Iniciativa de Genebra

Líderes dos dois povos mostram que a

PAZ entre Israel e Palestina é possível AGORA

 

 

 

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Apresentação

YAEL DAYAN
 

PACIFISTA ISRAELENSE FAZ PALESTRA NA PUC-SP

 [Roberta Jovchelevich - Jornal da PUC-SP - www.pucsp.br – 03/07/04]

 

<I><FONT size=2>O embaixador da Autoridade Nacional Palestina,<BR>
Musa Odeh, ao lado de Yael Dayan, no Tuca</I></FONT>

Embaixador da Autoridade Palestina

ao lado de Yael Dayan no TUCA

A pacifista israelense Yael Dayan esteve no Tuca na noite  de 17/6, onde proferiu a palestra “Dois Estados para Dois Povos”. Vice-prefeita de Tel Aviv, ela veio a São Paulo participar do evento Urbis 2004, a convite da prefeitura paulistana.

Ex-deputada do Knesset (parlamento israelense), Yael é  filha do general Moshe Dayan, ministro da Defesa na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que definiu as atuais fronteiras do Estado judeu. Yael, no entanto, defende a saída dos territórios ocupados e a convivência pacífica com o povo palestino, proposta que integra a Iniciativa de Genebra,   da qual é uma das promotoras. "Paz e ocupação são auto-excludentes. Espero que haja negociações, mas não enquanto houver colônias e assentamentos."

Yael Dayan integra o MOVIMENTO PAZ AGORA, a Rede de Mulheres pela Paz (Conexão Jerusalém) e a Coalizão pela Paz no Oriente Médio. Recebeu o Prêmio de Direitos Humanos Bruno Kreisky (1991) e o Prêmio para a Paz Olof Palme (1998). É autora de oito livros e uma das fundadoras do partido social-democrata Yahad.

Aproveitando sua passagem pela capital, os integrantes dos movimentos pacifistas internacionais Portas Abertas e PAZ AGORA promoveram o encontro na PUC-SP, do qual também participou o embaixador da Autoridade Nacional Palestina, Musa Odeh. Foi, aliás, a primeira reunião na cidade entre uma liderança israelense e uma liderança palestina.

Em seu curto discurso, Odeh agradeceu a oportunidade de participar do evento ao lado "de uma grande mulher que trabalha pela paz e por nobres objetivos". Em seguida, acrescentou: "É preciso colocar um fim na ocupação israelense. Nós temos que viver juntos para sempre, a despeito de ser uma área muito pequena, mas que pode conter os dois povos".

Leia a seguir os principais trechos da enfática fala de Dayan, constantemente aplaudida pelo público presente (cerca de 200 pessoas).

Fanatismo religioso

"O Oriente Médio deve voltar a ser o berço das civilizações, aquilo que foi no passado. E isso é impossível enquanto houver fanáticos dos dois lados: uns usam palavras; outros, bombas; e outros, pedras. Mas o resultado é o mesmo."

Terrorismo

"O terrorismo não é parte da solução racional para se chegar a um acordo, porque quem o apóia não é a favor do Estado de Israel. Ninguém do Hamas e do Jihad fala em dois Estados, o embaixador Odeh fala. O Hamas e o Jihad falam no aniquilamento de Israel."

Muro na Cisjordânia

"Em Israel, lutamos contra o muro; ao se fazer o mal, não se consegue fugir do mal que se quer evitar. As bombas vêm das fronteiras de 1967 e a muralha não vai mudar isso."

Dois Estados

"As forças armadas de Israel não impedirão o Estado palestino. Dois Estados para dois povos será o preço mais barato que poderemos pagar. Espero voltar a São Paulo com uma boa nova."

COPYFREE :   Reprodução permitida com os devidos créditos aos autores, à fonte, ao PAZ AGORA/BR - www.pazagora.org . Os textos publicados visam subsidiar o diálogo e NÃO representam necessariamente as posições do Movimento PAZ AGORA ou dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA. Estas são expostas nas seções "QUEM SOMOS" e "POSIÇÕES" do site www.pazagora.org

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YAEL DAYAN:

SHARON FRACASSA NO DIÁLOGO

[ Bianca Kestenbaum Banai - Folha Online  -  03/07/04 ]

É claro que a morte de Rabin sinalizou uma mudança de rumo, somando a intifada ... e o fracasso do governo Barak. A pergunta não é por que [os israelenses] não votam na esquerda; e, sim, por que votam na direita? Por que esta histeria em apoiar a direita, o racismo e o golpe nas camadas mais baixas da sociedade? Por que os mais fracos votam justamente em quem os prejudica? A esquerda existe e agora está tratando das feridas após o assassinato de Rabin. A esquerda tem um programa positivo de diálogo.

יעל דיין  Xclique na foto e ouça YAEL DAYAN

Neste domingo (6), o Knesset (Parlamento de Israel) votará o plano de desocupação total de Gaza e parcial da Cisjordânia proposto pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.

O plano original de Sharon, rejeitado por seu partido, o Likud [direita], previa a retirada de 7.500 colonos judeus de Gaza e o desmantelamento de alguns assentamentos na Cisjordânia. A nova proposta é uma versão bem atenuada, mas enfrenta resistência de partidos e grupos contrários a qualquer concessão aos palestinos, especialmente sem uma contrapartida.

"Se o plano de Sharon for aprovado neste domingo, então é preciso iniciar a desocupação imediatamente. Não se pode esperar que tenha mais um atentado terrorista para sair de Gaza", afirma a vice-prefeita de Tel Aviv e líder do movimento pacifista
PAZ AGORA, Yael Dayan.

A pacifista considera haver parceiros para discussão do outro lado [palestino], mas como Sharon não consegue se entender com ninguém, ela concorda que a saída seja unilateral e imediata.

Filha do general e ex-ministro da defesa de Israel Moshe Dayan, a ativista desembarca no próximo dia 15 no Brasil. Ela é uma das autoridades estrangeiras a participar do encontro internacional de cidades - Urbis 2004 [congresso internacional de cidades promovido pela prefeitura de São Paulo], que acontece entre os dias 14 e 18 no Expo Center Norte, em São Paulo.

Dayan apóia a retirada total dos assentamentos israelenses em Gaza e na Cisjordânia de forma unilateral, apesar de afirmar que há palestinos interessados no diálogo e num esquema de paz com Israel.

Escritora, jornalista e membro da Parlamento israelense durante três mandatos, Dayan passará dois dias em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Além da palestra sobre: "limites e perspectivas para o desenvolvimento das cidades e regiões metropolitanas", no dia 16, ela foi convidada e aceitou fazer palestra na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e se encontrar com lideranças da comunidade judaica.

Aos 65 anos, Dayan trabalha na prefeitura da maior cidade de Israel [Tel Aviv] além de atuar em diversos movimentos pacifistas, feministas e de homossexuais.

Em meio a viagens pelo exterior para divulgar suas idéias pela paz e do plano alternativo de Genebra (Suíça), Dayan, que fala cinco idiomas [hebraico, inglês, espanhol, francês e grego] concedeu entrevista exclusiva à Folha Online, em hebraico.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Folha Online - A senhora pode nos adiantar qual enfoque vai dar sobre Tel Aviv, na sua palestra na Urbis 2004?

Dayan:É um encontro muito importante e vou falar sobre muitos problemas sociais da cidade. É uma metrópole que atrai muita gente e por isto tem mais trabalhadores estrangeiros, mais imigrantes, problemas de drogas, prostituição e uma grande comunidade homossexual. Tudo é maior em Tel Aviv por se tratar de uma cidade grande, aberta e liberal. Há também problemas de bem-estar mas não é, se comparada por exemplo a Jerusalém, uma cidade pobre.

Acredito que podemos dar exemplo em muitos assuntos, como os programas modernos de atendimentos às crianças, menores e na educação além de programas especiais que tratam da violência na família, de deficientes, de forma profissional.

Folha Online - Sobre a política de Israel e o governo do premiê Ariel Sharon, a senhora acha preferível desocupar os territórios de Gaza de forma unilateral ou procurar parceiros para o diálogo?

Dayan-Há um programa, há com quem falar do lado palestino. Podemos ir direto a um esquema final. Mas nós não temos um governo que quer isto e o governo Sharon não é um parceiro para o diálogo. Do outro lado [palestino], sim, há parceiros. E, por isto, nós apoiamos qualquer iniciativa unilateral.

Folha Online - Mas o governo Sharon argumenta que não há com quem conversar do lado palestino...

Dayan- Ok. Então eles [membros do governo] fazem o que querem.

Folha Online - O jornal "Maariv" publicou ontem uma pesquisa na qual Sharon recebe apoio de 61% dos partidários do Likud [direita] e 51% de toda a população. O que a senhora pensa sobre estes números?

Dayan- Bem, o plano de Sharon é um programa mínimo, mas é claro que a população quer que algo aconteça. As pessoas não aceitam mais serem reféns dos colonos. Este apoio não me causa surpresa. Há inclusive números ainda maiores de israelenses que querem a desocupação total dos assentamentos.

Folha Online Mesmo com este apoio popular, Sharon se encontra numa "guerra de sobrevivência". Ele não consegue ir adiante com seu plano que já foi rejeitado no referendo realizado com seus partidários...

Dayan- Este plebiscito dentro do Likud foi um grande erro. Não teve nenhuma validade e não dá legitimidade a nada.

Folha Online - Mas o resultado conseguiu paralisar o andamento do plano de retirada dos territórios...

Dayan- Bem, ele precisa receber autorização para o plano. Ele viu que não tinha apoio da maioria do governo então optou pelo plebiscito, pensando que venceria. Ele tem de aproveitar o apoio da maioria dos parlamentares e levar adiante a idéia.

Folha Online - Sem qualquer esquema, os palestinos lançam foguetes Qassam, de fabricação caseira, em cidades israelenses e continuam com os atentados. O que acontecerá após a retirada das forças militares de Israel que atualmente ocupam Gaza? A ameaça aumentará?

Dayan- A intenção é parar isto e acredito que a ameaça diminuirá. Eu apóio a retirada de todos os territórios ocupados por Israel [Gaza e Cisjordânia], fazer acordo e implantar um Estado palestino. Sem isto, é óbvio que o terror não vai acabar.

Folha Online - A senhora é uma das líderes da iniciativa de Genebra [plano alternativo de paz redigido por israelenses e palestinos e lançado há cerca de cinco meses]. Por que este programa saiu da pauta diária em Israel e não se vê nenhum avanço sobre o assunto?

Dayan- Para aonde ele precisa avançar? O avanço é no sentido de divulgá-lo e para receber apoio da população. Nós realizamos palestras e eventos diariamente em diferentes cidades com este objetivo. Na manifestação que reuniu mais de 100 mil pessoas em Tel Aviv, há duas semanas, nós fomos dominantes. Por meio do site na Internet, pode-se ver atividades diárias promovidas pelos líderes israelenses e palestinos. Este é o nosso programa, nosso trabalho: passar por todo o país e divulgar esta idéia.

Folha Online - O plano não tem reconhecimento dentro no governo nem no Knesset (Parlamento israelense) e os partidos de oposição ao governo estão em minoria. O que aconteceu com a esquerda?

Dayan- Esta é uma pergunta muito geral e quase demagógica. O que se pode responder? O que você acha que aconteceu?

Folha Online - Algo foi perdido no meio do caminho depois da morte do ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin, assassinado em 1995 por um extremista judeu, e principalmente após a renúncia de Ehud Barak que acabou resultando na volta da direita ao poder?

Dayan- É claro que a morte de Rabin sinalizou uma mudança de rumo, somando a intifada [revolta palestina contra a ocupação israelense] e o fracasso do governo Barak. A pergunta não é por que não votam na esquerda; e, sim, por que votam na direita? A resposta se encontra aí. Por que esta histeria em apoiar a direita, o racismo e o golpe nas camadas mais baixas da sociedade? Por que os mais fracos votam justamente em quem os prejudica? A esquerda existe e agora está tratando das feridas após o assassinato de Rabin. A esquerda tem um programa positivo de diálogo e que não se modificou na sua base nos últimos anos.

Quanto a votação que a direita recebe, não digo que o Arafat é responsável (Iasser, presidente da Autoridade Nacional Palestina), mas não é absolutamente errado que aqui o terror trocou o programa político, uma reconciliação ou esquema. E isto é muito confortável para a direita. Ela não tem plano político e não é exigida por isto. Até porque não conseguem nada. A direita é exigida quanto a problemas de segurança.

Folha Online - Por que os israelenses votam em Sharon, apóiam o plano de retirada, desprezam a esquerda, mas no fundo estão confusos já que não acreditam que algo vai mudar?

Dayan- Na eleição, eles [israelenses] vão às urnas e votam em Sharon. As pessoas falam que não sabem, ficam indecisas e dizem não saber em quem votar até que uma urna é aberta e a maioria vota em Sharon. Isto não é confusão, votar é uma escolha que, sem dúvida, mexe com a vida de todos. Isso não pode continuar para sempre. Afinal, o que é não fazer nada? O que tem de ser feito é desocupar os territórios e, até que este processo não seja iniciado, não somos parceiros para nada. Essa cena gera grande apoio à retirada. As pessoas não são burras e querem ver a primeira família sair de Gaza e entrar no território israelense com suas crianças, com seus pertences, e, neste momento, nós [a esquerda] temos de voltar ao quadro político com toda a força.

Folha Online O que a senhora pensa sobre o apoio egípcio?

Dayan- Vem um pouco tarde, mas não é um jogo. Eles também estão sendo pressionados como nós, pelos americanos e por países europeus.

Folha Online - A senhora concorda com a idéia que propõe o fechamento da fronteira entre Israel e Gaza, obrigando, neste caso, a saída dos palestinos através do Egito e ao governo egípcio a responsabilidade pelo povo palestino?

Dayan- Por que eles deveriam sair pelo Egito? Nós ocupamos o lugar durante tantos anos. Antes de mais nada eles não são egípcios e também não há motivo algum para os egípcios aceitarem isso. O Egito não quer nenhum papel, o que desejam é ter boas relações com os Estados Unidos e Europa. Eles farão o mínimo pois não nos suportam nem gostam dos palestinos.

Folha Online Que tipo de recepção a senhora espera encontrar no Brasil com relação as suas idéias esquerdistas?

Dayan- De um modo geral, os judeus brasileiros se identificam com a esquerda israelense, mas a comunidade judaica é problemática. Eles não aceitam o que não é de consenso. Eu espero que me escutem, que tenha imprensa que explique as coisas, mas sei que não tenho "cartão de entrada gratuita" dentro da comunidade judaica do Brasil. Não é confortável para eles as críticas ao governo israelense, mesmo que concordem comigo.  

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  ISRAEL NÃO ESTÁ EM PERIGO ...

... NOSSA IMAGEM E NOSSA DEMOCRACIA, SIM

 - Palestra de YAEL DAYAN na Bnai Brith, promovida pelos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA  -

[ São Paulo, 18/06/2004 ]

- Excertos transcritos por Lia Bergmann e Moisés Storch  -

A Paz Possível: Dois Estados para Dois Povos

Quando se fala do processo de paz [entre Israel e os palestinos] é preciso diferenciar o que sonhamos como ideal e o que é possível. Há, por exemplo, os que sonham com o Grande Israel, do Eufrates ao Nilo. No entanto, se na realidade o Estado de Israel quer ser aceito pelas nações, tem que se conformar às leis internacionais.

Há uma tragédia no Oriente Médio. Os palestinos e os israelenses reclamam o direito a um mesmo pedaço de terra. Este conflito precisa ser resolvido com justiça e legitimidade internacional.

Nem o Estado de Israel, que é muito forte, pode se apossar de toda terra pela força, e nem os palestinos conseguirão obter seu país pela violência, varrendo Israel do mapa.

A única solução consiste em dois Estados lado a lado, convivendo em paz. Esta solução asseguraria a existência de um estado judaico democrático em Israel, pois, do contrário, em breve os árabes se tornariam maioria num pretenso estado judeu entre o Jordão e o Mediterrâneo.

Enquanto persistir a ocupação de Gaza e da Cisjordânia,  não haverá paz. Além do aspecto moralmente inaceitável da ocupação, ela se transformou em um ninho de fomento ao ódio, à guerra, ao terrorismo, e de tudo o que é contra a paz.

Assim o primeiro passo para a paz seria a criação de um Estado palestino ao lado de Israel. Há que se separar os dois povos, tão machucados por anos de violência e raiva, para num passo posterior fomentar a boa vizinhança e a cooperação regional, que se espera de vizinhos que vivem em paz.

Processo de Paz

O Road Map, promovido pelo Quarteto [Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU], foi aceito por todas as partes, inclusive pelos governos de Israel e da Autoridade Palestina. A Iniciativa de Genebra, da qual participo pessoalmente, não conflita com o Road Map mas é complementar a ele, representando um avanço ao abordar detalhadamente aspectos críticos, como a questão dos refugiados, a divisão de Jerusalém, o retorno às fronteiras anteriores à 1967 com modificações mutuamente acordadas.

Existem muitos interlocutores confiáveis do lado palestino, o que em minha opinião não inclui Arafat, que ao meu ver está comprometido com o terror. Está comprovado que ele assinou cheques beneficiando o terrorismo. A maior parte dos palestinos quer a solução de dois Estados, mas hoje são reféns dos movimentos terroristas extremistas. E, sem querer fazer qualquer comparação, de certa maneira Israel também é refém de colonos extremistas, que ameaçam detonar uma guerra civil.

Nunca vamos ter paz se o futuro for colocado na mão de suicidas ou de radicais. O Road Map propõe um esforço conjunto de israelenses e palestinos, e com a ajuda do resto do mundo, o terror terá fim. Mas, para isto, os palestinos precisam enxergar uma luz no fim do túnel, precisam de uma esperança.

Sair de Gaza, AGORA e Começar o Fim da Ocupação

Neste sentido, a retirada de Gaza seria uma demonstração de que Israel está disposto a um gesto significativo rumo à paz. Os partidos israelenses de oposição apoiarão a proposta do primeiro ministro israelense Ariel Sharon para a retirada de Gaza, pois é preciso ser realista e este seria um importante passo para que haja paz no futuro.

Não quero meus filhos tomando conta de outro povo e parando ambulâncias nos checkpoints com medo de que estejam sendo usadas por terroristas. Nossa existência não está em perigo, Israel é muito forte, mas a nossa imagem, a nossa democracia, os nossos valores, estes sim correm perigo. Queremos ter uma vida normal, não de luta sem fim.

Sou otimista quanto ao futuro. Não acho que será fácil e nem que a paz se concretize logo. Porém acredito na possibilidade de convivência de dois Estados: Israel, judeu e democrático e outro palestino, sem terrorismo, que com a ajuda de Israel, dos palestinos ricos e de todo o mundo, poderá construir uma infra-estrutura capaz de absorver os palestinos dos campos de refugiados do Líbano, Síria e da Jordânia.

Com isso, os israelenses poderiam ter melhor qualidade de vida, usufruindo o que construíram nestes 55 anos, como, por exemplo, o melhor sistema educacional do mundo, e continuando a absorver novos imigrantes, como sempre o fez sempre com os judeus de todo o mundo quando estes enfrentam situações de perseguição, incluindo os que foram expulsos de países árabes.

É fácil dizer: "não saiam da Cisjordânia", ou repetir chavões como "todos os palestinos são terroristas" ou "que não há com quem conversar", quando se está fora de Israel. De longe, o panorama parece muito diferente. Mas toda a comunidade judaica do mundo inteiro tem que ser militante a favor da Paz. 

COPYFREE :   Reprodução permitida com os devidos créditos aos autores, à fonte, ao PAZ AGORA/BR - www.pazagora.org  e aos tradutores. Os textos publicados visam subsidiar o diálogo e NÃO representam necessariamente as posições do Movimento PAZ AGORA ou dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA. Estas são expostas nas seções "QUEM SOMOS" e "POSIÇÕES" do site www.pazagora.org

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  YAEL DAYAN:

 “ É PRECISO BUSCAR FORMAS DE ENCERRAR O CONFLITO ENTRE ISRAELENSES E PALESTINOS

 -  Entrevista de Yael Dayan (*) por Kety Shapazian -

[ Diário do Comércio - http://net.dcomercio.com.br - 16/06/2004 ]

O conflito entre israelenses e palestinos não deveria ser visto como uma briga entre duas crianças, como quem começou e de quem é a culpa. Devemos descobrir como encerrá-lo. Não importa quem começou e também não é uma questão sobre de quem é a culpa.  Podemos e devemos fazer muito mais, pois as pessoas estão atentas, e com seus básicos sensos de justiça, sabem que estamos certos. Os sensíveis e sábios irão se juntar a nós. Queremos o acordo total e acreditamos que há um parceiro para a paz.

Sobre o pai dela, Moshe Dayan, o atual primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, um dia disse: Moshe Dayan acordava com 100 idéias na cabeça. Noventa e cinco eram perigosas, três eram ruins, mas duas, entretanto, eram brilhantes. Filha do lendário ministro da Defesa, Yael Dayan seguiu os passos do pai ao ingressar na política. Porém, ela diz não ter sido influenciada pela herança política de Moshe Dayan. Formada em Política Social e em Biologia, Yael credita à guerra no Líbano – Israel invadiu aquele país em 1982 – seu interesse pela política. "Era impossível não se envolver", disse, por telefone ao Diário do Comércio, a vice-prefeita de Tel-Aviv.

Além de vice-prefeita, Yael Dayan – que é jornalista há 30 anos e autora de oito livros –, ajudou a fundar o mais novo partido político de Israel. Em novembro de 2003, a frente pacifista Meretz e o movimento social-democrata [Shahar], dirigido pelo ex-ministro trabalhista, Yossi Beilin – principal participante do Acordo de Genebra –, se fundiram em um único partido chamado Yahad. O pacifista Beilin se separou do Partido Trabalhista junto com Yael Dayan, em dezembro de 2002, ao fracassar nas eleições internas com vistas às gerais de janeiro de 2003.

Acordo de Genebra

A base do Yahad (Juntos, em português) é o Acordo de Genebra . "Nós queremos o acordo total e acreditamos que há um parceiro para a paz", disse a filha do general, dois dias antes do Parlamento votar e aprovar a retirada das tropas israelenses da faixa de Gaza até o final de 2005. Ex-membro do Knesset (Parlamento) de 1992 a 2002, Yael chega a São Paulo a convite do grupo Amigos Brasileiros do PAZ AGORA para a Urbis 2004 – 3ª Feira e Congresso Internacional de Cidades –, onde faz palestra hoje.

Para a avó de Alma e Yasmin, apenas Sharon conseguirá remover algum colono da faixa de Gaza ou da Cisjordânia. "O Partido Trabalhista nunca conseguiu. Nós certamente não conseguiremos. Só a direita, mesmo". Ela vê o plano de retirada unilateral como um passo "simbólico", importante para mostrar aos palestinos que a saída é possível. "Quero ver um ônibus, caminhão ou carro retirando a primeira família e os trazendo de volta a Israel porque, até agora, nada foi evacuado", diz.

Como encerrar?

Yael acha que o conflito entre israelenses e palestinos não deveria ser visto como uma briga entre duas crianças, como quem começou e de quem é a culpa. "Devemos descobrir como encerrá-lo. Não importa quem começou e também não é uma questão sobre de quem é a culpa".

Além da atuação na política, Yael Dayan participa de diversos movimentos pacifistas e já recebeu condecorações pelo trabalho desenvolvido na busca pelo entendimento entre israelenses e palestinos. A revista francesa "L'Express" cita a filha de Moshe Dayan como uma das 100 mulheres mais influentes no mundo.

(*) YAEL DAYAN, vice-prefeita de Tel Aviv/Yafo recebeu como homenagem aos seus esforços pela paz entre os povos do Oriente Médio, uma réplica do "Marco da Paz" erigido no Páteo do Colégio, oferecida pela Associação Comercial de São Paulo.

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