Administração Civil quer apreender aproximadamente 1,8 milhões de m² no sítio arqueológico de Sebastia

RELATÓRIO EXTRA | 19.11.2025
EQUIPE DE MONITORAMENTO DE ASSENTAMENTOS DO PAZ AGORA | 19.11.25
tradução PAZ AGORA/BR www.pazagora.org
A Administração Civil – órgão do Ministério da Defesa de Israel encarregado de gerir os Territórios Ocupados – anunciou sua intenção de apreender cerca de 1.800 dunams [cada dunam equivale a mil m²] no sítio arqueológico de Sebastia — a maior apropriação de terras para antiguidades já registrada, adjacente às casas da vila e à Área B, afetando milhares de dunams de olivais de propriedade privada de palestinos.
Em aviso público, a autoridade afirmou que planeja expropriar o sítio arqueológico de Sebastia ‘para desenvolvimento e prepará-lo para visitação pública’.’ A mudança é altamente incomum, tanto pela localização do local quanto porque é realizada sob uma ordem administrativa para antiguidades.
O plano apreenderia quase 1.800 dunams pertencentes às vilas palestinas de Burqa e Sebastia, incluindo milhares de oliveiras. A terra é de propriedade privada e registrada no registro de terras por proprietários palestinos. Moradores e proprietários de terras receberam 14 dias para apresentar objeções tentando impedir que a ordem entre em vigor. O governo também destinou [quantia equivalente a] mais de 40 milhões de Reais para o desenvolvimento do local de Sebastia.
PAZ AGORA >
“A busca do governo israelense pela desapropriação e anexação não tem limites, e está disposto a violar abertamente o direito internacional para persegui-la.
Isso faz parte de um esforço mais amplo para tomar o controle e expandir os assentamentos em áreas a noroeste de Nablus que Israel evacuou durante o desengajamento [da faixa de Gaza em 2005, quando foi decretada pelo governo Sharon a proibição estrita de assentamentos judeus na região evacuada] .
Sebastia é um sítio histórico localizado dentro de uma vila palestina, parte de sua história e de um futuro Estado Palestino. Sob os Acordos de Oslo, assinados por Israel, ele deveria ter sido transferido para a administração palestina já há muito tempo. A ganância do governo israelense prejudica não apenas os proprietários de terras, mas também a perspectiva de uma solução pacífica que defenda os direitos e a herança de ambos os povos.”
“As escavações em Sebastia não beneficiarão a economia de nenhum dos lados; pelo contrário, apenas alimentarão a animosidade e sustentarão o conflito em curso.”

A decisão de Israel de investir dezenas de milhões de shekels em Sebastia faz parte de uma iniciativa governamental mais ampla para promover assentamentos voltados para o turismo na Cisjordânia. A iniciativa de assentamento turístico em Sebastia está alinhada com a decisão do governo de reassentar o posto avançado (ilegal) vizinho de Homesh . Israel está expandindo sua presença em uma área densamente povoada da Cisjordânia, especificamente nos arredores de Nablus, ao lado do assentamento de Shavei Shomron.
Expropriações de terras para o desenvolvimento arqueológico foram realizadas na Cisjordânia, até onde sabemos, cinco vezes desde 1967:
- 1982: Dois dunams foram tomados na antiga sinagoga de Jericó.
- 1985: 286 dunams foram retirados da vila de Susya, nas Colinas do Sul de Hebron, seus moradores foram expulsos e o local foi posteriormente colocado sob o Conselho Regional das Colinas de Hebron. Os palestinos só podem entrar pagando taxas à Autoridade de Preservação da Natureza e Parques de Israel.
- 2020: Cerca de 24 dunams foram expropriados nos locais de Deir Qal’a e Deir Samaan.
- Fevereiro de 2023: 139 dunams foram capturados no local Archelais, no Vale do Jordão.
Nos casos de Deir Qal’a e Deir Samaan, os locais agora estão dentro dos assentamentos de Alei Zahav e Peduel, e os palestinos não têm acesso a eles.
Em todos os casos, as expropriações foram formalmente definidas como servindo a um propósito público, mas, na prática, levaram à exclusão de palestinos dos locais. Segundo o direito internacional que rege os territórios ocupados, expropriações para fins públicos são permitidas apenas quando atendem às necessidades da população local.
O caso de Sebastia é especialmente incomum porque a expropriação tem como alvo um sítio arqueológico que há muito serve como âncora econômica, cultural e turística para os moradores de Sebastia e da região ao redor, e que tem sido aberto ao público.
O TURISMO sustenta a população palestina local: ao redor das escavações há lojas de souvenirs e restaurantes, e em Sebastia mesmo, muitos moradores ganham a vida guiando visitantes e alugando quartos para turistas. O sítio de Sebastia fica dentro da vila, entre as casas dos moradores. A expropriação diz respeito à parte oeste do local, uma área com menos casas e cercada por olivais.
O alcance da expropriação é excepcionalmente amplo. Para desenvolver o local, as autoridades aprovaram a apreensão de 1.800 dunams. Até agora, a maior expropriação de antiguidades na Cisjordânia ocorreu em Susya, envolvendo 286 dunams.
Embora a maior parte da área de Sebastia destinada à expropriação tenha sido designada como terra arqueológica, a parte do sítio que os visitantes visitam atualmente cobre apenas cerca de 60 dunams.
O aviso de expropriação segue medidas anteriores do governo em relação a Sebastia. Em 2023, o governo israelense aprovou um plano de 32 milhões de shekels para desenvolver o local e, em 2025, a Administração Civil ali iniciou escavações arqueológicas.
A uma curta distância do local antigo está a estação ferroviária Mas’udiya (Sebastia), onde o governo começou a construir um assentamento turístico. Usar o turismo para fins de assentamento não é novidade, mas no norte da Cisjordânia, parece fazer parte de planos de desenvolvimento mais amplos que incluem o estabelecimento dos assentamentos Homesh e Sa-Nur e a ligação do turismo à expansão dos assentamentos.
O direito internacional permite a expropriação de terras em território ocupado apenas quando isso atende às necessidades da população ocupada. No caso de Sebastia, não está claro como a expropriação beneficiaria os palestinos. O empreendimento facilitaria o acesso para israelenses e, ao mesmo tempo, excluiria os palestinos de suas terras e do sítio arqueológico.
O sítio de Sebastia fica no centro da região setentrional da Cisjordânia palestina e é identificado como capital do Reino bíblico de Israel, conhecido como Samaria. Contém restos da cidade construída por Herodes no primeiro século a.C. em homenagem a Augusto, em homenagem a quem ele a nomeou Sebastia. O local inclui vestígios impressionantes do Reino de Israel, dos períodos romano, bizantino e cruzado, entre outros.
CONFIRA A IMPORTÂNCIA ARQUEOLÓGICA DE SEBASTIA NO SITE DA CONVENÇÃO DO PAATRIMÔNIO MUNDIAL DA UNESCO
NOTAS DA WIKIPÉDIA
Sebastia (em árabe: سبسطية, Sebastiya; em grego: Σεβαστη, Sebastē em latim: Sebaste) é uma pequena cidade na Palestina, com cerca de 5 000 habitantes,[2] localizada na província de Nablus, na Cisjordânia, cerca de 12 quilômetros a noroeste da cidade de Nablus.[3]
Considerada como um dos assentamentos humanos contínuos mais antigos de que se tem conhecimento, foi ocupada sucessivamente nos últimos 10 000 anos por canaanitas, israelitas, gregos, romanos, bizantinos e árabes.
É conhecida por conter ruínas romanas, bem como por ter sido o local de enterro de São João Batista. O túmulo do apóstolo em Sebastia é até hoje local de peregrinação para cristãos e muçulmanos.[4]
Sebastia também é mencionada nas obras de Iacute de Hama (1179–1229), um geógrafo sírio que a situou como parte da província filistina de Jerusalém, localizada a dois dias de viagem da cidade, no distrito de Nablus. Ele também escreveu “Estão ali as tumbas de Zacarias (Zacarias) e Iáia, o filho de Zacarias (João Batista), e a de muitos profetas e homens-santos”.[10]
Na moderna Sebastia, a principal mesquita da vila, conhecida como Mesquita de Nabi Iáia, está localizada sobre os restos da catedral cruzada, à beira da praça principal.[6] Estão ali também tumbas reais do Império Romano[5] e uns poucos edifícios medievais, ao passo que existem lá diversos outros prédios da época do Império Otomano, preservados em bom estado de conservação.[6]




