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GENEBRA AGORA
- Entrevista com
YASSER ABED RABBO -
[
Danny Rubinstein - 29/10/04 - Haaretz - traduzido
pelo PAZ
AGORA/BR ]
Abed
Rabbo está convencido de que a complexa solução para
o problema dos refugiados formulada pela
Iniciativa de Genebra,
baseada na reabilitação e reparações em Israel e no
exterior, não é um abandono dos refugiados, mas ao
contrário, a primeira tentativa palestina desde 1948
para defender os direitos dos refugiados em termos
práticos.
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na foto e ouça YASSER ABED RABBO
A Iniciativa, definida como um acordo privado, teve
um significativo impacto em ambos os lados. Sua
influência no lado israelense foi expressa numa
recente entrevista ao Haaretz por Dov Weisglass,
principal assessor do primeiro-ministro, que disse
que o apoio à
Iniciativa de Genebra levantou
temores que fizeram com que Sharon saísse com o
plano de desligamento.
Yasser Abed Rabbo
ainda acredita na Iniciativa mas admite, "Ninguém no
nosso lado acredita que ela possa ser implementada
agora."
O primeiro aniversário da conclusão das negociações
do modelo para um acordo permanente entre palestinos
e israelenses, conhecido como
a
Iniciativa de Genebra
está próximo. Yossi Beilin dirigiu a equipe
negociadora israelense, e Yasser Abed Rabbo conduziu
a delegação palestina.
Perguntamos a Abed Rabbo: O que fez a
Iniciativa de Genebra ao lado palestino?
Diferentemente de Beilin, Abed Rabbo ainda é um
membro central da liderança palestina. Foi ministro
da informação e cultura da Autoridade Palestina (AP)
mas atualmente não é ministro. Seu papel oficial é
de membro do Comitê Executivo da OLP. Isto não deve
ser tomado como uma diminuição de seu
status,
porque para membros da faixa superior da estrutura
da AP, o status
depende de sua participação no pequeno círculo de
assessores diretos de Arafat. Abed Rabbo continua
membro desse clube.
Numa entrevista no último sábado, em seu
escritório no Centro Palestino de Informação e
Comunicação em El-Bireh, ele disse que a população
palestina respondeu à
Iniciativa de Genebra com choque e desânimo. O choque foi causado, em
sua opinião, pela linguagem do documento com
respeito à solução do problema palestino. "Os
extremistas do lado palestino se aproveitaram disso
para retratar-me e aos meus amigos como aqueles que
desistiram dos direitos palestinos, diz ele.
As seções dedicadas ao tema dos refugiados
criaram o que ele chamou de "uma atmosfera muito
pouco amigável", aos olhos da população palestina. É
interessante notar a extensão em que este
assunto era completamente dependente dos olhos do
leitor. Ron Pundak, diretor do Centro Peres para
Paz, recentemente disse que enquanto o lado
palestino considerava a Iniciativa de Genebra como
uma rendição do direito de retorno, a população
israelense interpretou a Iniciativa como
significando exatamente o oposto. Os israelenses
acreditaram que a Iniciativa expressava a recusa
palestina de renunciar a seu direito de retorno.
De qualquer forma, Abed Rabbo está convencido de
que a complexa solução para o problema dos
refugiados formulada pela
Iniciativa de Genebra, baseada na reabilitação e reparações em Israel
e no exterior, não é um abandono dos refugiados, mas
ao contrário, a primeira tentativa palestina desde
1948 para defender os direitos dos refugiados em
termos práticos.
"Esta é a defesa dos refugiados, que deve
substituir a linguagem oca e os slogans do passado",
diz ele.
Após todas as reações negativas, o Sr. ainda
acredita que A Iniciativa de Genebra tem chance?
Abed Rabbo: "Com certeza. Em mesmo sou um
refugiado, e sei que a
Iniciativa de Genebra
abriu um diálogo sério pela primeira vez sobre este
assunto no lado palestino".
Que valor tem o diálogo à luz de tão ampla
resistência?
"Esse não é exatamente o caso. Realizamos várias
pesquisas de opinião pública entre palestinos.
Apresentamos todas as seções da Iniciativa de
Genebra, incluindo as fronteiras projetadas do
Estado Palestino, o acordo compromissado sobre
Jerusalém e a solução dos refugiados, e recebemos
uma maioria de 60% de apoio a ela."
"´Nós não mencionamos que estávamos perguntando
aquelas questões em conexão com "'Genebra' , que se
tornou um termo negativo. Apenas perguntamos sobre
os temas, como um todo, e isso deixou claro que
existe um amplo apoio para a Iniciativa. Tudo
depende de como as coisas são apresentadas. Se você
chegar e perguntar, por exemplo: 'Você aceita a
Iniciativa de Genebra, que renuncia ao direito de retorno?' Até
eu vou responder 'Não'. "
No verão de 1988, o Conselho Nacional Palestino
da OLP se encontrou na Argélia para aceitar uma
decisão do Conselho de Segurança que representou de
fato o reconhecimento do Estado de Israel, e a
aceitação de uma solução de dois Estados para os
dois povos. Abed Rabbo explica que, desde então,
ninguém realmente explicou o resultado específico
daquela decisão, ou seja, o significado prático do
reconhecimento do Estado de Israel. O significado é
uma solução de compromisso.
"Em hebraico, há um ditado de que você tem de
colocar os pontos [que representam as vogais no
hebraico] nas letras, para deixar o significado
claro. É isto que fizemos com a
Iniciativa de Genebra. Colocamos os pontos nas letras da decisão da
OLP, em termos da criação de dois Estados para dois
povos na superfície desta terra".
Como seria possível promover a implementação da
Iniciativa de Genebra?
"O grande inimigo de Genebra, de nosso lado, o
lado palestino, não é a postura conservadora do
grande público. Mas sob as atuais circunstâncias,
ninguém acredita que possamos alcançar tal solução.
Quando os palestinos vêem o que está acontecendo na
Cisjordânia - os assentamentos fortalecidos, a cerca
de separação que oprime os palestinos e cria
expropriações intrusivas - e a política israelense
de punições coletivas, ninguém quer nos ouvir. Eles
me vêem e aos meus colegas da
Iniciativa de Genebra como uma coleção de sonhadores iludidos".
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Reprodução permitida com
os devidos créditos aos
autores, à
fonte, ao
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tradutores.
Os textos publicados visam subsidiar o diálogo
e
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as posições do
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SOMOS" e "POSIÇÕES"
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YASSER ABED RABBO:
PLANO DE SHARON DIVIDIU PALESTINOS
[Palestinian
Media Center – 19/09/04 - traduzido pelo
PAZ
AGORA/BR
]
Agora, nesses momentos que são os mais trágicos e
perigosos em nossa história moderna deste 1948, nos
falta uma visão unificada e uma liderança
unificada...
A
missão básica de Sharon é completar a 'Guerra de
Independência' erradicando a existência do povo
palestino através de um sistema integrado de
procedimentos estratégicos que tornariam impossível
para o povo palestino criar no futuro um Estado em
parte das terras entre o mar [Mediterrâneo] e
o rio [Jordão]...
Precisamos desenvolver um consenso nacional sobre
uma resposta [ao plano de Sharon] para decidir o que
rejeitamos, que é a solução parcial e unilateral,
e o que aceitamos, que é o fim da ocupação dentro do
quadro de uma solução abrangente que conduza à
criação de um Estado independente dentro das
fronteiras de 1967...
Membro do Comitê Executivo da OLP e co-autor da
Iniciativa
de Genebra, Yasser Abed Rabbo quer a convocação de uma conferência nacional
de todos setores representativos [palestinos] para
trabalham numa reação unificada ao plano unilateral
do primeiro-ministro israelense de "desligamento" da
Faixa de Gaza, que descreveu como "o mais perigoso
plano político desde 1948 que tem uma chance real de
ser imposto" sobre o povo palestino.
Numa entrevista exclusiva à revista quinzenal
palestina Attareek, da
Coalizão Palestina de
Paz (Palestinian Peace Coalition - PPC), que será publicada nessa 2ª feira, Abed Rabbo
advertiu sobre a ausência de uma "visão e de uma
liderança unificada palestina" para lidar com o
plano de Sharon.
Na introdução à entrevista, Abed Rabbo que preside
a PPC, disse:
“Existe alguns, nos círculos de liderança e de
oposição palestinos, que fecham os olhos às suas (do
plano de Sharon) perigosas e desastrosas
implicações, que se igualam em suas repercussões à
catástrofe (Nakba) do povo da Palestina em
1948, e que demandam tratá-lo sob o pretexto de ‘não
ser possível rejeitar a retirada [israelense] de
qualquer centímetro de terra palestina ocupada".
Abed Rabbo confirmou que o plano criou divisões nas
fileiras palestinas no mais alto nível.
O risco agora emana do fato de que "parte da
burocracia da Autoridade Nacional Palestina (ANP),
em particular de seu extrato superior, está atraído
pelos sonhos de repetir o que aconteceu no tempo de
sua criação em 1993 com respeito ao fluxo de ajuda e
projetos externos, e que lhe seria possível obter um
território onde poderia impor total soberania como
Estado", disse ao Attareek.
"Agora, nesses momentos que são os mais trágicos e
perigosos em nossa história moderna deste 1948, nos
falta uma visão unificada e uma liderança
unificada", uma situação sem precedentes, advertiu.
Elaborando, Abed Rabbo disse que apesar das crises e
turbulência na ANP e na OLP, "nós nunca enfrentamos
perigos similares com lideranças e fileiras
nacionais tão confusas e divididas como estamos
agora".
Para ilustrar essa conclusão, citou como exemplo a
ausência do comitê executivo da OLP e do
departamento de negociações da organização:
“Um órgão político que costumava discutir opções em
sua totalidade e tentava tratá-las de uma maneira
integrada e abrangente, como o comitê executivo [da
OLP],o departamento de assuntos de negociações e
outros órgãos similares e instituições coletivas não
mais existem ou foram esvaziados em seus papéis",
disse Rabbo.
Oposição procura
'participação’ na Nova Autoridade
Tornando pior uma situação má, algumas facções e
grupos antiocupação, "incluindo aqueles que declaram
ser mais resistentes e combativos que outros,
simplificam o assunto para anunciar que o plano de
Sharon sobre [a Faixa de] Gaza foi o resultado dessa
resistência e luta, e de acordo com isso desejam ser
parceiros na criação de uma nova autoridade, que não
seja limitada pelos compromissos de Oslo!"
“A posição deles", prosseguiu Rabbo, “é confinada ao
diálogo e barganha para assegurar participação (na
nova autoridade) e romper o monopólio do movimento
Fatah de sua maior parte”.
Ainda que reconhecendo que a luta nacional palestina
"foi um fato importante" a pressionar Sharon na
busca de uma solução e uma saída diferente da
"solução de segurança [militar]", Abed Rabbo disse
que é ainda muito cedo para concluir que Sharon
desistiu de suas armas criminosas tendo optado por
outro plano para marcar o início do fim da ocupação
israelense.
Sharon completando a "Guerra da Independência"
Abed Rabo citou a divisão das fileiras palestinas, o
apoio dos Estados Unidos a Sharon e as indiferenças
regional e internacional para concluir que o plano
do premier israelense "é o mais perigoso plano
político desde 1948 que tem uma chance real de ser
imposto sobre nós".
le recordou os leitores do Attareek que a "missão
básica de Sharon é completar a 'Guerra de
Independência' [de Israel], erradicando a existência
do povo palestino "através de um sistema integrado
de procedimentos estratégicos que tornariam
impossível para o povo palestino criar no futuro um
Estado em parte das terras entre o mar
[Mediterrâneo] e o rio [Jordão].
O
que restaria aos palestinos no melhor dos cenários
"seria algumas ilhas isoladas e cercadas”, disse
indicando que "isto quer dizer ... a gradual morte
[da existência do povo palestino] em todos níveis".
Sublinhando quão perigosa é a situação, Abed Rabbo
disse: “Nunca, em momento algum de nossa história
moderna, a expansão de colônias [israelenses] e um
plano [como o de Sharon] essencialmente hostil aos
nossos interesses nacionais, ganhou tal apoio dos
Estados Unidos, e com tal indiferença regional e
internacional, apesar do fato de que todas essas
partes sabem que [esse plano] não se trata do início
do fim da ocupação."
Sharon quer parceiro palestino na "implementação"
Abed Rabbo disse que "é inevitável" que Sharon
desejará um parceiro palestino na fase de
implementação de seu plano, mas não durante a fase
de sua aprovação.
"É decerto um plano unilateral, mas só durante seu
estágio de aprovação, isto é, durante o estágio do
planejamento do plano de Gaza. Por que? Porque
Sharon não quer um parceiro palestino que possa
negociar e barganhar com ele, e que possa recusar ou
pedir qualquer emenda ao disposto no seu plano".
Entretanto, durante a fase de efetiva implementação
do plano, é inevitável que ele [Sharon] queira então
um parceiro palestino, para tomas parte - ao menos
nas áreas administrativa e de segurança - na
implementação e, mais importante, que endosse
o plano" e renuncia a todas obrigações israelenses e
compromissos mútuos, apontou Rabbo.
Levando adiante seu ponto de vista, disse: "Ninguém
deve acreditar que é um processo unilateral até o
fim. Eles precisam de um 'parceiro' que implemente a
solução e não um parceiro que negocie previamente
uma solução".
Abed Rabbo confirmou que os palestinos apenas serão
parceiros se for para negociar.
" Francamente, nós não seremos parceiros para
quaisquer procedimentos de segurança,
administrativos ou mesmo econômicos, a não ser que
sejamos essencial e primordialmente parceiros
políticos, ou seja, que negociemos previamente a
solução em todos seus passos, o que deve incluir os
territórios em toda sua inteireza, até que
estabeleçamos um Estado em toda nossa terra dentro
das fronteiras de 1967, e não um Estado com
fronteiras de longo-prazo provisórias, consistindo
de cantões, incluindo o cantão de Gaza".
Conferência representativa de todos palestinos é necessária
Abed Rabbo instou por uma conferência representativa
de todos palestinos para forçar uma posição nacional
unificada contra o plano de Sharon.
“Provavelmente nós precisaremos de uma conferência
nacional envolvendo a mais ampla representação
nacional", disse completando: “Nós precisamos
desenvolver um consenso nacional sobre uma
resposta", para "decidir o que rejeitamos, que é a
solução parcial e unilateral, e o que
aceitamos, que é o fim da ocupação dentro do quadro
de uma solução abrangente que conduza à criação de
um Estado independente dentro das fronteiras de
1967".
(*) YASSER ABED RABBO é membro do Comitê
Executivo da OLP, co-autor da
Iniciativa de Genebra, e ex-ministro da Autoridade Palestina.
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Reprodução permitida com
os devidos créditos aos
autores, à
fonte, ao
PAZ AGORA/BR -
www.pazagora.org e aos
tradutores.
Os textos publicados visam subsidiar o diálogo
e
NÃO representam necessariamente
as posições do
Movimento PAZ
AGORA ou dos Amigos Brasileiros do PAZ
AGORA.
Estas são expostas nas seções "QUEM
SOMOS" e "POSIÇÕES"
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“O PIOR INIMIGO" DA PAZ ENTRE PALESTINOS E
ISRAELENSES É
"A PERDA DE CONFIANÇA"
- Entrevista com
YASSER
ABED RABBO
–
07/08/04 -
[ Miren Gutierrez -
www.itongadol.com.ar-
traduzido pelo
PAZ
AGORA/BR
]
Segundo Rabbo, " ...toda retirada dos Territórios
Ocupados é, por si, positiva. Mas na ausência de uma
verdadeira negociação entre Israel e os dirigentes
eleitos palestinos, uma retirada unilateral é uma
ferramenta de Sharon para perpetuar a ocupação
israelense na Cisjordânia.
Sharon deixou bem claro que este plano não envolve
nenhuma liderança palestina, porque, como afirma,
não há ninguém com quem falar do lado palestino. Tal
enfoque é uma receita para posteriores
enfrentamentos armados.
Sharon está enviando uma perigosa mensagem para o
lado palestino: a de que a violência compensa."
Rabbo sabe o que diz: é membro do Comitê Executivo
da Organização para Libertação da Palestina (OLP) e
co-promotor do
Acordo de Genebra
, um plano não oficial que se negocia
para lograr uma paz permanente entre israelenses e
palestinos.
Segundo esse plano, em troca da paz com Israel, os
palestinos ganhariam um Estado não militarizado e a
soberania sobre o Monte do Templo (com acesso para
os judeus a esse lugar sagrado), enquanto que Israel
manteria alguns assentamentos na Cisjordânia,
incluindo muitas das novas comunidades judias
erigidas na parte árabe de Jerusalém.
Em entrevista, Rabbo fala sobre Gaza, a crise na
Autoridade Nacional Palestina (ANP) e o terrorismo.
> O que o senhor. pensa sobre o plano do primeiro-ministro
israelense Ariel Sharon que prevê a retirada de
Gaza?
Y.R.
--Toda a retirada dos Territórios Ocupados é por si
positiva. Mas o plano de Sharon para uma retirada
unilateral de Gaza está concebido com uma série de
elementos destrutivos. Na ausência de uma verdadeira
negociação entre Israel e os dirigentes eleitos
palestinos, uma retirada unilateral segue sendo uma
ferramenta de Sharon para perpetuar a ocupação
israelense na Cisjordânia, pois ele deixou bem claro
que este plano não envolve nenhuma liderança
palestina, porque, como afirma, não há ninguém com
quem falar do lado palestino. Tal enfoque é uma
receita para posteriores enfrentamentos armados. Por
meio da retirada unilateral, Sharon está enviando
uma perigosa mensagem para o lado palestino: está
dizendo que a violência compensa.
> Há 2 anos existiam esperanças de que um processo de
renovação dentro da OLP teria dado mais
oportunidades de participação a políticos mais
jovens. Não só se congelou esse processo, mas também
parece haver uma luta pelo poder dentro da OLP,
entre Yasser Arafat e o primeiro-ministro Ahmed
Qurei. Esta situação é mais séria porque se
produziram protestos armados contra Arafat...
Y.R.--Não
obstante suas sérias ramificações para o povo
palestino, não estou de acordo em que estes fatos em
Gaza façam parte de uma luta pelo poder. A reforma
da ANP foi sempre uma demanda de várias facções do
povo palestino desde que a ANP foi criada em 1994. A
mais recente tentativa de começar um processo
genuíno de reformas dentro da ANP se produziu
durante o governo de Mahmud Abas, que ruiu porque o
governo israelense, pressionado por grupos belicosos
palestinos, suspendeu todas as conversações depois
de ataques realizados por esses grupos.
Sempre afirmamos que, como resultado dos ataques, a
suspensão das conversações só serve para dar a esses
grupos belicosos o poder de veto que, por sua vez
arruína todos os esforços de paz na região. O
governo israelense obviamente não está de acordo com
isto.
> Pese a oposição de ambas as partes, o
Acordo de Genebra
firmado em dezembro de 2003 teve um impacto
positivo no ambiente das negociações. Atualmente,
essas esperanças se desvaneceram?
Y.R--O Acordo
de Genebra nasceu da mútua
necessidade entre palestinos e israelenses de deter
o ciclo de violência e voltar à mesa de negociações.
O fato de que o Acordo, ou pelo menos seus
principais parâmetros, não tenham sido adotados ou
aceitos pelo governo israelense deu lugar a mais
enfrentamentos e a ulteriores baixas em ambos
os lados. Depois de ganhar apoio internacional,
estamos agora em meio a campanhas locais para
conseguir o máximo respaldo ao Acordo em ambas
partes da linha divisória.
“É um trabalho muito duro. Temos descoberto que a
gente de ambos os lados, ainda que apóie os
parâmetros e os princípios traçados no Acordo, ainda
está muito indecisa quanto a apoiá-lo, porque não
consegue enxergar mais além de seu sofrimento diário
e em direção a um futuro no qual um acordo de paz
firmado pelo governo israelense seja possível. O
pior inimigo que enfrentamos na atualidade é a perda
da confiança das pessoas num acordo negociado. Os
palestinos, aterrorizados pelas intermináveis
incursões e os ataques sem fim do exército
israelense, não podem jogar o papel de profetas da
paz quando suas vidas estão em constante perigo. O
mesmo é aplicável ao povo israelense”.
> O endurecimento do governo de Sharon, com a execução de
ataques aéreos e incursões terrestres, seguidos por
ondas de ataques suicidas, não têm feito muito para
pacificar a região. Mas, o que dizer do desengano ou
o fracasso da ANP para deter o terrorismo?
Y.R--Há
uma impressão equivocada em muitos países de que a
ANP não tem feito nada para deter os ataques contra
Israel. Isso é totalmente injusto. Quando prevalece
a paz entre as duas partes e elas parecem estar
logrando algum tipo de progresso, o papel da ANP na
mobilização de seu povo contra os grupos belicosos
se faz mais fácil. O contrário também é certo.
Quando a gente não vê esperança alguma no horizonte
e está sujeita quase diariamente a ataques,
incursões, assassinatos, demolições de casas,
confisco de terras e à construção do Muro de
Separação, então ela volta ao círculo vicioso da
violência e vingança. Nos últimos quatro anos os
aparatos de segurança da ANP e sua infra-estrutura
tem sido um alvo sistemático do exército israelense.
Atualmente, Israel se está comportando como o que
mata o mensageiro só para afirmar que não há
mensagem.
“Apesar disso, ainda cremos que a lei e a ordem têm um
interesse fundamental para os palestinos e por isso
estamos tratando, com nossos limitados recursos, de
trazer de novo a tranqüilidade e a estabilidade”.
> Qual é a sua opinião sobre as eleições
presidenciais nos Estados Unidos?
Y.R--Existe uma idéia amplamente equivocada entre muita gente,
para quem trocar o presidente dos Estados Unidos
significa automaticamente uma mudança na posição
estadunidense para o Oriente Médio. Pensamos que o
fluxo de acontecimentos dita as políticas dia-a-dia
adotadas por Washington no Oriente Médio, enquanto
mantém sua postura estratégica no conjunto. Sem
importar quem ganhe as eleições, o presidente George
W. Bush colocou os cimentos para (uma posição
de) qualquer futuro governo americano ao por ênfase
em sua visão sobre uma solução com Dois Estados -- o
israelense e o palestino - através da instrumentação
do Road Map para a paz.
" Esperamos que quem seja que ganhe as próximas eleições siga
esta perspectiva de futuro e a converta numa meta
estratégica do governo dos Estados Unidos. Esta
visão é muito mais importante do que tomar partido a
favor ou contra o governo de Sharon."
(*) YASSER ABED RABBO é membro do Comitê
Executivo da OLP, co-autor da
Iniciativa de Genebra,
e ex-ministro da Autoridade Palestina.
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