Um novo relatório do PAZ AGORA e da KEREM NAVOT*, intitulado “Annus Mirabilis: Ações do Governo Israelense para Anexar a Cisjordânia, 2023 – 2025”, demonstra que o atual governo israelense está promovendo a anexação de fato da Cisjordânia, num ritmo sem precedentes.
O documento revela as medidas adotadas – velada ou ostensivamente – durante os últimos três anos pelo governo de Israel, demonstrando que formam uma política governamental una e sistemática, com o objetivo de aprofundar o controle israelense sobre a Cisjordânia e promovendo a sua anexação de fato.
Em vez de se limitar a ações isoladas, como construção de assentamentos, autorização de postos avançados (outposts) ou por declarações de grandes áreas Ocupadas como ”terras estatais”, consolidamos aqui – pela primeira vez – todas as ações governamentais que de fato constituem uma política única.
As medidas incluem mudanças estruturais na governança, a transferência de poderes civis, a expansão dos assentamentos ilegais, o estabelecimento de novos postos avançados, a expulsão de comunidades palestinas, a apropriação de terras, investimentos significativos em infraestrutura e alterações no regime fundiário.
O esforço concentrado para expulsar os palestinos de suas residências – que habitam há muitas gerações na Cisjordânia – continua ocorrendo em 2026, através de ações terroristas cotidianas de colonos judeus contra as populações palestinas, com a evidente intenção de tornar inviável a permanência de populações árabes pacíficas e indefesas na região, mediante ataques violentos às suas residências e mesquitas, agressões físicas e destruição de seus meios de subsistência, como redes de abastecimento de água, destruição de plantações e roubo de seus rebanhos.
Tudo isto é feito com total impunidade dos colonos agressores que, ao contrário, tem apoio explícito de ministros israelenses e recebem cobertura de policiais e soldados israelenses, que via de regra ignoram ou mesmo apóiam diretamente as agressões.
O Relatório demonstra como as medidas adotadas funcionam em conjunto como parte de uma política governamental unificada no sentido de inviabilizar uma Solução de Dois Estados para o conflito israelense-palestino.
As principais revelações incluem:
185 novos postos avançados criados;
118 comunidades e grupos de pastores palestinos expulsos;
102 assentamentos novos estabelecidos através da ‘legalização’ de postos avançados ou pela concessão de estatutos de assentamento independente para bairros já existentes;
40.064 unidades habitacionais novas em assentamentos;
Postos avançados agrícolas implantados, controlando efetivamente mais de 1,1 bilhão de metros quadrados, incluindo cerca de 750 milhões expropriados pelo atual governo;
Pelo menos 223 km de novas estradas – exclusivas para colonos – inauguradas na Cisjordânia;
Colonos assumiram o controle de pelo menos 11,5 milhões de metros quadrados por meio do cultivo agrícola;
25,5 milhões de metros quadrados de Territórios Palestinos declarados como ‘Terras Estatais’ de Israel.
Identificamos quatro mecanismos principais que têm apoiado esta política:
Mudanças estruturais na governança, com a transferência de poderes da Administração Civil e da cadeia de comando militar para o escalão político;
Expansão acelerada de assentamentos;
Apropriação de terras por meio de postos avançados, postos agrícolas, pastoreio, cultivo agrícola com a expulsão de comunidades palestinas;
Transformação fundamental do regime fundiário na Cisjordânia;
5. Crescentecontrole israelense sobre áreas designadas para a Autoridade Palestina nos Acordos de Oslo.
O Relatório baseia-se em extensa pesquisa, documentos governamentais, dados orçamentários públicos, fotografias aéreas, mapas e depoimentos de campo; inclui conclusões atualizadas até 31 de março de 2026. Incluímos 65 páginas de pesquisas, mapas, gráficos e fotografias aéreas, quatro capítulos aprofundados e uma análise abrangente e documentada das ações do governo israelense entre 2023 e 2025 e suas implicações para o futuro da Cisjordânia.
Segundo as organizações PAZ AGORA e KEREM NAVOT:
“ Este Relatório demonstra que a Anexação é um processo que está em curso acelerado, através de centenas de decisões administrativas, orçamentárias e de planejamento.
Analisadas em conjunto, essas medidas deixam claro que, em apenas três anos, o governo israelense transformou fundamentalmente o sistema de controle na Cisjordânia de maneiras que podem comprometer seriamente a possibilidade de se chegar a qualquer acordo político no futuro.”
* Kerem Navot é uma ONG israelense fundada em 2011 para “desafiar os sistemas e políticas que possibilitam a contínua desapropriação de Territórios Palestinos por Israel”
Mais de 3 anos se passaram desde o início do 6º mandato de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro de Israel. Este período esteve entre os mais desafiadores para a Cisjordânia desde sua Ocupação em 1967. Foram acelerados processos que levam a mudanças significativas que comprometem a própria existência do Estado de Israel.
As mudanças são ligadas à transferência das autoridades de administração, planejamento e aplicação da lei (law enforcement) para o ministro Bezalel Smotrich. Ele é associado a alguns dos elementos mais extremistas de direita na sociedade israelense. Smotrich representa o que é amplamente visto como o governo mais nacionalista e racista da história de Israel.
A seguir, abordamos essas mudanças nos 3 primeiros anos do mandato.
Como monitores, há muito tempo, do projeto israelense de desapropriação e assentamento, voltamos nosso foco dos incidentes diários de violência e crimes de motivação política para apresentar uma visão geral, abrangente e atualizada. Reconhecemos que as mudanças na Cisjordânia durante este período são gravíssimas, sem precedentes. E caso não haja mudança positiva nas próximas eleições, serão potencialmente irreversíveis.
O Ministro de Assuntos de Assentamento, Orit Strock, residente no assentamento judeu no coração de Hebron, declarou em dezembro de 2025: “Em 3 anos, estamos corrigindo 30 anos do estrago causado pelos Acordos de Oslo“.
Estamos diante de um governo de extremistas e racistas que se dedicam a anular todas as iniciativas rumo a uma paz justa e duradoura entre israelenses e palestinos.
DESTAQUES:
– MUDANÇA NA GOVERNANÇA DOS TERRITÓRIOS OCUPADOS
A principal mudança foi a transferência de amplos poderes civis da Administração Civil e da cadeia de comando militar para o ministro Bezalel Smotrich e a Administração de Assentamentos dentro do Ministério da Defesa. Smotrich descreveu isso como “mudar o DNA do sistema”. A nova autoridade abrange planejamento e construção, registro e gestão de terras, infraestrutura, estradas, reservas naturais, arqueologia e fiscalização. Essa mudança criou, efetivamente, um novo mecanismo político-civil.
Foi criado e empoderado o “Ministério de Assentamento e Missões Nacionais”, servindo como mecanismo governamental para desviar centenas de milhões de dólares do orçamento de vários ministérios para organismos envolvidos na expansão de assentamentos e tomada de áreas da Cisjordânia.
Tais verbas, além de orçamentos aprovados formalmente para segurança e infra-estrutura, ajudam na criação e fortalecimento de postos avançados ilegais (outposts), particularmente em extensas áreas rurais, muitos dos quais envolvidos com violência e expulsão de comunidades palestinas, como no norte da Cisjordânia.
O governo violou a legislação aprovada no governo Sharon que impedia israelenses de penetrarem em áreas evacuadas do norte da Cisjordânia (de população quase exclusivamente palestina) em paralelo com o “Desligamento” de Gaza. Recriou assentamentos como Homesh, Sa-Nur, Ganim e Kadim, assim como novas colonias em torno das cidades de Jenin e Nablus – áreas densamente habitadas por palestinos.
Ao mesmo tempo, tem promovido projetos de turismo em sítios arqueológicos palestinos como Sebastia como parte do amplo esforço para alterar a demografia do norte da Cisjordânia.
Um dos planos aprovados mais polêmicos é o da área E1, que visa fragmentar o norte do sul da Cisjordânia, minando severamente a possibilidade de se desenvolver uma continuidade territorial palestina entre Ramallah, Jerusalém Oriental e Belém – e a própria viabilidade de um Estado Palestino.
Tem sido promovida a autorização retroativa de outposts. Somente em 2024, 70 deles foram “legalizados”, com investimento oficial de valores expressivos, apesar de sua real ilegalidade. Muitos destes se tornaram bases para a violência de colonos.
O ritmo da anexação cresceu a cada ano, indicando um mecanismo sofisticado para tomada de terras. Com a atenção da população voltada para a guerra em Gaza, não houve limitação para as obras israelenses na criação de fatos consumados na Cisjordânia.
A criação de outposts rurais – que demandam poucos colonos para ocupar vastas áreas – teve um papel central nas expulsões e na desapropriação. Mais de um bilhão de metros quadrados (cerca de 18% da Cisjordânia) passaram a ser controlados por israelenses.
Em 2025, cerca de 300 milhões de metros quadrados foram transferidos aos colonos desta forma. 40% dessas terras foram definidas pela Administração Civil como “Terras do Estado”. Os outros 60% são de propriedade de palestinos, ou não foram registradas. Mecanismos de violência e vedação de acesso permitem a tomada de terras que oficialmente não poderiam ser alocadas a colonos.
Houve uma sistemática expulsão de comunidades pastoris. Entre 2023 e 2025, 118 dessas comunidades foram extintas pela violência de colonos, proibição de acesso a pastagens e fontes de água e pela criação de outposts adjascentes belicosos e a ausência de proteção aos moradores palestinos pelo exército ou polícia.
Conforme a ONG B’Tselem, nos 2 primeiros meses de 2026, outras 9 comunidades foram expelidas, como a de Ras Ein al-Auja, com cerca de 1.000 residentes.
– ESTRADAS EXCLUSIVAS PARA ISRAELENSES
Desde o início deste governo, foram pavimentadas mais de 223 km na Cisjordânia. Estas estradas facilitam a criação de outposts, tomada de terras e impedem palestinos de acessar suas propriedades e plantações. Muitas foram construídas em terras privadas ou não estatais.
Identificamos que as origens dos fundos provêm do governo através de artifícios orçamentários, além da destinação em janeiro de 2026 de mais que 40 milhões de dólares para ‘pavimentação de estradas de segurança’.
– DEMOLIÇÃO DE CASAS
Conforme a OCHA (organização humanitária da ONU) as demolições por Israel de ‘construções não autorizadas’ na Área C cresceram em 80% entre 2010 a 22 e 2023 a 2025. A média subiu de 537 a 966 estruturas por ano neste governo.
Estas demolições são parte de um amplo sistema para impedir o desenvolvimento palestino. Enquanto isto são autorizados – incluso retroativamente – o planejamento, investimento e construção de assentamentos israelenses, violando as mesmas leis. Por canetadas do governo, entre 2023 e 2025 foram declarados 26 milhões de metros quadrados como “Terras do Estado”, quase a área total declarada desde o processo de Oslo na Área C .
O governo começou a erodir o controle das Áreas A e B, que foram garantidos para a Autoridade Palestina em Oslo. Áreas consideradas como ‘reservas naturais’ e ‘sítios arqueológicos ou sagrados’ – como a ‘Tumba dos Patriarcas’ em Hebron – e seus arredores tiveram recentemente sua administração (e de suas vizinhanças) retirada dos palestinos. Todo o arcabouço administrativo firmado acordado nos Acordos de Oslo está sendo desmantelado
Pg.02 – Diretrizes para o Estabelecimento do 37º Governo de Israel Pg.03 – Principais Dados do Relatório Pg.04 – Sumário Executivo Pg.08 – Índice do Conteúdo
Pg.12 – A. Alterações Administrativas – Dos Ataques ao Regime à Anexação
1. Criação de Nova Administração dos Assentamentos – “Mudando o DNA do Sistema” Pg.13 – 2. Ministério de Assentamentos Revoga ‘Lei do Desligamento’ e a Proibição de Colonizar o Norte da Cisjordânia Pg.14 – 3. Assentamentos Evacuados em 2005 na região de Jenin Pg.16 – 4. Transferência da Autoridade de Planejamento e Construção para o ministro Smotrich 5. Despojamento do Poder pela Autoridade Palestina de Demolições Pg.18 – 6. Decisões do Governo sobre Assentamentos no Território Pg.19 – 7. Extensão do Poder da Autoridade de Renovação Urbana para a Cisjordânia 8. Decisão do Gabinete sobre Compra de Terras na Cisjordânia por Israelenses
Pg.21 – B. Expulsão e Desapropriação
1. Criação de Outposts (postos avançados de assentamento) e Outposts Rurais
Pg.23 – 2. Tomada de Terras Pg.25 – 3. Alocação de Terras para Pastagem Pg.27 – 4. Tomada de Terras para Uso Agrícola Pg.29 – 5. Expulsão de Comunidades Palestinas Pg.31 – 6. Construção de Estradas Pg.33 – 7. Cercamento ao Longo de Estradas de Contorno (bypass) Pg.36 – 8. Barreiras e Postos de Controle (checkpoints) Pg.37 – 9. Demolições de Casas
Pg.40 – C. Desenvolvimento de Assentamentos
1. Criação de Novos Assentamentos Pg.46 – 2. Legalização (retroativa) de Outposts Pg.47 – 3. Planejamento: Aprovação de Mais que 40.000 Unidades Habitacionais em Assentamentos Pg.49 – 4. Licitações Pg.51 – 5. Estradas Ligando Cidades Pg.54 – 6. Hebron
Pg.55 – D. Ampliação de Território
1. Declarações de ‘Terras do Estado’ Pg.57 – 2. Expropriações Pg.59 – 3. Confisco de Terras Pg.63 – 4. Fronteiras Jurisdicionais Pg.66 – 5. Redução de ‘Zonas de Tiro’ para Permitir Expansão de Assentamentos
A –Governo assina acordo abrangente com o Conselho Regional da Samaria, comprometendo 2,5 milhões de dólares para infraestrutura de assentamentos.
[ fonte: PAZ AGORA 14/07/2026 ]
Ontem, o governo assinou um acordo abrangente com o Conselho Regional da Samaria, empenhando 2,5 milhões de dólares para a infraestrutura de cerca de 12.000 novas unidades habitacionais.
Isso permitirá a construção acelerada em assentamentos existentes ou planejados no norte da Cisjordânia. O acordo também dificulta a reversão dessa decisão por governos futuros, pois a paralisação das obras exigiria novas contestações judiciais.
Em 14 de junho de 2026 , o governo assinou um acordo abrangente com o Conselho Local dos colonos de Karnei Shomron, comprometendo 660 milhões de dólares para 6.000 unidades habitacionais. Em setembro de 2025 , um acordo semelhante com o município de Ma’ale Adumim garantiu 1 milhão de dólares para cerca de 7.000 unidades habitacionais, sendo aproximadamente metade delas destinadas ao novo assentamentoem E1.
PAZ AGORA: “Isto significa uma liquidação total do Estado de Israel. O governo não só está desprezando milhões de israelenses e saqueando o seu dinheiro em benefício de um pequeno setor de colonos, como também está cavando, com as próprias mãos, o fosso diplomático e de segurança onde o próprio Estado de Israel poderá acabar enterrado.
Da perspetiva do governo, é uma dupla vitória: construção desenfreada nos assentamentos, juntamente com a obrigação de vincular o próximo governo a compromissos que dificultarão a reversão da política imprudente deste governo terrível.”
O que é um acordo guarda-chuva?
Um acordo abrangente é assinado entre o governo, incluindo o Ministério das Finanças, o Ministério da Habitação e a Autoridade Fundiária de Israel, e uma autoridade local. O governo se compromete a investir em infraestrutura, enquanto a autoridade local concorda com prazos acelerados para a emissão de alvarás de construção e o avanço das obras. Esse acordo visa facilitar o rápido desenvolvimento de projetos de grande escala.
O financiamento de infraestrutura, como estradas, esgoto, instituições públicas e parques, é um grande desafio em grandes projetos de desenvolvimento. Em Israel, o governo geralmente financia a infraestrutura por meio do Ministério da Habitação e das autoridades locais. Quando as construtoras ganham as licitações e vendem apartamentos, elas reembolsam os custos de desenvolvimento ao Estado. Por fim, os compradores de imóveis reembolsam o investimento do governo.
Os acordos guarda-chuva oferecem diversas vantagens: garantem orçamentos antecipadamente, proporcionam planejamento e segurança financeira para empreiteiras e autoridades locais, centralizam a autoridade para reduzir a burocracia e apoiam o desenvolvimento organizado de instituições públicas, parques e infraestrutura para atender ao crescimento populacional previsto.
Pelo que o PAZ AGORA sabe, até o ano passado, um único acordo abrangente havia sido assinado nos assentamentos: em outubro de 2018, com o município de Ma’ale Adumim. O Estado comprometeu-se a investir o equivalente 10 milhões de dólares em infraestrutura para apoiar milhares de unidades habitacionais.
O acordo foi assinado logo após a publicação de licitações para cerca de 700 unidades habitacionais em Ma’ale Adumim, que de fato foram construídas nos anos seguintes. As demais unidades habitacionais previstas no acordo ainda não se concretizaram.
Há relatos de discussões e preparativos para acordos adicionais em andamento nos assentamentos de Giv’at Ze’ev e Ariel.
B. Representante do Governo admite que os Fundos para Assentamentos aprovados hoje pelo Comitê de Finanças também se destinarão a atividades nas áreas A e B da Cisjordânia.
Binyamin Har-Even, responsável pela exploração arqueológica na Cisjordânia confirmou hoje, respondendo a questão da deputada Naama Lazimi, que os USD 37 milhões aprovados pelo Comitê de Finanças para projetos de arqueologia na Cisjordânia irão no futuro também ser usados para atividades nas áreas A e B, que estão sob controle da Autoridade Palestina conforme os Acordos de Oslo.
PAZ AGORA: “O governo decidiu correr em direção à Anexação, violando os Acordos de Oslo. Todos nós israelenses pagarmos o preço pelas atitudes fora da lei de Smotrich e seus parceiros”.
C. Despejo de Palestinos Idosos da Cidade Velha de Jerusalém [fonte PAZ AGORA | 23/07/2026]
Em 22 de julho de 2026, colonos ligados à organização Ateret Cohanim entraram no prédio da família Basha, na Cidade Velha de Jerusalém, depois que o último casal de idosos palestinos que ali residia saiu em cumprimento a uma ordem judicial. O despejo foi realizado com base numa legislação israelense, que permite a judeus reivindicarem propriedades situadas em Jerusalém Oriental que lhes pertenciam antes de 1948. Os palestinos não possuem um direito equivalente de reivindicar propriedades que possuíam antes de 1948 no atual território de Israel.
Há décadas, o Custodiante Geral utiliza esse arcabouço jurídico parcial para transferir casas de palestinos em Jerusalém Oriental para organizações de colonos. Neste caso, o Custodiante Geral iniciou processos de despejo contra seis casais idosos da família Basha, alegando que o prédio pertenceria a uma fundação religiosa judaica que administrava a Yeshivá Torat Chaim no local antes de 1948.
A família vivia no edifício desde a década de 1930 e preservou os livros e arquivos da yeshivá após 1948. Em 1967, Chaim Herzog – então governador militar da Cisjordânia e pai do atual presidente de Israel – elogiou publicamente a família por ter preservado milhares de livros da yeshivá depois que a comunidade judaica deixou a Cidade Velha.
Segundo a família, colonos também invadiram um cômodo e uma área de depósito pertencentes a uma loja adjacente, que não estavam incluídos na ordem judicial de despejo.
A organização PAZ AGORA declarou: “Trata-se de uma injustiça flagrante. Enquanto centenas de milhares de israelenses vivem com segurança em propriedades que pertenciam a palestinos antes de 1948, a lei em Jerusalém Oriental permite que palestinos sejam despojados de casas que haviam pertenccido a judeus antes de 1948. O governo estabeleceu um mecanismo para o desapossamento e a expulsão de palestinos em Jerusalém Oriental, e o Custodiante Geral, um órgão governamental, tornou-se o braço executivo central dessa política.”
1. Arqueologia na Cisjordânia: USD 4,3 milhões. Uma alocação adicional para o Oficial de Estado-Maior da Administração Civil para Arqueologia. Antes do governo atual assumir o cargo, seu orçamento anual era de cerca de USD 330 mil. Cerca de USD 29 mil foram alocados desde então, e mais USD 37 mil já foram adicionados. O programa inclui escavação e desenvolvimento nas Áreas A e B.
2. Programas para“jovens em situação de risco” em assentamentos: USD 10 milhões. Desse total, USD 4 milhões de NIS serão destinados às autoridades locais de assentamento para um programa destinado a fortalecer fazendas de assentamentos e postos ilegais, incluindo salários, veículos 4×4, apoio a operadores de fazendas e postos avançados, além de alimentos e roupas para jovens participantes. USD 3 milhões são para prédios em assentamentos para programas pós-escolares para jovens.
3. Coordenação de terras para assentamentos: USD 1.900 milhões – alocação adicional para as autoridades locais de assentamento para salários, veículos, drones, equipamentos tecnológicos e construção de estradas. Isso se soma aos USD 13 milhões aprovados para o mesmo propósito em março de 2026.
4. Segurança para colonos em bairros palestinos em Jerusalém Oriental: USD 4 milhões. Alocação adicional aos aproximadamente USD 33 milhões que o governo já gasta anualmente em segurança privada para os colonos em Jerusalém Oriental.
5. Subsídios especiais para autoridades locais: uma porção não especificada de USD 41 milhões. O governo não especificou quais autoridades receberiam o dinheiro nem quanto iria para os assentamentos.
6. Emprego para jovens em situação de risco em assentamentos: USD 333 mil transferidos para o Serviço de Emprego.
7. Escola para jovens em situação de risco em assentamentos: um valor não especificado de USD 4,5 milhões sob responsabilidade do Ministério da Economia e Indústria.
E – Licitação em E1 Publicada e Aberta [ fonte PAZ AGORA | 19/08/2026 | siga o QRCode acima ]
Em 18 de agosto de 2026, o Ministério da Habitação publicou e abriu nova licitação para para 1.234 unidades habitacionais na área E1, a leste de Jerusalém Oriental. O período da concorrência termina em 19 de outubro de 2026, uma semana antes das eleições israelenses em 27 de outubro.
Estas 1.234 unidades fazem parte das 3.401 unidades habitacionais planejadas para a área E1.
Por décadas, governos israelenses evitaram construir em E1 devido a preocupações sobre seu impacto nas perspectivas de um acordo de paz entre dois Estados. Essa ação é uma decisão política, mesmo que o plano continue sujeito a um desafio legal ativo.
PAZ AGORA: “Esta é uma manobra de última hora que faz parte da política de terra arrasada que o governo está adotando ao final de seu mandato, para garantir para Israel longos anos de conflito e derramamento de sangue. Construir em E1 arruinaria a possibilidade de chegar ao fim do conflito e a um acordo de paz baseado em dois Estados. O governo está tentando assinar contratos com empreiteiros antes das eleições para que seja muito mais difícil para o próximo governo cancelar a construção.”
Em vez de abrir alicitação existente (nº 460/2025) a partir de janeiro, que cobria todas as unidades habitacionais aprovadas, o Estado emitiu uma nova licitação separada para apenas parte do total e a abriu imediatamente para licitação. Essa medida parece intencionalmente projetada para permitir que esta licitação abra e se encerre antes da eleição em Israel.
1. O Contexto Legal
As ONGs Ir Amim, Bimkom e o PAZ AGORA, juntamente com residentes beduínos-palestinos, apresentaram uma petição contra o plano (nº 4388-10-25) no Tribunal Distrital de Jerusalém. O advogado Michael Sfard representa os peticionários.
Como parte do processo, o Estado comprometeu-se a não abrir a licitação sem avisar previamente os peticionários, para que pudessem solicitar uma liminar provisória suspendendo a licitação enquanto se decidia sobre a petição.
Em 15 de junho de 2026, o Tribunal rejeitou o pedido do Estado para arquivar a petição e ordenou que apresentasse uma resposta detalhada até 1º de setembro de 2026.
Há cerca de um mês, o Escritório do Procurador do Estado informou aos peticionários que a licitação deveria ser aberta em dois ou três meses e reiterou seu compromisso de fornecer aviso prévio.
No entanto, hoje foi publicada e aberta para licitação nova e separada para 1.234 das 3.401 unidades habitacionais planejadas. Os peticionários não receberam aviso prévio e tomaram conhecimento da licitação pelo site da Autoridade de Terras de Israel.
2. As Implicações
A nova licitação representa cerca de um terço das unidades habitacionais aprovadas para a E1. Sua data de encerramento, 19 de outubro, é uma semana antes das eleições israelenses.
Mesmo uma implementação parcial criaria fatos irreversíveis no terreno, alterando fundamentalmente o caráter geográfico e estratégico da área, ao separar o norte da Cisjordânia do sul e isolar Jerusalém Oriental.
A intenção declarada por ministros do governo, após a virtual destruição da Faixa de Gaza é a de inviabilizar concretamente a criação de um Estado Palestino .
Hagit Ofran, the head of the Settlement Watch Project for Israeli Peace Now, talks about the obstacles to peace in Israel and the failure of the “road map” for peace.
(21 Aug 2025) RESTRICTION SUMMARY: ++PART MUTE++ ASSOCIATED PRESS ARCHIVE: Maale Adumim, West Bank – 24 June 2020 1. Aerial shot of Maale Adumim and E1 ++MUTE++ ASSOCIATED PRESS A-Tur, East Jerusalem – 21 August 2025 2. E1 area 3. Establishing shot of Hagit Ofran from Peace Now NGO showing the E1 area 4.
The Israeli government has approved an initial allocation of $51 million for planning work related to 69 settlements and outposts in the occupied West Bank, according to anti-settlement organisation Peace Now. The group said the funding is the first tranche of a broader package that could total about 1.15 billion shekels ($388 million).
A atual coligação de governo em Israel está minando qualquer chance de paz duradoura com os palestinos, mediante a aceleração frenética de atividades de assentamento ilegal na Cisjordânia, somada à virtual destruição da Faixa de Gaza.
É urgente a eleição de um novo governo em Israel, que avance no diálogo construtivo com lideranças pragmáticas palestinas, rumo a uma Solução de Dois Estados e revertendo as políticas de Ocupação e Anexação de Territórios.
A violência insana e o terrorismo devem dar lugar a uma Paz Estável entre os Dois Povos convivendo lado-a-lado, com o reconhecimento recíproco de suas justas aspirações nacionais.
O fim do conflito é urgente e possível, nos moldes do Acordo de Genebra *.