Por Que, Após 8 Anos, Israel Não Respondeu à Iniciativa Árabe de Paz?

O que diríamos se os árabes tivessem ignorado uma iniciativa de paz israelense por mais de oito anos? O que teríamos escrito se, em todo esse tempo, a liderança palestina não tivesse feito nem mesmo uma discussão sobre a nossa iniciativa? Quantos israelenses, incluindo estudiosos membros do mundo acadêmico, sabem o que está escrito no primeiro documento pan-árabe e pan-islâmico a propor o reconhecimento de Israel e a normalização de suas relações com o país?

 

SIM À PAZ! NÃO À VIOLÊNCIA

SIM À PAZ! NÃO À VIOLÊNCIA

O Professor Yoram Meital, presidente do ‘Chaim Herzog Center for Middle Eastern Studies’ na Universidade Ben-Gurion do Neguev, que nesta semana abriu na universidade uma conferência abrangente sobre a iniciativa e sua implicações políticas e regionais, disse que esta seria a primeira conferência internacional que a academia israelense realizaria, até hoje, sobre o plano de paz árabe.

Pela primeira vez, representantes da Cisjordânia, Egito e Jordânia sentaram numa mesa redonda com colegas israelenses e conversaram sobre a natureza da iniciativa de paz. É óbvio que os convidados da Universidade de Belém, da mídia egípcia e da Universidade de Amã vieram a Be’er Sheva para tentar entender o porquê dos judeus, considerados um povo inteligente (ninguém se preocupou em desmentir isto) estavam perdendo uma rara oportunidade de por um fim ao seu infindável conflito e ao mesmo tempo enfraquecer o Hezbolá e isolar o Irã.

A Coalizão de Madri para promover o plano árabe realizou recentemente uma reunião em Antalya (antes do incidente da flotilha) que incluiu representantes da Arábia Saudita, Israel, Autoridade Palestina e Jordânia. O Prof. Elie Podeh da Universidade Hebraica de Jerusalém esteve lá, junto com o deputado Meir Sheetrit (Kadima ).

Podeh disse que Sheetrit, apoiador de primeira hora da iniciativa, não foi capaz de convencer seus colegas de partido a adotá-la como base para negociações com seus vizinhos. O Ministro Avishay Braverman (Avodá) convocou na semana passada a sua bancada parlamentar para demandar do primeiro-ministro que Israel se prepare para iniciar negociações diretas com os árabes com base na iniciativa.

O jornalista Samir Ratas, palestino que vive hoje no Egito, trouxe à conferência uma mensagem para Israel: “A Iniciativa de Paz não é parte de um plano árabe para destruir Israel, nem é uma emboscada. Há muitos anos os árabes reconheceram a sua existência”. Ratas partiu com duas perguntas na mente:

1. “Quantos anos mais teremos que esperar até que vocês entendam que esta Iniciativa é uma opção estratégica”?; e

2. “Quantos anos vocês pensam que a Iniciativa ficará esperando por vocês”?

 

[ Original do Haaretz 22|06|2010 – traduzido pelo PAZ AGORA|BR ]

Comentários estão fechados.