a seu próprio Estado, mas no desejo de viver separado deles.  Houve uma grande empatia pelo sofrimento dos palestinos, que foi percebido por muitos como um motivo para o terror. Claramente, é mais fácil ter este tipo de simpatia quando também se têm dificuldades financeiras. Por outro lado, a questão econômica foi muitas vezes citada como razão para apoiar o desligamento e um futuro acordo com os palestinos, de forma a liberar verbas para educação e bem-estar.

A questão econômica também surgiu nos encontros para imigrantes russos organizados recentemente pelo pessoal de Avigdor Lieberman (extrema-direita) para discutir o que deveria ser feito após a votação do desligamento. Liebermann, ciente do amplo apoio ao desligamento, está tentando tomar o tema por outro ângulo. Nesses fóruns, os imigrantes ouviam sobre os altos custos econômicos do desligamento. Esta explicação, dizem seus organizadores, não é menos eficaz em mudar suas cabeças do que a idéia de que os colonos estão fazendo um sacrifício que os russos, como recém-chegados, não têm condições de fazer. É claro que esses dois argumentos . irão se tornar parte da campanha  de Lieberman nos próximos dias.

Os ativistas de Genebra irão claramente aproveitar o reconhecimento pelos imigrantes russos de que é necessário um acordo permanente, e tentarão promover sua agenda. "Se a Iniciativa de Genebra foi a pedra de toque para o plano de desligamento de Sharon, agora é o momento do próximo passo . Nós combinaremos o  plano de desligamento com a Iniciativa de Genebra  e avançaremos para um acordo”, diz Gadi Baltiansky, diretor-geral da ala israelense da Iniciativa. "Para cortejar os russos, temos uma vantagem. Não somos um partido e não queremos nada deles, exceto um entendimento ideológico. Se a idéia é organizar uma massa crítica em favor da Iniciativa de Genebra, os russos podem fazer toda a diferença. Membros da geração mais jovem estão próximos do pensamento do Acordo de Genebra, mesmo que não o admitam politicamente”.

O obstáculo que espera adiante, porém, pode ter menos a ver com ideologia do que com as pessoas associadas a ela. Quando os israelenses de fala russa foram pesquisados sobre os princípios da Iniciativa de Genebra, 37 % disse apoiar esses princípios, e 9% estavam indecisos. Mas no momento que os nomes de Yossi Beilin e Yasser Abed Rabbo eram trazidos, a apoio caiu a 17%.  Na verdade, a própria pesquisa foi problemática pelo fato de que muitos dos entrevistados se recusaram a responder.

Então, 15 anos atrasada, a esquerda não partidária decidiu se dirigir aos imigrantes russos. A campanha da Iniciativa de Genebra, que já tem uma mulher russa na direção, irá levar sua agenda a sites em russo na Internet e organizar seminários para jovens. Brug, que pessoalmente dirigiu encontros de diálogo, está impressionado com a forma em que os russos elaboram seus argumentos e traçou uma conexão com coisas que eles já sabem: "Eles são mais coerentes, e têm um universo mais rico de associações literárias e históricas do que certos grupos de israelenses que encontrei”, disse.

Num país onde não existe uma narrativa de consenso, a esquerda permitiu que a direita apresentasse os fatos que os imigrantes russos usaram para construir um retrato do passado – e a partir dos quais eles agora estão construindo uma imagem do futuro. Agora que o Knesset votou em favor do desligamento, a esquerda está se virando para desfazer o erro.

Um ano e meio após demonstrar sua força eleitoral nas pesquisas, o milhão de israelenses de fala russa se tornou novamente um ator de primeira grandeza no que deverá acontecer no Israel pós-desligamento.

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SHAUL ARIELI: VOLTANDO À ESTRADA

Do Desligamento a Genebra -

 “ No futuro, no fim da estrada, após a finalização de todos os desligamentos, eles voltarão para Genebra, e o princípio de um acordo futuro será similar."

[ Aviv Lavie - Haaretz 03/09/04 -  traduzido pelo PAZ AGORA/BR (*) ]

אל''מ (מיל.) שאול אריאלי Xclique na foto e ouça SHAUL ARIELI

O ônibus saindo de um estacionamento de Tel Aviv numa tarde quente está lotado. É difícil acreditar, mas há apenas uma década ou duas atrás, esta gente idosa e amigável, sentada em cada uma das poltronas, pertencia aos altos escalões do  establishment de segurança israelense. Equipados com bengalas, aparelhos de escuta e uma grande dose de curiosidade, os veteranos do Conselho para Paz e Segurança estão indo conhecer em primeira mão um tema que está preocupando seus sucessores, assim como a Suprema Corte de Justiça: a rota da cerca de separação.

Shaul Arieli , major-general da polícia aposentado e diretor-geral do Conselho toma o microfone na frente do ônibus. Após vencer a estática, explica o desenvolvimento da luta legal sobre a rota da cerca. Arieli, um homem simpático e forte, cujo hebraico seria um patrimônio para os generais de hoje, às vezes tem dificuldade de recordar o nome de algum juiz da Corte Suprema, e quando alguém o ajuda lembrando "Cheshin",  ele começa a contar uma piada sobre um encontro entre velhos amigos. "Há três sinais de que você está velho, diz um velho para o outro: todo mundo lhe diz que você está com boa aparência, as garotas não se irritam quando você as cumprimenta, e a terceira .... me esqueci !"  Os passageiros riem, se identificando.

No final, Arieli quer agradecer aos anfitriões, os arquitetos da Iniciativa de Genebra. "As doações que recebemos este ano caíram de 2 milhões para meio milhão", diz ele, "mas para Genebra a situação é melhor, porque eles são muito mais atraentes. Nós decidimos pedir-lhes para pagarem o ônibus. Então, obrigado à Convenção de Genebra "!. "A Iniciativa de Genebra" correram para corrigi-lo. "A Iniciativa !".

Afora a organização e o ônibus, a presença de Genebra na viagem é expressa muito pela figura do guia, Shaul Arieli. Arieli é a concretização do sonho da esquerda, que está procurando uma nova liderança. Coronel da reserva, ex-comandante da Brigada de Gaza, articulado (com uma pequena tendência de pronunciar errado nomes estrangeiros), especialista no assunto até os pequenos detalhes, ele se parece com um líder escoteiro, muito distante dos óculos redondos de Yossi Beilin, estereótipo do esquerdista. Arieli esteve com o ex-primeiro ministro Ehud Barak em Camp David, e é uma das significativas figuras por trás de Genebra, o homem responsável pelo desenho dos mapas.

Durante as 7 horas de viagem pelas colinas de Jerusalém, que terminam tarde na noite, Arieli apresenta a rota da cerca de acordo com os princípios da Genebra, temperando suas palavras com informação histórica, teológica e demográfica. Repete este exaustivo ritual duas e às vezes três vezes por semana. Em uma viagem os ouvintes são membros do Jovem Guarda do partido Trabalhista. Na próxima, os empregados de uma empresa privada que pediram para ver a cerca com seus próprios olhos, e em outras ocasiões, a excursão é aberta ao público em geral. E o ônibus está sempre cheio.

O ponto alto da excursão se dá à sombra do enorme monstro de concreto de nove metros de altura que corta o bairro de Jerusalém Oriental, Abu Dis, pelo meio da estrada. Os aposentados olham impressionados, e um observa: "Mesmo após tudo que você sabe pela mídia, nada se compara ao sentimento de estar de pé diante desta coisa". O muro está coberto de pixações, entre as quais se podem ver os adesivos azuis e brancos da Iniciativa de Genebra. "Sim para a Iniciativa". Yaniv, que organizou a excursão, tira outro de sua sacola e a cola no muro. Ele repete este ritual a cada excursão. Há mais de 40 adesivos no muro.

Parecendo desaparecer

Nada irrita mais o pessoal do Genebra do que a pergunta de para onde eles sumiram.  Em dezembro, pouco depois do lançamento da iniciativa, e no auge do debate público, num tempo em que a Iniciativa de Genebra estrelava em programas de sátiras na TV, e até motivava um direitista a preencher uma queixa na polícia contra Beilin e seus amigos por "ajudar o inimigo em tempo de guerra", Gadi Baltiansky, diretor do quartel-general do grupo de Genebra, comenta que "se eles não te atacam é porque você não existe". Nesta semana, os arquitetos da iniciativa tiveram um momento de satisfação. Num artigo penetrante no Haaretz, Ze'ev Schiff mencionou que o documento de entendimentos assinado em Genebra deixa em branco uma série de acordos em vários itens, que deveriam ser incluídos no apêndice da iniciativa. Nove meses depois, o apêndice ainda não existe. Schiff se perguntava onde ele estaria.

No quartel-general da Iniciativa de Genebra em Tel Aviv há vários consultores de mídia, que sabem que o jeito certo de lidar com críticas é aceitá-las. Rapidamente enviaram uma resposta aos editores, expressando total concordância com Schiff. É verdade, chegou a hora de completar o acordo. Prometemos trabalhar nisso.

"Este artigo ilustra a natureza concreta da Iniciativa de Genebra e suas chances de se tornar uma realidade", diz Baltiansky com satisfação. Mas essa querela com Schiff é um pouco distorcida. Enquanto os dirigentes de Genebra procuram retratar o atraso como um assunto técnico que será resolvido por um trabalho duro, Schiff disse que os apêndices estão atrasados porque a pessoa responsável do lado palestino, o presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat, se opõe a um acordo que não inclua uma menção específica ao direito de retorno. Em outras palavras, contrariamente ao escopo que forma a base da Iniciativa de Genebra, Israel não teria parceiro para um acordo razoável.

Os dirigentes de Genebra não têm pressa para abordar esta parte do argumento de Schiff. "Os arquitetos palestinos de Genebra leram o artigo, e estão trabalhando em sua própria resposta", diz Baltiansky. "Mas nós realmente precisamos estar atentos ao fato de que o tema de um parceiro é uma profecia autocumprida. Numa situação de assassinatos e checkpoints, é um tanto difícil para os palestinos se organizarem e aparecerem como perseguidores da paz. Quando Sharon prefere devolver prisioneiros ao [líder do Hezbollah] Sheikh Nasralah, e ignora [o ex-primeiro-ministro palestino] Abu Mazen, cria-se um preço a pagar. `Não há parceiro' é um desses slogans vazios, e eu o conheço bem, porque estava lá quando ele foi inventado".  Baltiansky foi assessor de mídia de  [ex-primeiro-ministro] Ehud Barak durante a cúpula de Camp David.

Discórdia ante o plano de Sharon

A Iniciativa de Genebra percorreu um longo caminho desde seu brilhante lançamento em 01 de dezembro de 2003 até as excursões empoeiradas ao longo do traçado da cerca de separação. Mesmo os grandes opositores da iniciativa achariam difícil divergir da afirmação de que a assinatura do acordo foi acompanhada de uma tremenda explosão de mídia, e teve um efeito imediato sobre a população e o discurso político. Genebra aterrissou na agenda israelense num momento em que o país estava acossado por ataques terroristas e vazio de idéias políticas, e dentro de pouco tempo criou uma série de novas iniciativas - dos programas do partido Shinui e do vice-primeiro-ministro Ehud Olmert, ao próprio plano de desligamento. Às vésperas do referendo sobre o plano de desligamento entre os eleitores do Likud, Ariel Sharon tentou convencer os votantes dizendo: "É o meu desligamento ou a Iniciativa de Genebra deles”.

Sharon sofreu um golpe no referendo, mas ao anunciar o plano de desligamento, e com sua determinação de levá-lo adiante (até agora), ele deu uma bofetada direta nos arquitetos de Genebra. Sharon e seu plano os colocou, e toda a esquerda, diante de uma escolha entre duas opções ruins: apoiar o processo, que em sua essência está em contradição com os princípios de Genebra, que são baseados na aproximação e num tratado acordado, ou se opor a evacuar assentamentos e reduzir o escopo da ocupação. A equipe de Genebra reagiu a este desafio da maneira comum na esquerda israelense: com confusão e desacordos internos.

"Durante este primeiro período, o processo ficou paralisado", diz um dos arquitetos da iniciativa, "porque havia grandes divergências entre os membros do comitê dirigente, tanto em questões de substância quanto de tática". O comitê é um corpo de cerca de 20 membros, incluindo os políticos Amnon Shahak, Yuli Tamir, Amram Mitzna, Avraham Burg e, claro, Yossi Beilin, antigos participantes do estabishment de segurança como  Shaul Arieli, Gideon Sheffer e Giora Inbar, e o professor Menahem Klein.

"Pode-se encontrar todo o espectro de opiniões sobre o desligamento ali", comenta a mesma pessoa. “Desde Beilin, que se opõe com veemência, até Shahak, que o apóia. Todos concordam que a solução definitiva será alcançada através da aproximação e pelo acordo, mas até lá há grandes diferenças. Alguns acham que temos que adotar uma posição clara contra o desligamento, e dizer à população que ele é uma miragem, uma droga alucinógena”.

"Mas", continua, "eles também tiveram um dilema que costuma caracterizar um partido concorrendo a eleições, mais do que um movimento extraparlamentar: Se você diz agora algo que ninguém quer ouvir sobre os perigos de um passo unilateral e aí tem que esperar até que todos acordem e digam:  "Como o pessoal de Genebra estava certo!", você está arriscando não sobreviver porque estará parecendo um lunático. Em tal caso, o levantamento de fundos também pode sofrer muito. Antes de tudo, um dos motivos do sucesso de Genebra foi ter criado cooperação entre um amplo leque de pessoas, e ninguém quer que personalidades como Amós Oz ou David Grossman retirem seu apoio a nós por causa de nossa oposição ao desligamento".

Neste debate, pode-se dizer que fui o lado afiado e barulhento", diz Daniel Levy, assistente e braço direito de Beilin, que mais de uma vez foi chamado de "o homem por trás do acordo". "Pensava que nós definitivamente não devíamos ser um fraco eco de Sharon, que tínhamos de vir a público e dizer que era necessário um parceiro forte, não um fraco. Mas talvez eu esteja enganado, e o que propus não teria sido eficaz."

A discórdia veio a superfície em discussões de bastidores com jornalistas também. Num encontro com a equipe de um canal de TV, Yossi Beilin e Amnon Shahak apareceram, e em quase cada frase de Shahak havia um "diferentemente do que Yossi disse." O problema, diz um jornalista que estava presente no encontro, era que o pessoal de Genebra teria se tornado irrelevante. "Nós lhes dissemos, apresentem uma alternativa ao desligamento de Gaza, façam um de Genebra a Gaza", diz ele. "Se vocês tivessem apresentado um plano alternativo a Dahlan, as pessoas teriam visto que existe uma outra coisa". Seu problema, diz, é que não há uma idéia, o combustível ideológico acabou, o único jogo que está sendo jogado é o desligamento."

Como muitos outros esquerdistas de Israel antes deles, os arquitetos de Genebra se encontraram manobrando com dificuldade entre a necessidade de manter alguma proximidade com o consenso israelense, e as conversações continuadas com os palestinos. Num encontro realizado várias semanas atrás no lado jordaniano do Mar Morto, os israelenses ouviram coisas duras de seus colegas membros do quartel-general palestino de Genebra . Hisham Abed Al Razq, ministro para assuntos de prisioneiros da Autoridade Palestina, disse que muitos dos líderes moderados palestinos, incluindo o pessoal de Genebra, temem por suas vidas, e que se Israel deixar a Faixa de Gaza unilateralmente, Gaza irá ser controlada por gangs e simpatizantes do Hamas.

"Sentimentos muito duros foram ali expressados pelos palestinos", diz a deputada Yuli Tamir. "Eles disseram que não entendemos o lado deles. Que os estamos abandonando. O problema é que nós voltamos aos tempos em que até mesmo ter os dois lados se encontrando e ouvindo um ao outro se constitui numa conquista. São tempos nos quais a ação unilateral se tornou uma mantra sagrada".

Dror Sternschuss, o relações públicas que está conduzindo a campanha de Genebra, ilustra as diferenças: "Os palestinos na verdade deixaram claro para nós que, para que o desligamento funcione, nós temos que pressionar o governo de Israel a permitir que Arafat venha a Gaza." Mesmo aqueles entre os israelenses que aceitam esta posição, sabem que nada podem fazer sobre isso. Um apelo do pessoal de Genebra para trazer Arafat a Gaza não aumentará suas chances de se mudar da Muqata, mas irá minar severamente a imagem da iniciativa entre a população israelense.

Para fazer algum progresso, foi decidido agir. Após o encontro na Jordânia, os arquitetos de Genebra anunciaram o estabelecimento de uma equipe especial chamada "De Genebra a Gaza", com Avraham Burg liderando o lado israelense. "Nós não podíamos decidir se iríamos com um pequeno 'sim' para o desligamento e um grande 'mas', ou um grande 'sim' e um pequeno 'mas'", diz uma das pessoas da equipe.

E o que foi decidido?

"O vento está soprando na direção de um 'sim' médio e um 'mas' médio".

No quartel-general de Genebra acredita-se que os dias de introspecção pertencem ao passado. "Realmente houve confusão no início", diz Gadi Baltiansky, "e precisamos de um período de ajustes. Primeiro enfrentamos um vácuo, agora estamos enfrentando uma ação unilateral. Mas agora a confusão desapareceu, e nossa abordagem é muito clara. Temos que transformar o plano de desligamento numa alavanca para um acordo definitivo. Conforme esta decisão, estamos trabalhando com os palestinos em estudos, e preparando uma lista do que deve ser feito para que o desligamento possa conduzir depois a um acordo, e o que definitivamente não deve ser feito, porque levaria a uma piora do conflito. Esse é um desafio muito claro".

Daniel Levy: "No momento, a coisa mais importante para trabalhar é no 'como' de Gaza. Existem caminhos para implementar o desligamento de Gaza de maneira que conduzam à anarquia e causem tremendo prejuízo à possibilidade de algum dia chegar a uma solução, e existem caminhos de fazê-lo de forma que leve a um futuro acordo. Existe bastante gente no establishment israelense que entende que se fizermos algo estúpido, poderemos ser envolvidos numa enrascada muito maior do que a atual. Um de nossos problemas é que não é fácil para nós fazermos os palestinos falarem sobre isso, porque eles dizem 'Na medida em que vocês o fazem unilateralmente, muito obrigado, não faremos nada, e não nos peça'".

Dror Sternschuss, como homem de relações públicas, gosta de falar por metáforas. "O maior teste é se teremos sucesso, no momento certo, em transformar o desligamento de Gaza num completo acordo final. Nossa atitude em relação ao desligamento é como judô - explorar o impulso de seu opositor quando ele vem te golpear, para derrubá-lo. Sharon golpeia o conceito de acordo com o desligamento unilateral? Nós iremos abraçá-lo, e tentaremos no momento certo transformá-lo num acordo. O desligamento será ou uma grande conquista ou um erro desanimador, e acredito que faremos as coisas certas para assegurar uma conquista".

Esses são bonitos slogans. Você pode explicar como isso é realmente feito? No presente parece que vocês estão fora do jogo.

"A iniciativa original também emergiu após um longo período de silêncio e de trabalho importante.  Não são slogans; nós estamos trabalhando com os palestinos sobre o "como" numa maneira muito concreta. Como o desligamento não vai acontecer amanhã, eu não tenho que fornecer respostas no momento, e é possível que se eu o fizer, nossos planos sejam torpedeados."

Saindo a campo

Afora estar envolvido em grandes dilemas, o pessoal de Genebra passou os últimos meses principalmente em atividades de campo, que numa maneira típica da iniciativa, eles se asseguraram de empacotar com atraentes slogans: "Genebra no Campo", e até "Genebra Profunda". A atividade está dividida em 3 tipos diferentes - viagens de campo estreladas por Shaul Arieli; encontros em comunidades da periferia, com vários negociadores de Genebra participando de reuniões com moradores locais, e encontros em casas de pessoas. O pessoal de Genebra exibe um crescente número de lugares que já visitou. Já estiveram em Pardes Hana, Kfar Shalem, Reut, Kibutz Evron, Be'er Sheva, Rehovot, Nir David, Yokneam, Holon, e até no assentamento de Efrat.

A lista de lugares para os quais foram convidados inclui várias surpresas, como, por exemplo, a yeshivá [escola rabínica] de Aish Hatorá, localizada no Quarteirão Judeu da Cidade Velha de Jerusalém. Mais surpreendente, foi a identidade do palestrante de Genebra enviado para lá: Elias Zananiri, jornalista palestino que é um porta-voz do quartel-general palestino de Genebra. Ele resume a experiência: "Quero aparecer diante de qualquer tipo de audiência. Eu achava que iria encontrar um grupo de estudantes de yeshivá. Mas de fato eram estudantes judeus americanos de todos tipos de movimentos políticos. Eles me acolheram com grande respeito, disseram que tínham prazer de encontrar um tipo diferente de palestino, que lhes permitia ver alguém diferente da imagem com a qual estão familiarizados.  Foi muito interessante para mim, também, porque foi uma oportunidade de ver o que outros pensam de você. É como uma bússola que te permite achar seu caminho".

O pessoal de Genebra não foi bem recebido em todos os lugares. Em Mitzpê Ramon, Yossi Beilin e Amram Mitzna foram atacados por cerca de 60 manifestantes, aparentemente estudantes numa hesder yeshiva (que combina estudos da Torá com serviço militar). Eles golpearam os vidros do carro, jogaram areia e mesmo tentaram socar Beilin. Depois, os manifestantes irromperão no salão e impediram o encontro de se realizar. Em Arad, também, revoltosos conseguiram torpedear um evento planejado, que só foi realizado no dia seguinte.

Gadi Baltiansky orgulhosamente acena com vários clippings e artigos de jornal. Por exemplo, aquele de Ari Shavit, que escreveu no Haaretz no fim do ano passado, no alto da glória da iniciativa, que "o que determinará o status moral da Iniciativa de Genebra não é seu conteúdo, mas a forma como for divulgada. Se ela for dirigida para dentro dos lares israelenses, será não só legítima, mas mesmo bem recebida". E após a cerimônia de lançamento: "Eles foram a Genebra apesar de tudo. Depois de tudo que disseram nos últimos anos sobre a necessidade de convencer [as cidades em desenvolvimento] Sderot e Ofakim, eles não puderam resistir à tentação".

"Nos mudamos de Genebra para Be'er Sheva," diz Baltiansky, "e é muito menos glamuroso e muito mais monótono. Mas a mesma mídia que nos repreendeu por não ir à periferia, está agora perguntando para onde sumimos".

Com todo respeito ao trabalho de campo, quando se somam os números de participantes em todas as excursões, noites em centros comunitários e visitas a casas, o total mal alcança 10.000 pessoas. Menos que o auditório do Knesset.

"Certo, mas acredito que isso tem um efeito além do próprio evento. Quando chegamos em uma comunidade como Mitzpê Ramon, e 80 pessoas vem ouvir, quantos eventos eles tem lá? O secretário do conselho de trabalhadores, o rabino da comunidade e o chefe do conselho local vem, aqueles que são conhecidos como líderes da comunidade, e se eles são convencidos, espero que depois irão se tornar agentes de mudança. Se nos sentamos com estudantes etíopes na Universidade de Tel Aviv, espero que cada um deles irá depois levar as novas para suas vizinhança. Se isto não acontece, nós falhamos."

A Voz dos Povos?

Disputas de ego sempre foram uma parte inseparável da vida da esquerda não-parlamentar. Ao observador de fora,  parece haver uma grande aceitação mútua entre as duas principais iniciativas dos últimos anos - "A Voz dos Povos" de Ami Ayalon e Sari Nusseibeh, e a Iniciativa de Genebra. Quando se arranha a superfície, os tons mudam. Recentemente, a hostilidade pode ser percebida mesmo a olho nu: "O sionismo do qual eu venho não é o sionismo aonde políticos almofadinhas vão se encontrar em Kushta, Londres ou Genebra para assinar acordos", diz Ami Ayalon numa entrevista da última edição da revista semanal do jornal Maariv.

No quartel-general do grupo de Genebra, eles preferem manter um rosto de pocker ("O que é bom para eles é bom para nós"), mas quando Shaul Arieli é perguntado no ônibus pelos aposentados do establishment de segurança da sua opinião sobre o "A Voz dos Povos", ele responde sem cerimônia. "Até aqui eles coletaram 200 mil assinaturas israelenses e 150.000 palestinas, e eles vêem que já usaram seu eleitorado. Mais ainda, logo Ami irá anunciar que está entrando num partido político, e todo negócio vai aparecer".

Orni Petrushka do "A Voz dos Povos" diz em resposta que "estamos energicamente continuando a obter assinaturas, e não estamos escondendo nada. No que diz respeito a Ami, não sei de suas intenções de se envolver em política". Ayalon, incidentalmente, não se preocupou em negar na entrevista ao Maariv que está tentando decidir se entra na política partidária, mas explicou que não tinha tomado ainda uma decisão.

"Eles construíram um sistema extenso que não sabem exatamente como usar", disse um ativista de outro movimento pacifista com relação a Genebra. "Eles se transformaram numa outra ONG, como muitas organizações, um supermercado de pequenos projetos. Eles têm a vantagem da marca, a capacidade de coletar muitos nomes de vários campos. Mas agora eles estão realizando atividades como projetos Pessoa-Pessoa, que o campo da paz já tem feito há anos."

"Eles estão preocupados com coisas esotéricas em vez do principal", diz um ativista de outra organização. "Eles recorreram a agências de propaganda de forma que palestinos criativos poderiam aprender dos israelenses como fazer uma campanha melhor. É nisto que eles estão ocupados? Genebra terminou com uma sessão de fotos? A diferença entre Genebra e "A Voz dos Povos" é que Ami Ayalon falou em Abu Dis no fim-de-semana e coleta assinaturas no campo, e Beilin publicou um livro e vai se encontrar com Richard Gere."

Gadi Baltiansky não fica nervoso com a crítica. "Não acho que ninguém pode dizer que não estamos no campo, e eu certamente não estou envergonhado pelo fato de conduzir atividades de educação para paz, mesmo que haja outras organizações fazendo isso".

Existe quem diga que vocês existem graças ao poder da inércia, das doações que vocês levantaram nos dias do "big bang.". Há dinheiro para os salários, então não há razão para desmantelar a organização.

"Posso lhe contar que os salários são um item muito pequeno no orçamento da Iniciativa de Genebra. Há 11 trabalhadores assalariados, muitos menos que em outras organizações. O B'Tselem [a ONG de direitos humanos ativa nos territórios ocupados] tem mais de 30. A verdade é o contrário. Estamos levantando verbas para projetos que estamos realizando. Se não tivéssemos atividades para mostrar a doadores, não receberíamos nada."

Quanto Genebra levantou até agora? "Pouco mais de 1 milhão. E é também o que gastou."

Não faltam críticas no sistema político também, como poderia ser esperado. A deputada trabalhista Dalia Itzik diz que está muito preocupada com o prejuízo que Genebra pode causar ao Partido Avodá nas próximas eleições. Suas palavras devem ser vistas à luz da sua bem conhecida rivalidade pessoal com Yossi Beilin. Itzik: “É possível haver um rombo nas costas do Partido Avodá. Digamos que haja eleições amanhã, nós seremos imediatamente acusados de apoiar Genebra. O que vou poder dizer: que eles não são nós? Mitzna está lá, [Avraham] Burg, Yuli Tamir. Um bando que está ocupado gritando. É como antes das eleições, quando [o deputado Haim] Ramon e eu pedimos para Mitzna dizer algo sobre Arafat, mas ele se recusou”.

"Acho que a iniciativa é infantil, pretensiosa, megalomaníaca. Estou furiosa com eles. Existem pesquisas que indicam a atitude da população em relação a Genebra. Com quem temos um acordo? Com Abed Rabbo? É uma pessoa agradável, mas não é nem mesmo membro do gabinete palestino. Se eu ocasionalmente encontro grupos iraquianos que estiveram no governo, vou fazer um acordo com eles? É extremamente infantil. Não vejo como o Likud não usar isto contra nós nas próximas eleições", diz ela.

Prontos para uma campanha

Entre o pessoal do Genebra, há alguns que pensam que o mapa político sofrerá uma substancial mudança nas próximas eleições, quando ocorrerem, que as preocupações de Itzik não serão relevantes. Avraham Burg, por exemplo, acha que "Genebra deu nova forma à  política israelense. Estávamos num mapa muito polarizado, sim ou não para os territórios. Agora nos tornamos tripolares: os que querem continuar nos territórios, como [os ex-ministros da União Nacional Avigdor] Lieberman e Benny Elon; aqueles que perderam a esperança, que não querem ou não acreditam em cooperação, e caminham para movimentos unilaterais, como Haim Ramon e Ariel Sharon; e os bilaterais: o pessoal de Genebra. Esta divisão atravessa as linhas dos partidos. Política requer paciência, porque vemos o que acontece aos que não tem paciência, como o PAZ AGORA. É o mais longo 'agora' na história da Humanidade".

Um dos mais surpreendentes participantes na campanha de lançamento de Iniciativa de Genebra é Itzik Suderi, que já foi porta-voz do [partido religioso] Shas, e é agora um empresário, Suderi ainda está registrado como membro do Conselho de Genebra, que tem mais de 250 membros. "Soa bem ser membro de um conselho", diz ele, "mas a verdade é que eu fui à convenção de fundação, e não me encontrei realmente lá. Não sou um fã de todos artigos do acordo, mas a base é correta, e eu não me apressaria a descartá-lo. No futuro, no fim da estrada, após a finalização de todos os desligamentos, eles voltarão para Genebra, e o princípio de um acordo futuro será similar. Talvez eles serão chamados por nomes diferentes, porque Shimon Peres é alérgico a qualquer coisa que tenha um cheiro de Genebra, mas esta será a base".

Nos próximos meses, ao lado da tentativa de canalizar o desligamento para uma rota tão bi-lateral quanto possível, o pessoal de Genebra pretende levantar a atenção da população israelense e palestina novamente. Dror Sternschuss diz que "nossa principal falha foi que não tivemos sucesso em convencer as duas comunidades de que existe um parceiro do outro lado, e se todos os grupos no mapa político de Israel tem algo em comum, é que eles desejam muito parcerias".

Sternschuss e seu pessoal, e seus parceiros palestinos no quartel-general em Ramalah, estão trabalhando numa campanha simétrica, na qual pessoas comuns das duas nações irão à população do outro lado e se apresentarão como parceiros para um futuro acordo de paz, de acordo com os princípios de Genebra. Sternschuss: "Tentaremos levar a campanha à TV e ao rádio, mas tememos que isto será rejeitado, porque ela ostensivamente levanta controvérsia, e teremos que ir à Suprema Corte de Justiça com ela. De qualquer forma, nós daremos publicidade dela em cinemas, nas ruas e na imprensa. Os palestinos não têm tal problema, elas vão passá-la na TV palestina, o que me faz duvidar sobre onde realmente há democracia e liberdade de expressão".

À tarde, há atividade no quartel-general do Genebra. Os trabalhadores são reunidos na frente de uma tela de TV, cruzando seus dedos para o velejador com a bandeira azul e branca.  Enquanto o wind-surfista Gal Fridman celebra sua histórica medalha de ouro olímpica com uma gota das águas do Mar Egeu, Yossi Beilin está alto no céu, viajando para Riga, Latvia, onde oito ministros do exterior da Escandinávia e dos países bálticos que recentemente entraram na União Européia, estão esperando por ele. Ele apresentará a eles a Iniciativa de Genebra, e continuará por alguns dias em férias particulares. Após, voltará correndo para Israel. Ontem, ele já estava agendado para estar num encontro em Kfar Mordechai. Na agenda de atividades no quartel-general do Genebra em Tel-Aviv, está anotado que fica próximo a Gderot.

(*) Os Amigos Brasileiros do PAZ AGORA apóiam igualmente a ‘Iniciativa de Genebra' e 'A Voz dos Povos, conforme nossa "adesão ao coletivo pacifista – Dois Povos, Dois Estados (Leia e Apóie Conosco).




 

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