Iniciativa de Genebra

Líderes dos dois povos mostram que a

PAZ entre Israel e Palestina é possível AGORA

 

 

 

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Apresentação

QADDOURA FARES
 
 

 

COMO PERDER OUTRA CHANCE DE PAZ

[ Qaddoura Fares (*) -  26/10/2004 – Haaretz – traduzido pelo PAZ AGORA/BR ]

O ministro da Autoridade Palestina discute as chances de sucesso do "Plano Sharon" de desligamento unilateral. Fares defende que apenas uma negociação bi-lateral, como o modelo da Iniciativa de Genebra, pode trazer uma solução justa para o conflito: "Mesmo que alguns possam discordar de algumas cláusulas da Iniciativa de Genebra, ela continua sendo o modelo que prova que a paz é possível e viável."

כדורא פארס Xclique na foto e ouça QADDOURA FARES

O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon não é o único a desejar que seu plano unilateral de desligamento tenha sucesso. Muitos no lado palestino gostariam de vê-lo funcionar, certamente no contexto da saída das tropas israelenses de Gaza e do desmantelamento de assentamentos judeus. Mas o plano, como se apresenta hoje, e a julgar pelo que as autoridades de Israel nos dizem, não tem chance de ser bem sucedido.

O único componente que o plano tem hoje é de segurança. Dizem a nós, palestinos, que o sucesso do plano de Sharon pode levar um caminho bi-lateral que reviveria o processo de paz. Mas isto não é suficiente para convencer o povo palestino, cuja maioria não acredita ser a paz possível sob o atual governo de Israel.

Além disto, não é possível quando o próprio Sharon e seu assessor, Dov Weisglass, falam abertamente que o plano foi concebido originalmente para congelar o processo de paz e contornar o apoio popular e internacional que a Iniciativa de Genebra ganhou, após ser assinada e oficialmente lançada em 01/12/2003.

Para que o desligamento unilateral tenha êxito, não pode ficar apenas sobre a perna da segurança. Ele precisa também de um componente político, assim como de um econômico.

Sem um componente político, dificilmente haverá um único palestino disposto a apoiar o plano de Sharon, mesmo quando ele fale de retirar as tropas israelenses da Faixa de Gaza. Este componente político é fundamental para garantir que o processo de "Gaza primeiro" não termine como "Gaza por último". O componente político é o único mecanismo que serve como plataforma de lançamento de um processo de negociações abrangentes que leve a um autêntico final do conflito.

Muitos perguntam qual seria a alternativa. Outros defendem que o plano de Sharon é a única opção em jogo e por isso "nós precisamos lidar com ele positivamente". Isto é verdadeiro, mas só em parte. A única opção em jogo é, e deve continuar sendo sempre, um acordo negociado que ponha um fim a este conflito. Para sair do unilateralismo para o bi-lateralismo não é fácil, talvez por causa do atual estado de coisas entre os governos da Palestina e Israel.

Mas a alternativa está ali. Está nas palavras de Sharon e de seu assessor. Ambos falaram da
 Iniciativa de Genebra como sendo um importante fator que os levou a adotar o desligamento unilateral dos palestinos.

Ambos entenderam que o impulso público e internacional que a Iniciativa ganhou poderia muito provavelmente levar a uma campanha internacional de pressão sobre Israel para aceitar os parâmetros da
 Iniciativa de Genebra.

Embora o desligamento unilateral possa ajudar Sharon por algum tempo, ele afinal terá que encarar a necessidade de iniciar o processo de paz, a não ser que ele assuma que o atual impasse possa continuar permanentemente.

Apenas um acordo negociado pode terminar este conflito. Apenas um processo bi-lateral de conversações entre lideranças de Israel e Palestina pode levar a tal acordo.

Não obstante o fato de que alguns possam concordar ou discordar de certas cláusulas da
Iniciativa de Genebra, ela permanece como o único modelo que prova que a paz é possível e factível. Acreditamos fortemente que um esforço concertado deve continuar, tanto no lado palestino quanto no israelense, para enfatizar que a única opção em jogo, que conduz a uma solução justa, é a Iniciativa de Genebra, nem mais e nem menos.


(
*) Qaddoura Fares é Ministro de Estado da Autoridade Nacional Palestina , membro do Conselho Legislativo Palestino e um dos negociadores e signatários da Iniciativa de Genebra. É também membro do Comitê Executivo da  PPC - Coalizão Palestina da Paz / Iniciativa de Genebra - Palestina - www.ppc.org.ps

COPYFREE :   Reprodução permitida com os devidos créditos aos autores, à fonte, ao PAZ AGORA/BR - www.pazagora.org (versão em português). Os textos publicados visam subsidiar o diálogo e NÃO representam necessariamente as posições do Movimento PAZ AGORA ou dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA. Estas são expostas nas seções "QUEM SOMOS" e "POSIÇÕES" do site www.pazagora.org

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UM CHAMADO PALESTINO PARA REATIVAR A PARCERIA

[ Qaddoura Fares (*) - 28/09/04 - FORWARD - tradução PAZ AGORA/BR ]


[A} solução continua sendo a de dois Estados para dois povos. É aceita por uma maioria de palestinos e israelenses, pela comunidade internacional e consistente com a lei internacional. Fazer eleições palestinas numa atmosfera pacífica - onde haja uma parceria ativa para alcançar um acordo e uma sensação de esperança, entre o povo palestino, de que serão capazes de se livrar da ocupação - poderá fortalecer aqueles que acreditam na democracia, na reforma e num acordo politicamente equilibrado.

Estes últimos quatro anos do confronto palestino-israelense, o período mais violento e sangrento desde a primeira ocupação israelense de territórios palestinos, provam que quanto mais continuar a ocupação, pior será o sofrimento de ambos os povos.

Não foi coincidência que os confrontos começaram após as negociações terem parecido haver fracassado. Apesar de 4 anos de morte e sofrimento, e a despeito das complexas camadas históricas e religiosas deste conflito e de seu impacto regional e internacional, uma solução política é ainda assim viável. E essa solução continua sendo a de dois Estados para dois povos. Esta solução é aceita por uma maioria de palestinos e israelenses, e também é apoiada pela comunidade internacional e consistente com a lei internacional.

Mesmo que nenhum acordo de paz tenha sido alcançado durante a Cúpula de Camp David em 2000, os palestinos e israelenses estiveram muito perto de finalizar um acordo durante as negociações de Taba, pouco depois. Mas fatores domésticos israelenses, particularmente a convocação, pelo então primeiro-ministro Ehud Barak, de eleições antecipadas e a subseqüente recusa pelo primeiro-ministro Sharon a negociar, evitou a conclusão a partir do ponto em que as negociações foram deixadas.

A necessidade de uma solução de dois Estados como base para qualquer acordo é entendida claramente pela maioria dos palestinos e israelenses. A questão é se suas lideranças poderão vencer as diferenças entre os dois lados nos temas mais sensíveis. Ultrapassar esses obstáculos requer em primeiro lugar o desejo de fazê-lo, algo que o atual governo de direita de Israel - cujos líderes se opuseram ao processo de paz de Oslo - não têm.

O atual governo israelense recusa-se a negociar um acordo definitivo que leve ao estabelecimento de uma Palestina viável, lado-a-lado com Israel. A direita israelense não negocia, ela impõe sua vontade. Isto é melhor demonstrado pela insistência de Sharon em se retirar unilateralmente de Gaza sem a menor coordenação ou negociação com os palestinos, enquanto continua a construção do muro na Cisjordânia, expandindo colônias ilegais israelenses nos territórios ocupados palestinos e completando o cerco da Jerusalém Oriental ocupada sob o pretexto de não ter um parceiro palestino para paz.

Este refrão ilógico de "não existir parceiro palestino" é usado para justificar políticas que continuam o conflito, e não o resolvem. A lógica determina que qualquer parceria de sucesso requer uma base consistente e um objetivo comum. Uma parceria baseada na desigualdade, onde o objetivo de uma parte é continua sua ocupação sobre a terra da outra, seguramente fracassará.

Jamais haverá um parceiro palestino que aceita um acordo que proporcione nada menos que todos os direitos nacionais do povo palestino.. Sharon ainda não aceitou este fato, e procura por pressão militar alterar a liderança democraticamente eleita dos palestinos ou suas posições. Isto, é claro, ocorre com a complacência do governo americano.

Esta estratégia de coerção política, diplomática e mesmo militar para mudar a liderança palestina, ou para infligir tal sofrimento no povo palestino que seu desespero se volte contra seus próprios líderes, não trará uma mudança de liderança.

A estratégia de Israel poderia levar a um colapso das estruturas governamentais palestinas formadas após os acordos de Oslo. Isto pode bem ser parte do plano de Sharon, mas certamente nenhuma instituição iria emergir em sua decorrência que pudesse estar disposta a aceitar menos do que a atual liderança palestina já indicou que aceitaria como parte de um acordo para terminar o conflito. A estratégia de Israel é uma receita para continuá-lo.

Antes que qualquer lado conclua apressadamente que não há parceiro para a paz, ambos devem entender a base e o propósito da parceria. Para os palestinos, o objetivo da parceria é terminar a ocupação dos territórios ocupados em 1967 (inclusive Jerusalém Oriental), estabelecer um Estado soberano palestino ao lado de Israel, e alcançar uma solução justa e acordada para o destino dos refugiados, consistente com a lei internacional, a iniciativa árabe de paz e as posições da OLP.

Estas metas são consistentes com as propostas de paz que eu e outros representantes palestinos desenvolvemos com um grupo de proeminentes israelenses, conhecido como
Iniciativa de Genebra. Esta iniciativa representa as possibilidades de uma parceria baseada em igualdade e justiça. A única coisa que falta é desejo político para transformá-la de uma iniciativa para um acordo.

Tal desejo político, porém, não emergirá espontaneamente. Ele requer que os Estados Unidos altere fundamentalmente seu papel, da administração do conflito para sua solução. Em outras crises internacionais, como na ocupação iraquiana do Kuwait, limpeza étnica na Bósnia e Kosovo e apartheid na África do Sul, a comunidade internacional demonstrou uma clara disposição e compromisso com a aplicação da lei e da justiça.

Trazer paz à região e terminar a ocupação israelense também demandará um compromisso internacional. Sem ele, o conflito continuará. Esperar, para trazer a paz, por evoluções internas nas sociedades israelense e palestina, é uma estratégia falha.

Muitos depositaram suas esperanças por paz na reforma [política] da Palestina. O caminho certo para reformas fundamentais é realizar eleições abrangentes, legislativas, presidenciais e municipais, assim como eleições livres internas em todas as partes políticas, a começar de meu partido, Fatah, o maior partido político palestino.

Uma verdadeira reforma vai além do governo, e se estende também à sociedade civil. Eleições em sindicatos profissionais, por exemplo, permitiriam a estes ocupar o papel a que têm direito.na construção da democracia. Mas é impossível realizar eleições livres com postos militares israelenses restringindo o movimento de eleitores e candidatos, e enquanto o exército israelense se recusa a sair de cidades palestinas.

Em 13/09, Israel impediu o registro eleitoral na Jerusalém Oriental, numa tentativa de bloquear eleições. Isto prova que Israel não tem interesse em eleições palestinas, ou num tipo de reforma que poderia delas emergir. Conseqüentemente, depende da comunidade internacional ajudar a criar as condições em que uma eleição possa se realizar.

Fazer eleições palestinas numa atmosfera pacífica - onde haja uma parceria ativa para alcançar um acordo e uma sensação de esperança entre o povo palestino de que serão capazes de se livras da ocupação - poderá fortalecer aqueles que acreditam na democracia, na reforma e num acordo politicamente equilibrados.

Mas se houver eleições com os soldados da ocupação perturbando as ruas, a maioria dos palestinos não irão às urnas, os grupos islâmicos terão uma maior chance de sucesso eleitoral, pois se apóiam no estado de pobreza, desespero e frustração resultantes da continuada repressão israelense.

A maioria dos palestinos é mais liberal e apoiaria um acordo político equilibrado e a criação de um sistema político democrático. Mas a atual situação mantém silenciosa a maioria, prejudicando a política interna palestina.

A nova geração da Palestina é uma geração que cresceu só conhecendo a ocupação, sofreu prisões e torturas por israelenses, e testemunhou a ocupação nas suas mais brutais formas e quer não apenas sua liberdade, mas também um Estado democrático palestino baseado na separação de poderes, vigência da lei, pluralismo, proteção de direitos das mulheres e o desenvolvimento de uma cultura política que coloque a Palestina entre as democracias do mundo.

Esta geração quer um Estado que rejeita a violência, procure a coexistência, que não seja parte de nenhuma aliança militar e não permita que sua terra seja usada para ataques contra seus vizinhos. Esta geração anseia por um Estado que viva em paz e segurança com o Estado de Israel e o povo judeu, cujo histórico sofrimento entendemos. Mas é tempo de essas vítimas sentirem e reconhecer o sofrimento das vítimas palestinas.

As visões e crenças que mencionei acima representam a posição e ideais da nova geração de palestinos  uma geração cujos valores são melhor refletidos por meu amigo e companheiro, Marwan Barghouti, que está hoje mantido numa prisão israelense.


(*) Qaddoura Fares, Ministro de Estado da Autoridade Palestina, é membro do Comitê Executivo da Fatah na Cisjordânia, deputado do Conselho Legislativo Palestino, e um dos negociadores e signatários palestinos da Iniciativa de Genebra. Este artigo foi publicado originalmente pela Forward [www.forward.com], tradicional publicação de judeus progressistas em N.York, em 26/09/2004, antes da reeleição de Bush e do falecimento de Arafat.

COPYFREE :   Reprodução permitida com os devidos créditos aos autores, à fonte, ao PAZ AGORA/BR - www.pazagora.org (versão em português).  Os textos publicados visam subsidiar o diálogo e NÃO representam necessariamente as posições do Movimento PAZ AGORA ou dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA. Estas são expostas nas seções "QUEM SOMOS" e "POSIÇÕES" do site www.pazagora.org

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