Antes que o Consenso Acabe - LILY GALILI


Oito anos de foguetes Qassam aproximaram a população mais ampla de Israel dos moradores do sul. Suas histórias são familiares, e a sensação de agressão por tê-las ignorado por tanto tempo, pesa em suas consciências...

 
Antes que o Consenso Acabe
 
LILY GALILI - Haaretz 13|01|09
- traduzido pelo PAZ AGORA|BR -
 
À medida que a guerra em Gaza é realizada à sombra da repetição dos equívocos da segunda guerra do Líbano, uma lição pode ser tirada daquela experiência - acabar a guerra, antes que o consenso que o apóia rache. 
 
Assim como é importante reabilitar a imagem do exército e os sentimentos na retaguarda de que desta vez o país não está abandonado ao destino, acabar a guerra enquanto ainda existir amplo apoio para ela seria um passo para corrigir o passado.
 

O consenso é um poderoso componente da força nacional, e mantê-lo é valioso por si. Fazer esforços para mantê-lo não é uma expressão de fraqueza, mas de sabedoria, não menos que considerações sobre a capacidade de resiliência do front interno ou de perspectivas sobre objetores de consciência entre soldados. Todos esses evoluíam para pontos básicos sobre os quais os líderes tomam decisões importantes.
 
Para manter-se um acordo amplo, não será possível continuar combatendo por muito tempo, e as rachaduras no consenso estão aumentando. Se manifestações de rua são medidas importantes dele, se a objeção ao serviço militar (mesmo aos olhos de seus opositores) é uma medida de legitimização da guerra, a guerra de Gaza até agora foi vista como um conflito bem diferente das anteriores. Aincda é, acima de tudo uma guerra pessoal, difícil de se recusar a lutar. Mas, deve-se enfatizar a expressão "até agora".
 
A condenação pública à guerra revelou que os primeiros protestos na rua, talvez como lição do Líbano, chegaram bem mais cedo e bem maiores. Como sempre, a primeira a sair às ruas foi a esquerda radical, com muitos cidadãos árabes. A guerra brutal movida contra a população palestina de Gaza é para eles uma guerra contra parentes próximos. Isto torna a guerra uma tema ainda mais pessoal do que a do Líbano.
 
Esta sensação de ser "pessoal". porém, também faz com que se limitem as críticas. Mesmo os sionistas de esquerda enxergam esta guerra de uma maneira pessoal. Oito anos de foguetes Qassam aproximaram a população mais ampla de Israel dos moradores do sul. Suas histórias são familiares, e a sensação de agressão por tê-las ignorado por tanto tempo, pesa em suas consciências.
 
Este sentimento ficou evidente na manifestação diante do Ministério da Defesa, organizada pelo PAZ AGORA na noite do sábado passado. Muitos dos participantes estavam perturbados pela pequena reação da esquerda sionista, e muitos expressaram desconforto com o sua própria presença num protesto com o qual não se identificavam plenamente.
 
E existem os alienados, os apáticos, que ficam de fora diante dos horrores que tempos atrás levaria massas para as ruas.
 
"Vingança não é uma forma de operar", escreviam ativistas do movimento "Courage to Refuse" no 12º dia da guerra. Mesmo que estejam certos, não há dúvida de que o sentimento de vingança é uma força que une os manifestantes.
 
Neste contexto, é apropriado observar que apestar da entrada de reservistas, ainda não houve nem um único objetor de consciência até ontem. Na segunda guerra do Líbano, o primeiro refusenik apareceu no 2º dia de operação. Mesmo refusenikis veteranos admitem que esta guerra é diferente, com a mesma entonação que o governo o apresenta como uma guerra necessária.
 
Mas esta sensação está se dissipando. Mesmo se o o consenso começar a erodir lentamente, crescem as preocupações de que considerações eleitorais estão influenciando os nossos líderes, entre pensamentos que possa hava uma alternativa que valha a pena examinar. Não precisamos esperar que o consenso acabe após um alto custo em vidas humanas. As mudanças que se sente no ar são suficientes para repensar o avanço em Gaza.
 
 

© PAZ AGORA|BR

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