BOLETIM URGENTE DO PAZ AGORA – 19/02/2026
(tradução e edição: Amigos Brasileiros do PAZ AGORA | pazagora.org.br | 17/02/2026)
Bandos de terroristas, provenientes de assentamentos judeus ilegais, infernizam quase diariamente a vida de pacíficos moradores palestinos da Cisjordânia, atacando-os indiscriminadamente com pauladas, tiros, incêndio de casas, carros e mesquitas. Roubam seus rebanhos e derrubam plantações, únicos meios de sustento dos residentes. Na prática, estão forçando o desaparecimento de comunidades inteiras.
Nunca são detidos ou responsabilizados. A polícia e os soldados, cooptados por colonos racistas. assistem com indiferença, ou mesmo participam dos crimes, sem tomar nenhuma providência. Em boa parte oriundos dos mesmos assentamentos que os colonos, não são instruídos para defender as vítimas. Inertes e complacentes. Parecem estar ali apenas para dar cobertura aos agressores…
Enquanto terroristas judeus são cidadãos de Israel que elegem seus representantes e atacam impunemente, os moradores palestinos – sem direitos de cidadania – correm o risco de serem encarcerados só por protestar ou tentar se defender de “prisões administrativas”, sem qualquer oportunidade de inquérito, defesa ou julgamento.
Na Cisjordânia coexistem dois sistemas legais completamente distintos, onde colonos judeus tem a proteção do Estado e os autóctones palestinos sofrem as “leis” da Ocupação. Haveria tradução mais exata para um regime de “apartheid“ ?
E o apartheid na Cisjordânia já está transbordando para a sociedade israelense, com a crescente discriminação contra a minoria árabe.
Comunidades inteiras foram esvaziadas ou abandonaram suas terras, diante da violência insuportável.
É a tradução literal do termo “lavagem étnica“. Está sendo discutida uma nova lei que cria a pena de morte – exclusivamente para árabes. Até hoje, a pena de morte só foi aplicada uma vez, contra o carrasco nazista Adolf Eichman.Ativistas israelenses solidários aos palestinos são também perseguidos e atacados, verbal e fisicamente como “traidores”, “esquerdistas” e “inimigos da Pátria”, como ocorre seguidamente para membros do PAZ AGORA, Rabinos por Direitos Humanos, Be’Tselem e dezenas de ONGs humanistas israelenses, assim como para organizações cada vez mais populares, como a Standing Together, que congregam paritariamente cidadãos israelenses árabes e judeus.
Enquanto isto, a pequena maioria do governo de extrema direita incita a violência e se esmera em criar, a toque de caixa, leis voltadas para suprimir os poucos direitos das população ocupada, “legalizar”, inclusive retroativamente, a Ocupação, que é proibida pelas leis internacionais. Novas leis facilitam a usurpação de terras de propriedade de palestinos, que lá moram a gerações enquanto a própria estrutura do Poder Judiciário é sistematicamente minada por parlamentares anti-democráticos.
Algumas ações recentes no Knesset:
A.1 – O governo de Israel aprovou novos assentamentos na Cisjordânia Ocupada e destina NIS 244 milhões para processo envolvendo a desapropriação de milhares de palestinos.
O governo aprovou em 15/02 a alocação de verbas milionárias para estabelecer novos procedimentos para agilizar o registro e assentamento em terras na Área C da Cisjordânia.
A principal implicação desses procedimentos é a desapropriação em larga escala de palestinos (em bom português “lavagem étnica”) em até 83% da Área C (cerca de 50% da Cisjordânia) e seu registro em nome do Estado. O processo exigirá que os proprietários de terras comprovem a propriedade, sob condições quase impossíveis de cumprir. Se não o fizerem, a terra será automaticamente registrada em nome do Estado de Israel.
Tal registro de terras é um ato claro de soberania e anexação, explicitamente proibido para uma potência ocupante à luz do Direito Intenacional.
Elementos-chave da decisão do governo:
– Alocação de NIS 244,1 milhões para liquidação de títulos de propriedade na Área C nos próximos cinco anos e criação de 35 novos cargos no Ministério da Justiça, no Ministério da Defesa e na Administração Civil.
– Gestão do Registro será feita por uma autoridade israelense sob o Ministério da Justiça: Uma “Administração de Títulos de Terras de Assentamento” será estabelecida para supervisionar o registro de terras na Cisjordânia. O Comando Central do exército alterará a lei vigente na Cisjordânia para não apenas permitir processos de assentamento de terras (contrários ao direito internacional), mas também para autorizar o Ministério da Justiça israelense a executá-los. Isso transferiria a responsabilidade pelo registro de terras na Área C – da Administração Civil, que opera sob o domínio militar, para o Estado de Israel.
– O Mapeamento, registro e loteamento é responsabilidade do Ministério da Habitação de Israel nas terras dentro de Israel. O governo busca agora expandir sua abrangência para os Territórios Ocupados.
– Meta: colonizar 15% da Area C em cinco anos.
Vale notar que terras classificadas como “Terras do Estado” na verdadepertencem ao público; em países independentes, o governo deve administrar as terras públicas em benefício dos cidadãos. No entanto, na Cisjordânia Ocupada, Israel gerencia terras públicas apenas para benefício dos colonos israelenses e distribui praticamente todas as terras apenas para israelenses.
PAZ AGORA: “Poucos dias após a declaração de Trump enfatizando sua oposição à anexação da Cisjordânia por Israel, o governo decidiu por uma medida equivalente à anexação total. Avisamos o presidente Trump: ele declarou que não permitiria a anexação, mas ela está sendo executada bem debaixo do seu nariz.
A decisão do governo sobre a colonização de terras na Cisjordânia é um gigantesco roubo de terras de propriedade palestina. O registro de terras resultará na transferência da grande maioria da Área C para o Estado, deixando os palestinos sem capacidade de exercer seus direitos de propriedade. Não é coincidência que o direito internacional proíba o assentamento de terras em territórios ocupados; o próprio Israel emitiu uma ordem proibindo isso, logo após a guerra dos Seis Dias, em 1967″.
Como o governo está assumindo o controle das terras da Cisjordânia
A Área C compreende aproximadamente 3,3 milhões de dunams: cerca de 1,4 milhão de dunams estão registrados (42%). Das terras registradas, aproximadamente 25% da Área C são terras estatais, registradas durante o período jordaniano — terras sobre as quais o governo israelense já exerce controle.
O novo processo de títulação de terra permitirá o controle israelense sobre 1,9 milhão de dunams de terras não registradas (58% da Área C). Cerca de um milhão de dunams dessa área foram declarados terras estatais e agora serão formalmente registrados em nome do Estado, junto com outras áreas onde os palestinos não conseguirem documentar a propriedade.
Aproximadamente 17% da Área C é registrada como propriedade privada palestina. O controle sobre essas terras por Israel será extendido, com a decisão do gabinete de abri-las ao “mercado” de compradores israelenses.
O gabinete aprovou uma série de decisões para tomar o controle de terras e retirar poderes da Autoridade Palestina, formalizados no Acordo de Oslo.A.2 – HEBRON – governo anexará a maior parte da cidade, que já havia sido atribuída à soberania palestina formalmente, em acordos assinados pelo próprio Netanyahu.
O gabinete decidiu em 08/02/26 uma série de medidas que permitirão aos israelenses comprar terras nos territórios, quase sem limitação e sem supervisão governamental. A medida dará a um pequeno número de colonos supremacistas o poder de determinar fatos políticos sem intervenção governamental e abrirá a porta para uma indústria de transações imobiliárias falsificadas. Além disso, o gabinete decidiu retirar poderes da Autoridade Palestina nas Áreas A e B e em Hebron. Essas decisões constituem uma violação direta dos acordos internacionais aos quais Israel está comprometido e são passos rumo à anexação efetiva das Áreas A e B.
PAZ AGORA: “Netanyahu prometeu derrubar o Hamas em Gaza, mas na prática escolheu derrubar a Autoridade Palestina, cancelar acordos que Israel assinou e nos impor a anexação de fato — completamente contra a vontade do público, aos interesses de Israel e à posição clara do presidente Trump.
A decisão do gabinete mostra que não se trata apenas de aprofundar a anexação na Área C, mas de medidas perigosas e irresponsáveis de soberania também nas Áreas A e B, e de quebrar todas as barreiras possíveis no caminho do roubo massivo de terras na Cisjordânia. Este é um governo extremista e irresponsável, que nos nos está arrastando para o desastre. Todas as forças democráticas em Israel devem agir agora, de todas as formas possíveis, para impedir isso!”Como em todas as decisões importantes sobre política de assentamento, essa decisão também foi tomada pelo ‘gabinete de segurança’ e não pelo governo completo, para que a redação das decisões permanecesse fora dos olhos do público. A única informação transmitida ao público foi o texto do comunicado de imprensa emitido por ministros do governo.
A partir das informações publicadas sobre as decisões do gabinete, foram adotadas as seguintes resoluções:
A.3- Usurpação “legal” de terras / Abertura da Cisjordânia a um “mercado imobiliário” para colonos, criando amplo potencial para corrupção
- Permissão de compras diretas de terras por colonos
O gabinete decidiu revogar a lei aplicável na Cisjordânia a partir do período jordaniano, pela qual apenas residentes da Cisjordânia ou empresas registradas lá podem comprar terras. Revogada a proibição, colonos comprarão terras diretamente de palestinos, sem a necessidade de registrar uma empresa. Há cerca de um ano, um projeto de lei foi apresentado no Knesset na tentativa de promover a mudança que o gabinete decidiu agora (veja mais informações sobre a medida e suas implicações).
- Cancelamento da exigência de permissão de transação para compra de terras
Foi revogada a lei que exige uma permissão de transação antes de concluir qualquer compra de imóvel. A permissão de transação pretendia ser uma etapa importante no processo de compra para prevenir falsificações e conter iniciativas imobiliárias dos colonos que contradigam a política governamental.
A compra de terras por israelenses na Cisjordânia é um negócio duvidoso. Em uma situação de conflito nacional por terras, vender terras ao inimigo é considerado traição, e a Autoridade Palestina possui uma lei que proíbe a venda de terras a israelenses, punível com a morte. Portanto, quase todas as transações de venda são realizadas clandestinamente, explorando vulnerabilidades do vendedor e, em muitos casos, envolvem falsificação e fraude.
Na fase de permissão de transação, o Oficial responsável pelo registro de terras realiza uma análise abrangente dos documentos e do status legal do terreno, para garantir que não haja suspeita de falsificação. Além disso, toda permissão de transação precisa ser aprovada pelo Ministro da Defesa,para evitar uma situação em que colonos determinem a política de assentamentos e a segurança de Israel, comprando propriedades em locais sensíveis. O governo agora busca abolir todos esses mecanismos de supervisão.- Abertura de registros de terras nos Territórios Ocupados para revisão pública
Atualmente, os registros de propriedade de terras na Cisjordânia são classificados (secretos). As razões para essa confidencialidade incluem prevenir falsificações e fraudes em transações imobiliárias, proteger propriedades abandonadas de palestinos que deixaram a Cisjordânia ao longo dos anos, proteger a privacidade das partes da transação e proteger a vida de palestinos que venderam terras para israelenses.
Essa confidencialidade interfere muito com colonos que desejam tomar o controle da terra — seja legalmente ou por meio de falsificação e fraude — com o propósito de estabelecer assentamentos. No passado, colonos pressionaram governos a abrir os registros para inspeção pública, e o movimento de direita Regavim chegou a apresentar uma petição ao Tribunal Superior de Justiça sobre o assunto, que foi rejeitada.Como a Cisjordânia é governada por um regime militar – e legalmente não faz parte do Estado de Israel reconhecido internacionalmente -, mudanças nas leis aplicáveis na Cisjordânia não são de alçada do Knesset. A legislação militar é promulgada por meio de ordens emitidas pelo comandante do Comando Central, que recebe instruções da hierarquia política. A decisão do gabinete é, na prática, uma instrução ao comandante do Comando Central para assinar ordens revogando as leis relevantes e permitindo o florescimento de oportunidades imobiliárias para colonos e falsificadores movidos pelo lucro.
- Compras de terras pelo Estado
A decisão do gabinete também inclui a renovação de um mecanismo para compra de terras pelo ‘Guardião dos Imóveis do Governo na Cisjordânia’ (equivalente na Cisjordânia Ocupada à ‘Autoridade de Terras de Israel’) . No passado, durante as décadas de 1970 e 1980, existia um mecanismo governamental (operando secretamente) para comprar terras de palestinos nos territórios. Até onde o PAZ AGORA sabe, as compras foram realizadas pela Heimanuta, uma subsidiária do Fundo Nacional Judaico (KKL), a pedido do Guardião dos Patrimônios do Governo. O gabinete agora decidiu reativar esse mecanismo governamental, que operará para comprar terras dos palestinos.– Poderes de Fiscalização nas Áreas A e B, administradas pela Autoridade
Palestina
O gabinete decidiu que os órgãos israelenses de fiscalização da Administração Civil também começarão a operar em áreas que, de acordo com os acordos internacionais assinados por Israel, estão sob a autoridade e administração da Autoridade Palestina. Isso significa que Israel realizará demolições e impedirá o desenvolvimento palestino não apenas na Área C, mas também nas áreas sob jurisdição da AP, em toda a Cisjordânia.Sob o Acordo Interino (Oslo II) assinado entre Israel e os palestinos em 1995, a Cisjordânia foi temporariamente dividida em Áreas A e B (cerca de 40% da Cisjordânia), que foram transferidas para controle e administração palestina, e Área C (cerca de 60% da Cisjordânia), que inclui os assentamentos e seus arredores e permanece sob controle israelense até a assinatura de um acordo de status permanente, que, segundo o acordo, deveria ser assinado até maio de 1999. O governo agora busca ignorar seus compromissos internacionais e iniciar operações administrativas dentro de áreas da Autoridade Palestina (militarmente, Israel opera em áreas da AP desde o início dos anos 2000).
De acordo com detalhes publicados sobre a decisão do gabinete, órgãos de fiscalização operarão nas Áreas A e B nas áreas de patrimônio e sítios arqueológicos, riscos ambientais e ofensas à água. Ou seja, as autoridades israelenses de fiscalização poderão demolir construções palestinas nas Áreas A e B se, em sua opinião, isso prejudicar o patrimônio ou a arqueologia, ou se prejudicar o meio ambiente ou recursos hídricos.
Essas são definições com potencial interpretativo muito amplo, e não está claro o que será incluído nelas. Os riscos ambientais podem incluir aterros sanitários e locais de queima de resíduos, fábricas poluentes ou até pequenos negócios ou residências que podem ser considerados riscos ambientais, por exemplo, se o esgoto não estiver conectado a um sistema de tratamento de esgoto. Da mesma forma, no setor de água, isso pode se referir à perfuração de água que não recebeu aprovação do Comitê Conjunto de Água, mas também pode afetar outras instalações de água envolvendo transporte de água ou esgoto.
No campo do patrimônio e da arqueologia também, o potencial de danos ao desenvolvimento e à propriedade palestina é muito grande. Na prática, toda a Cisjordânia está repleta de sítios de antiguidades, especialmente em áreas habitadas que frequentemente preservam assentamentos antigos. Cria-se um potencial significativo para intervenção israelense na construção palestina em muitas áreas. Deve-se lembrar que, na semana passada, o Knesset aprovou, em primeira leitura, um projeto de lei que pretendia, entre outras coisas, permitir a atuação de supervisão israelense no campo da arqueologia nas Áreas A e B. O gabinete agora está avançando isso sem necessidade de legislação pelo Knesset.
Também deve ser lembrado que, há cerca de um ano e meio, o governo assumiu poderes de fiscalização em partes da Área B definidas como “Reserva Acordada”, o que levou à paralisação de projetos de desenvolvimento e construção palestinos e a demolições em áreas que, segundo os acordos, estariam sob jurisdição da Autoridade Palestina.
B. Despojando os poderes de palestinos em Hebron e no Túmulo de Raquel em Belém
- HEBRON– Retirar a autoridade de planejamento e construção
A Administração Civil assumirá a autoridade de planejamento e construção na Caverna dos Patriarcas e na área de assentamento dentro da cidade de Hebron. De acordo com os acordos internacionais assinados por Israel (Protocolo de Hebron de janeiro de 1997), a autoridade de planejamento e construção em Hebron pertence ao município palestino de Hebron. O governo agora busca permitir a expansão dos assentamentos e mudanças na Caverna dos Patriarcas sem aprovação municipal. Isso permitirá que Israel desenvolva o assentamento de Hebron, construa assentamentos adicionais na cidade e realize mudanças unilateralmente – em um local sagrado para os muçulmanos.- Deve-se notar que, no passado, Israel já assumiu autoridade em casos específicos para obras de renovação na Caverna dos Patriarcas, no antigo complexo central da estação rodoviária e em outros locais. Desta vez, porém, é uma transferência ampla de poderes.
EM TEMPO – 19/02/26 – Colonos estabelecem novo assentamento em bairro palestino em Hebron
Colonos invadiram HOJE diversas casas em Hebron hoje e nelas estabeleceram um novo assentamento
> ver video documentado em www.facebook.com/watch/?v=1870886626874665
A associação de colonos “Harchivi Mekom Ohalech” afirma ter comprado cinco casas de palestinos no bairro de Jabal Jalles, cerca de 1.300 metros a leste da Caverna dos Patriarcas/Mesquita de Ibrahimi.
Essas cinco casas estão localizadas em um bairro palestino densamente povoado, com capacidade para dezenas de famílias e centenas de colonos.Segundo relatos palestinos, na noite passada as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram uma grande operação de prisões no bairro, detendo dezenas de homens palestinos, o que aumenta a suspeita de que o exército tinha conhecimento prévio da intenção dos colonos de invadir as casas e estabelecer um novo assentamento em Hebron.
PAZ AGORA: “Estamos testemunhando aqui um exemplo alarmante das consequências da nova política do governo em relação à compra de terras na Cisjordânia. Um punhado de colonos ávidos por imóveis poderá, no futuro, determinar muitos outros fatos semelhantes no terreno, com amplas implicações políticas e de segurança. É assim que a anexação se parece !”
- BELÉM – Estabelecimento de uma administração israelense para o Túmulo de Raquel
Junto à assunção da autoridade em Hebron, o gabinete também decidiu estabelecer uma administração para o sítio do Túmulo de Raquel localizado em Belém.
A nova administração permitirá que o governo transfira orçamentos para o desenvolvimento do local e da yeshivá que opera ao lado. Essa é uma medida semelhante ao que foi feito há cerca de uma década em Hebron, quando o governo criou o Comitê Municipal de Hebron, com autoridade para gerenciar assuntos municipais apenas para israelenses e é financiado pelo Ministério do Interior em aproximadamente 5 milhões de NIS por ano.- C – Estabelecimento por Israel da “Autoridade do Patrimônio de Antiguidades da Judéia e Samária” [Cisjordânia] >Leia relatório completo em inglês AQUI
O estabelecimento da Autoridade do Patrimônio (na Cisjordânia) como órgão paralelo à Autoridade de Antiguidades de Israel reflete o modelo usado para criar a Administração de Assentamentos no início do governo atual. Tal medida resultou na anexação de fato da Área C na Cisjordânia.
No início de fevereiro, o Comitê de Educação do Knesset votou o projeto de lei da “Autoridade do Patrimônio da Judeia e Samaria“. A lei proposta estabeleceria um órgão estatutário paralelo à Autoridade de Antiguidades de Israel, operando especificamente na Cisjordânia. A nova ‘Autoridade de Patrimônio’ receberia poderes mais amplos do que os da ‘Autoridade de Antiguidades de Israel’ dentro de Israel no que diz respeito a terras que contenham potenciais antiguidades. O projeto representa uma ameaça política e diplomática, abrindo a porta para apropriações de terras e nomeações políticas não profissionais:
- Anexação do território e desmantelamento da Administração Civil
A proposta de Lei da Autoridade do Patrimônio constitui outro passo significativo na anexação da Cisjordânia e na transferência de autoridade para longe da Administração Civil. Como a Cisjordânia não faz parte do Estado de Israel, a responsabilidade pela gestão da vida diária dos moradores atualmente cabe à Administração Civil, sob comando militar. Estabelecer uma Autoridade do Patrimônio sob a autoridade direta do Ministro do Patrimônio retiraria a responsabilidade pelas antiguidades da Administração Civil e a transferiria para o Ministro e o Ministério do Patrimônio.
Um processo semelhante ocorreu em 2023 com a criação da Administração de Assentamentos sob o Ministério da Defesa e a autoridade direta de Bezalel Smotrich, atuando como ministro adicional no Ministério da Defesa. A Autoridade do Patrimônio operaria sob legislação do Knesset, em vez de se basear em acordos de coalizão como ocorreu com a Administração de Assentamentos. Essa mudança cria um precedente para o estabelecimento de órgãos administrativos paralelos adicionais responsáveis pelos assuntos da Cisjordânia, minando, em última análise, o papel da Administração Civil.
- Poderes Sem Precedentes sobre a Gestão de Terras
A Autoridade de Patrimonio nos Territórios Ocupados operaria (sem legitimidade internacional) sob legislação modelada na Lei da Autoridade de Antiguidades de Israel. Receberia poderes para gerenciar antiguidades, conduzir escavações, realizar trabalhos de conservação, supervisionar sítios e declarar sítios arqueológicos na Cisjordânia. Atualmente, a responsabilidade pelas antiguidades na Cisjordânia cabe à Administração Civil, e o responsável pelas escavações arqueológicas, proteção das antiguidades e salvaguarda de sítios é o Oficial de Estado-Maior para Arqueologia, dentro da Administração Civil.
> leia Israel irá anexar maior sítio arqueológico da Cisjordânia
O projeto de lei inclui várias disposições extremas sobre terras: a autoridade para comprar terras com o objetivo de salvaguarda, conservação, pesquisa e desenvolvimento de locais; e a autoridade para expropriar terras e antiguidades. Na prática, isso permitiria à Autoridade expropriar terras de propriedade privada sob o pretexto de proteger antiguidades. Como os palestinos não vendem terras para israelenses e geralmente rejeitam compensação em casos de expropriação, o projeto cria um mecanismo que permite aos colonos tomar o controle de sítios arqueológicos e terras de propriedade palestina.
- Controle transferido para os colonos
Diferentemente da Autoridade de Antiguidades de Israel, cujo conselho é composto por pesquisadores profissionais e especialistas acadêmicos, o conselho governante da proposta Autoridade do Patrimônio [na Cisjordânia] seria composto por representantes dos colonos e figuras públicas nomeadas pelo ministro.
- Risco de Intervenção nas Áreas A e B
O projeto de lei ainda não especifica quais poderes a Autoridade do Patrimônio teria nas Áreas A e B. Em 2024, o Gabinete de Segurança instruiu o Oficial de Estado-Maior para Arqueologia a aplicar medidas de proteção de antiguidades na Área B. Se a nova lei autorizar a supervisão e gestão de antiguidades nas Áreas A e B, isso significaria que qualquer construção dentro das áreas da Autoridade Palestina precisaria de aprovação da Autoridade do Patrimônio. É importante lembrar que todas as cidades e vilarejos palestinos estão situados próximos a sítios arqueológicos, então tal decisão teria consequências de longo alcance para o desenvolvimento de construção por palestinos.
A versão original do projeto, intitulada “Emenda à Lei da Autoridade de Antiguidades de Israel – Autoridade da Autoridade de Antiguidades de Israel na Judeia e Samaria”, buscava conceder à Autoridade de Antiguidades de Israel jurisdição sobre a Cisjordânia. Devido a restrições legais, à oposição da Autoridade de Antiguidades de Israel e às objeções da comunidade arqueológica, os legisladores decidiram estabelecer uma Autoridade de Patrimônio separada, subordinada diretamente ao Ministério do Patrimônio e ao Ministro do Patrimônio.
C – JERUSALÉM ORIENTAL: Ampliação da Anexação Ilegal prejudica a continuidade de um futuro Estado Palestino
- JERUSALÉM ORIENTAL: Pela primeira vez desde 1967, a Jerusalém Oriental anexada unilateralmente por Israel está se expandindo para a Cisjordânia
O Ministério da Construção e Habitação de Israel anunciou um plano para ampliar o assentamento ilegal Adam (Geva Binyamin); governo investirá NIS 120 milhões em infraestruturas para construção e desenvolvimento no assentamento. incluindo novas 6.000 unidades habitacionais. Na prática, porém, o plano consiste no estabelecimento de um novo bairro de Jerusalém, que hoje não tem qualquer conexão territorial ou funcional com o assentamento de Adam.
Embora a área esteja fora dos limites municipais de Jerusalém, o bairro planejado funcionaria como um bairro de Jerusalém com a continuação integral do bairro Neve Yaakov.
Como expandir formalmente a fronteira municipal de Jerusalém para dentro da Cisjordânia constituiria uma anexação oficial, o plano foi projetado para ser classificado como um “bairro” do assentamento de Adam e, oficialmente, não parte de Jerusalém. Na realidade, porém, não existe conexão física entre o assentamento de Adam e a nova área do assentamento, pois eles são separados pela barreira de separação e por uma estrada intermunicipal (Estrada 437).
PAZ AGORA: Esta é a primeira vez desde 1967 que Jerusalém está sendo expandida para a Cisjordânia. Sob o pretexto de estabelecer um novo assentamento, o governo está realizando a anexação de fato pela porta dos fundos. O novo assentamento funcionaria em todos os aspectos como um bairro de Jerusalém, e sua designação como “bairro do assentamento de Adam” é apenas um pretexto destinado a ocultar uma medida que efetivamente extende a soberania israelense a áreas da Cisjordânia.
A submissão do plano ao Conselho Superior de Planejamento indica que ele só aguarda o agendamento de uma discussão sobre a aprovação do depósito, esperada nas próximas semanas ou meses. Os procedimentos de planejamento normalmente levam entre um e dois anos; No entanto, dado o compromisso do governo em financiar a infraestrutura, há uma grande probabilidade de que o plano avance rapidamente e que a construção possa começar em dois anos.
Quando a barreira de separação foi construída há cerca de 20 anos, seu trajeto desviava para leste do limite municipal de Jerusalém para incluir uma colina adicional a leste de Neve Yaakov. Na época, as organizações B’Tselem e Bimkom revelaram que a verdadeira razão para o trajeto da barreira não era relacionada à segurança, mas sim um plano esboçado, então ainda conceitual, para construir um novo bairro de Jerusalém nesse local. O governo agora começou a avançar ativamente esse plano.
Vale notar que esforços recentes foram feitos para expandir e desenvolver o próprio assentamento ilegal de Adam. Nos últimos cinco anos, foram lançadas licitações para a construção de 1.089 unidades habitacionais em Adam, e novos planos foram aprovados para aproximadamente 700 unidades adicionais. Em dezembro de 2025, o Comandante do Comando Central assinou uma ordem adicionando 1.107 dunams à jurisdição do assentamento. Essa expansão permitirá a legalização retroativa do posto ilegal Bnei Adam e a adição de milhares de unidades habitacionais ao assentamento.
Além disso, vários postos de pastores violentos foram estabelecidos nos últimos anos nas proximidades de Adam, em ações terroristas que levaram ao deslocamento da comunidade palestina Hizma Bariyet e a inúmeros ataques contra Jaba, comunidade vizinha beduína .
– Operações de Demolição em al-Bustan, Silwan, bairro palestino adjascente ao quarteirão árabe de Cidade Velha de Jerusalém
Grandes contingentes de policiais e forças municipais realizaram extensas operações de demolição no bairro de al-Bustan, em Silwan. Foram demolidos muros entre as casas do bairro, um complexo usado para venda de materiais de construção e abrigos de estacionamento construídos pelos moradores.
A Prefeitura de Jerusalém se baseou em um regulamento municipal intitulado “Manutenção da Ordem e Limpeza” (Seção 39), que concede ao prefeito autoridade para ordenar a remoção de obstáculos das ruas públicas. No entanto, o município emitiu as ordens de evacuação às 9h25, sem dar aos moradores qualquer oportunidade de remover os supostos “obstáculos” ou de recorrer das ordens. Poucos minutos depois, tratores começaram a demolir as estruturas. Deve-se notar que as estruturas e muros demolidos em terras não fazem parte de nenhuma “rua” existente.
Moradores rapidamente apresentaram uma petição urgente ao Tribunal Distrital de Jerusalém, que emitiu uma liminar interrompendo novas demolições. Após aproximadamente três horas de atividades de demolição, os tratores se retiraram.
O vice-presidente do Tribunal Distrital de Jerusalém, juiz Ram Winograd, criticou duramente o município, afirmando:
“Tal conduta não pode ser aceita, em que se decide demolir a propriedade acompanhada de um aviso de que a propriedade será demolida, caso não seja liberada em até 20 minutos. Estabelecer tal cronograma não permite que a parte afetada tome as ações às quais tem direito.”
Os moradores temem que o município retome as demolições nos próximos dias ou semanas, após esforços para chegar a um acordo sobre propostas alternativas de planejamento para al-Bustan terem sido rejeitadas pelo município.
Durante as demolições, a polícia prendeu violentamente vários moradores. Um residente foi evacuado para o hospital sofrendo ferimentos na cabeça e nas costas e com exaustão extrema após espancamentos por policiais.
Contexto das demolições: Plano para limpar um bairro inteiro para um parque turístico
A operação de demolição faz parte de um plano mais amplo para demolir o bairro al-Bustan a fim de estabelecer o chamado “Jardim do Rei“, um parque turístico para visitantes da “Cidade de David”, que é administrada pela organização de colonos Elad.
Os moradores de Al-Bustan vêm lutando contra esse plano há décadas e apresentaram propostas alternativas de planejamento ao município. O município tem consistentemente se recusado a avançar com os planos dos moradores.
Nos últimos dois anos, o município demoliu dezenas de unidades habitacionais em al-Bustan, deixando centenas de moradores sem moradia. Dezenas de outras estruturas previstas para demolição abrigam mais de 1.000 pessoas que correm o risco de serem deslocadas.
PAZ AGORA: “Desde a demolição do Bairro Mughrabi em 1967 para dar lugar à Praça do Muro das Lamentações, Israel não realizou a expulsão de um bairro inteiro. Agora, o município, apoiado pelo governo e pela polícia, está promovendo o deslocamento de todo um bairro para estabelecer um parque turístico. Essa política praticamente impede que palestinos da Jerusalém Oriental construam casas e demole suas moradias, em uma política cruel, movida por assentamentos sem limites. Por anos, Israel afirmou que Jerusalém é uma cidade ‘unida’, mas sua política em relação à população palestina mostra que isso não é ‘unidade’, mas sim Ocupação Ilegal.”
Ordens de Jardinagem para Avançar com o Parque Turístico
Em janeiro, o município emitiu duas ordens de “jardinagem” e estacionamento, que lhe permitem utilizar terras privadas consideradas “terrenos vazios” que seu proprietário supostamente não utiliza, para a criação de um jardim público ou área de estacionamento.
Após impedir os proprietários de usar suas terras, o município assume o controle delas sob o pretexto de que “os proprietários não as utilizam”. Ali o município planeja estabelecer jardins públicos e estacionamento para turistas que visitam o local da Cidade de David. Os ‘terrenos baldios’ foram desapropriados pelo município. Restos das casas demolidas ainda são visíveis.
BASTA DE OCUPAÇÃO !
CHEGA DE VIOLÊNCIA E TERROR !
O SILÊNCIO ALIMENTA A INJUSTIÇA…
A PAZ AINDA É POSSÍVEL – AGORA!
DENÚNCIAO governo espúrio de Netanyahu, dominado por políticos racistas e corruptos, está lançando mão de uma pequena maioria eventual no Knesset para impedir a criação de um Estado Palestino viável – na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza – conforme os Acordos de Oslo e a Iniciativa de Genebra
A implantação de legislações racistas pelo governo de plantão aliadas a ações violentas de grupos de colonos fanatizados que – com apoio governamental – aterrorizam a população palestina dos Territórios Ocupados e ameaça minar qualquer chance de resolução negociada do conflito.
Aqueles que cometeram gigantescos Crimes de Guerra em Gaza – não menos condenáveis que os horrendos atentados do Hamas – estão promovendo, pela violência contra populações indefesas e por artifícios ‘legais’, a inviabilização de um Estado Palestino soberano ao lado de um Estado Judeu democrático e igualitário para todos seus cidadãos.
APELO
POR UMA PAZ JUSTA E DURADOURA
2 ESTADOS PARA 2 POVOS
É PRECISO CONDENAR TODO TERRORISMO, VENHA DE ONDE VIER!
É urgente o apoio decidido das lideranças judaicas e árabes – em suas DIÁSPORAS – aos milhões que no Oriente Médio anseiam pela remoção imediata dos seus líderes autoritários e criminosos.

Segundo relatos palestinos, na noite passada as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram uma grande 



