Democracia israelense em perigo | editorial do Washington Post


Estamos com Tel Aviv !

 

Nós estamos com Tel Aviv

“Combatamos o terrorismo como se não houvesse Processo de Paz,  e

empenhemo-nos pela Paz, como se não existisse terrorismo!”

[ Yitzhak Rabin z’l ]

 


A democracia de Israel está em perigo

The Washington Post

Israel, país cercado não apenas por ameaças a sua existência, mas também por governos e movimentos que praticam a tirania, é uma sociedade teimosamente livre.

Mesmo que a sua democracia seja imperfeita e inquieta, seu compromisso fundamental tem sido mantido durante anos de conflito intenso.

Este compromisso é a razão precisa pela qual o parlamento israelense deve rejeitar uma legislação  em trâmite que estigmatizaria ONGs que recebem fundos do exterior.

A proposta reflete o tipo de tática que Rússia e China têm usado para esmagar seus dissidentes. Não se coaduna com os valores essenciais de Israel como Estado democrático.

Os defensores da paz em Israel não seremos silenciados!

Os defensores da paz em Israel não seremos silenciados!

A lei proposta, apresentada pela Ministra da Justiça  Ayelet Shaked, foi aprovada por um comitê do gabinete em 27|12 e enviada ao Knesset, onde será submetida a mais debates e votações. Aplicar-se-ia àquelas organizações que recebem mais de metade dos seus fundos de “entidades de governos estrangeiros”.

Tais grupos deveriam se identificar como principalmente financiados do exterior em qualquer comunicação pública e na suas interações com autoridades de governo. E teriam que relacionar suas fontes de fundos em relatórios.

Membros desses grupos também teriam que vestir um crachá com seu nome e o da organização,  quando presentes no parlamento.  obrigatoriedade que já é válida para lobistas, Violações poderiam resultar em multas altas.

A ministra Shaked anunciou a legislação como contribuição para maior transparência. Mas esta não é a verdadeira agenda.

Na verdade, a lei objetiva deslegitimizar grupos progressistas em Israel que , há muito tempo, defendem direitos humanos e se opõem à colonização judaica na Cisjordânia, tais como o PAZ AGORA, B’Tselem, o New Israel Fund e outros.

A realidade é que muitos desses grupos progressistas dependem dos fundos de organizações estrangeiras. A lei os forçaria a carregar um rótulo desagradável que poderia sugerir conflitos com os interesses de Israel.

Milhões de dólares também estão sendo enviados a Israel em apoio a causas da direita, como atividades de assentamento, mas esse dinheiro vem, na maior parte, de doadores individuais e não são cobertos pela lei.

AS ONGs israelense já são obrigadas, pelas leis vigentes, a apresentar relatórios abertos sobre as suas fontes de fundos. Portanto, o único efeito da nova lei seria forçar as organizações progressistas a vestir um crachá público numa forma odiosa,

O presidente Vladimir Putin, da Rússia, obrigou ONGs a se registrar como “agentes estrangeiros”, como se fossem inimigos do Estado. Na China, as novas restrições sobre ONGs irão proibir apoio do exterior e assegurar sua fiscalização por aparelhos de segurança. Em ambos os casos. o propósito é silenciar dissidentes. Serviços valiáveis serão negados a pessoas que deles precisam.

Israel não pode permitir-se alinhar com tais regimes.

A democracia de Israel sempre foi um pilar de força, através de anos de cerco. Não é sempre fácil tolerar ou defender grupos que criticam o Estado ou aqueles no poder. Mas permitir a eles que funcionem normalmente é um importante teste da democracia.

 

[ Editorial do Washington Post publicado em 02|01|2015 e traduzido pelo PAZ AGORA|BR]

 

 

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