SIM À PAZ -150.000 homenageiam Rabin, 30 anos após assassinad
Edição Revisada: Amigos Brasileiros do PAZ AGORA – pazagora.org | 02/11/2025 Fontes: DemocratIL, Haaretz, Jerusalem Post, PAZ AGORA, Times of Israel, UnXeptable e outras
Neste sábado 01/11/2025, um comício excepcionalmente comovente foi realizado em Tel Aviv para rememorar o 30º aniversário do assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin. Mais de 150.000 pessoas se reuniram para o maior evento pela paz nos últimos 30 anos. O comício não apenas honrou a memória de Rabin, mas também foi um poderoso lembrete da força e determinação das pessoas que lutam nas ruas há mais de três anos pela democracia de Israel e pelo retorno dos reféns. Demonstrou que nosso campo tem uma visão de liderança corajosa e responsável, uma visão de paz e coexistência.
Todos os oradores, desde o chefe da oposição, Yair Lapid, até o presidente do Partido Democrata, Yair Golan, o refém Gadi Mozes, a ex-ministra Tzipi Livni e a vice-presidente do conselho do New Israel Fund, Nasreen Hadad Haj Yahya, falaram sobre a importância de retornar ao caminho da paz e da igualdade, e de estender a mão aos nossos vizinhos palestinos, pela segurança e futuro de todos, e contra o ódio, o racismo, o messianismo e a violência que estão destruindo Israel.
O comício foi um evento verdadeiramente notável para o campo democrático em Israel e trouxe esperança de que esse campo possa prevalecer por meio de trabalho árduo e colaboração.
It was probably in September 1993, after the signing of the Oslo Accords, that Yitzhak Rabin signed his death warrant, by agreeing to shake Yasser Arafat’s hand in front of the world’s cameras. The Nobel Peace Prize he received the following year did nothing to change that: he was now the target of unwavering hatred in the most extreme Israeli circles.
O assassinato ocorreu no auge de uma campanha de virulenta incitação movida por Binyamin Netanyahu contra Rabin e o processo de paz com os palestinos
A multidão imensa transbordou o centro de Tel Aviv para marcar o 30º aniversário do assassinato de Rabin por um extremista de direita. Participantes exibiam cartazes pedindo paz com a frase “Rabin estava certo”. Diversos políticos subiram ao palco para alertar que as forças por trás do assassinato do líder de esquerda ainda estão muito presentes na sociedade israelense hoje.
Apesar de minoritários entre a população, seus elementos mais extremistas, belicosos e racistas ocupam posições-chave no governo, minando as bases da democracia israelense, com ataques severos ao poder judiciário, assediando sistemáticamente os que deles discordam, que rotulam de “esquerdistas” e mesmo de “traidores”.
O PAZ AGORA, um dos principais organizadores do evento de 30 anos atrás e presente em todos os anos que se seguiram, participou também ativamente neste ato, com mensagens como “Rabin tinha Razão“, “Melhor enfrentar dificuldades para a Paz do que os sofrimentos da guerra“, e suas bandeiras (foto abaixo) com a incrição “Shalom” no lugar do Escudo de David oficial.
O líder da oposição no Parlamento, Yair Lapid, discursou no evento: “Neste dia, neste lugar, convergem os dois maiores momentos de ruptura na história do Estado de Israel – o assassinato de Rabin e o 7 de outubro.”
“Mais uma vez, o judaísmo está sendo transformado pela extrema-direita em violência, em assassinato, em ódio fraticida, em algo que nos divide”, disse Lapid, antes de apresentar uma crítica à política extremista e alertar: “Essas pessoas também estão hoje no governo!”.
“O homem foi assassinado; é nosso dever garantir que a ideia permaneça viva”, disse Yair Lapid, chefe do partido de centro-esquerda Yesh Atid,
“A mesma coisa está acontecendo de novo agora. Yigal Amir não representa o judaísmo. O racismo violento de Itamar Ben-Gvir , ministro da Segurança Nacional [dos colonos] – que se destaca por promover a colonização ilegal e violenta dos territórios palestinos, não representa o judaísmo. Aqueles que propõem lançar bombas atômicas sobre Gaza não representam o judaísmo. A violência dos colonos não representa o judaísmo. O judaísmo não pertence aos extremistas, corruptos ou aos negligentes.”
“Neste dia, neste lugar, convergem os dois maiores momentos de ruptura na história do Estado de Israel: o assassinato de Rabin e o 7 de outubro.”
Embora a mensagem do comício fosse focada na homenagem a Rabin, alguns dos discursos foram abertamente políticos. Muitos dos presentes também agitavam bandeiras israelenses e vestiam trajes do Yesh Atid de centro-esquerda (maior da oposição) e do partido de esquerda “Os Democratas” (união recente entre o partido trabalhista Avodá e o social-democrata Meretz).
> ASSISTA o filme de AMOS GITAI “O Último Dia de Yitzhak Rabin” < O assassinato do Primeiro-Ministro de Israel e Prêmio Nobel da Paz Yitzhak Rabin choca o mundo. A investigação revela o clima de intolerância política que pode ter levado ao crime e ao fim das esperanças de paz. Amos Gitai: “Alguns dos homens que o tornaram possíval ainda estão por aí. Na verdade, alguns deles estão agora no poder”. Premiado no Festival de Veneza
Nasreen pregou a união de todos pela democracia:“Rabin foi antes de tudo um militar, mas o vemos como um homem corajoso, que via a política como instrumento de mudança… ele mudou a direção do conflito e o sentido nas relações entre árabes e judeus”
“Em seu mandato, centenas de jovens árabes foram admitidos no serviço público. Não foi um favor, era a sua visão de mundo, sua visão de verdadeira democracia que inclui a unidade de judeus e árabes… É desta coragem que temos saudades, a coragem de que hoje precisamos”.
“Parcerias se constróem conjuntamente. Democracia é para todos ou não é democracia… Democracia é forte quando todos são Iguais. Democracia é forte quando não há Ocupação. Só quando todos tem Segurança, incluindo as aldeias árabes em Israel”
“Não somos uma ameaça. Somos a oportunidade”.
“Quero que minhas filhas brinquem com as suas, com segurança, num lugar onde reine a justiça e onde a paz nasça da igualdade”.
“Podemos ser a ponte – mas uma ponte só une se os dois lados o desejarem. Somos os que falam as 2 línguas, as 2 culturas. Sejamos a geração que não viverá com medo, mas com esperança… sigamos a herança de Rabin”.
(*) O New Israel Fund (NIF) é uma ONG que financia e apoia projetos de justiça social, direitos humanos e democracia em Israel.
CARTAZES DOBLOCO DOS DEMOCRATAS “RABIN TINHA RAZÃO” ‘SÓ A PAZ TRARÁ SEGURANÇA” >> >>
“Trinta anos se passaram desde aqueles três tiros, mas seu eco ainda não se dissipou. Eles ainda ressoam hoje em cada ação deste governo, que age contra o seu próprio povo, onde quer que a democracia israelense seja pisoteada, sempre que um governo incita contra seus cidadãos, quando patriotas são chamados de ‘traidores’, quando manifestantes que cumprem seu dever cívico são espancados, ativistas são detidos por períodos absurdos. quando a mídia é silenciada, o sistema judiciário é minado e servidores públicos leais são humilhados”, afirmou Golan.
“Nossa unidade se baseia em valores compartilhados. Valores democráticos liberais. De um Estado judeu e democrático de Israel. Unidade entre aqueles que acreditam em uma comissão estatal de inquérito, na responsabilidade, na segurança. Unidade entre aqueles que carregam o fardo, comprometidos com seus irmãos e irmãs, independentemente de religião, raça ou gênero.”
“Rabin foi um herói de Israel porque era um homem de verdade, que escolheu repetidamente colocar o bem do povo acima de seus interesses políticos ou ganhos pessoais. A paz é a única maneira de garantir que os jovens de Israel não precisem mais pagar o preço da sua ausência.”
Os oradores usaram o palco para reivindicar desde a paz, a unidade nacional até a luta contínua pela libertação dos restos de reféns mortos pelo Hamas defendendo uma investigação estatal sobre seu ataque do em 7 de outubro de 2023.
“Se Yitzhak Rabin fosse primeiro-ministro hoje, ninguém teria sido deixado para trás”, disse Gadi Mozes, que foi mantido refém em Gaza por mais de um ano, em um discurso emocionado. “Ele não teria desistido de nós, os reféns, por dois anos… Ele não teria descansado até que todos fossem trazidos para casa.”
“Não existe uma criança em Israel que não conheça ou não tenha ouvido falar da história do Envoltório de Gaza”, disse ele. “A História de Nir Oz é a essência de nossas vidas. Por 70 anos, vivemos essa História e caminhamos conforme as palavras finais de Trumpeldor “é bom morrer por nossa Pátria“.” Gerações de combatentes foram criadas com essa frase. Os cemitérios militares são o doloroso testemunho de sua concretização. Se não há escolha, se uma espada afiada é colocada sobre nossos pescoços, se tudo está por um fio — vamos para a batalha. E eu também digo: é bom viver pelo nosso país.”
“Podemos ao menos tentar chegar a um acordo com os palestinos, com a Síria e o Líbano. É bom viver pela nossa terra, e não devemos poupar esforços para que nossos filhos e netos não conheçam a guerra”, acrescentou.
Mozes também disse: “Se eu, depois de 482 dias difíceis em cativeiro e depois da dor, da perda e do sofrimento, posso estar aqui e dizer estas palavras em voz alta, então todos nós podemos! Devo transmitir esta esperança e fé. Devemos convencer o povo de que escolher a paz é escolher o futuro para os nossos filhos e a revitalização da nação.”
“A morte e o luto não são atos do destino nem decretos divinos. As coisas podem ser diferentes!”
“Rabin era um homem honesto e um líder corajoso, e eu sei que se Yitzhak Rabin fosse primeiro-ministro hoje, ninguém seria deixado para trás”, acrescentou Mozes. “Ele não teria desistido de nós, os cativos, por dois anos! E ele não teria fechado os olhos até que todos — até mesmo os que morreram — retornassem para casa.”
O ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, afirmou que uma solução para o conflito israelo-palestino deve ser alcançada em memória de Rabin.
“Rabin sabia que a verdadeira segurança não se constrói com anexações graduais e guerras intermináveis, mas sim com uma decisão política e nacional”, disse Eisenkot. “O conflito não pode ser administrado; ele precisa ser resolvido. Não pelo bem dos palestinos, mas pelo nosso próprio, para garantir um futuro seguro para nossos filhos. É isso que um bom Estado deve fazer, e foi isso que Rabin tentou fazer.”
“A polarização e a incitação, impulsionadas por motivações corruptas e vindas de cima, nada têm a ver conosco, o povo, que servimos, trabalhamos, amamos e prezamos a vida. Essas pessoas merecem uma liderança que una esforços e trabalhe em conjunto pela reparação e renovação.”
Veja ao final uma coletânea parcial de links que remetem à trajetória histórica de Yitzhak Rabin na busca por um Israel mais democrático e por uma paz duradoura.
A leitura também mostra a atuação de forças antagônicas que culminam com a fratura das instituições democráticas de Israel, a ascensão do racismo messiânico na Cisjordânia e os crimes de guerra perpetrados pelo grupo que o matou, sob a liderança de Netanyahu, o algoz mal oculto ….
As políticas implementadas até aqui por Netanyahu provocaram a maior fragmentação da sociedade israelense. Na arena externa, o país foi gradualmente afastado da maior parte dos países que apoiaram sua fundação em 1948.
NÃO ESQUECEREMOS E NÃO PERDOAREMOS !
Hoje, mesmo parte dos aliados de primeira hora na União Européia se distanciam, diante da carnificina em Gaza que ceifou a vida de dezenas de milhares de palestinos, na guerra mais longa – e inútil – de Israel. A postura de Israel em Gaza gerou a maior onda de antissemitismo desde o Holocausto, que continua se espalhando em toda Diáspora.
Não menos importante para levar Israel a uma posição de pária internacional é a anexação ilegal, de fato, de grandes porções da Cisjordânia que seriam destinadas a abrigar um Estado Palestino e do setor Oriental de Jerusalém, que seria sua capital.
Principalmente no seu atual mandato, são cada vez mais aceleradas a ampliação e criação de novos assentamentos à custa do assédio ou expulsão dos moradores palestinos com violência.
Yitzhak Rabin mostrou o caminho e devemos retomá-lo, antes que a insanidade seja irreversível!
Urge a volta de um governo ético e moral, que respeite as leis internacionais e reconheça os legítimos direitos da população palestina, rumo a um acordo de paz duradoura entre Dois Estados – Israel e Palestina.
04/11/2025 > Dennis Ross: Yitzhak Rabin Sabia o Que Netanyahu Não Sabe Dennis Ross foi o principal negociador de paz do Oriente Médio dos Estados Unidos sob os presidentes George H. W. Bush e Bill Clinton, e coordenador da Casa Branca para o Oriente Médio durante o governo Barack Obama.
09/11/2022 > 27 anos após a morte de Yitzhak Rabin, seus assassinos comemoram Quando o então primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin foi assassinado, há 27 anos, o jovem Itamar Ben-Gvir, aos 19 anos, comemorou. Ele fazia parte – assim como o assassino, Yigal Amir – de um grupo de radicais de extrema direita que odiava a ideia de acordos de paz com os palestinos…
Yonatan Ben Artzi, neto de Rabin: “Todos dizem que são sucessores de Rabin, mas apenas nos assustam com seu populismo. Com conversas sobre terror islâmico e bonbas nucleares… Não esquecemos o terrível incitamento que inspirou o assassino…Não parem de gritar até que a paz prevaleça aqui…”.
Rabin, um líder militar icônico que fez parte da geração fundadora de Israel, serviu como primeiro-ministro de 1974 a 1977 e de 1992 até seu assassinato em 1995. Como líder do Partido Trabalhista, assinou os Acordos de Oslo com o líder da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat, em 1993, dando início a um processo de paz israelo-palestino que posteriormente fracassou.
Foi assassinado por um extremista judeu kahanista, militante do partido Kach e colega dos atuais ministros Smotrich e Ben-Gvir. Supremacistas fanáticos, opõem-se à entrega de territórios da Cisjordânia para os palestinos, prevista nos acordos. Eles acreditavam que Rabin merecia morrer segundo um conceito judaico conhecido como din rodef , que afirma: se alguém está prestes a te matar, você deve matá-lo antes.
A situação atual é ainda mais perigosa para o futuro de Israel como democracia. O agravante é que o governo foi tomado por terroristas messiânicos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder da oposição na época do assassinato, nega veementemente as acusações de que teria incentivado a incitação que levou ao crime, apesar de haver documentos que o incriminam, inclusive filmagens de uma passeata em Jerusalém, poucos dias antes do assassinato, onde foram desfilados pela turba cartazes simulando enormes fotos onde Rabin vestia uma Kefiah, comumente usada por Yasser Arafat e um caixão negro ostentando o nome de Rabin.
Netanyahu então estava num terraço de Jerusalém, de onde saudava efusivamente o lamentável cortejo dos seus odientos simpatizantes. Hoje ele faz de tudo para fugir da Justiça por seus incontáveis crimes incluindo vultosos processos por corrupção, coroados por acusações do Tribunal Penal Internacional por crimes na Guerra de Gaza, onde é responsável pela morte de dezenas de milhares de civis e a destruição de mais de 80% das residências e da infraestrutura da Faixa.