APÓS AS ELEIÇÕES, PAZ AGORA !

Caro amigo,
Junto com o resto do país, estamos esperando para ver que tipo de Israel surgirá desta eleição.

Será um país que escolhe ocupação, desapropriação e guerra, ou um que abraça “o estrangeiro que habita com você” e busca paz e prosperidade?

Para nós do PAZ AGORA, a resposta é clara.

O segundo é o Israel pelo qual lutamos, quando a esperança era alta e até quando quase se esgotava.

Continuamos lutando porque amamos este país, acreditamos nele e acreditamos na paz.
Sanções contra Israel. O que está em jogo?

( por David D. Cohen* | Times of Israel | 17/10/26 | edição pazagora.org )


Governos ocidentais adotaram recentemente medidas muito significativas contra assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Reino Unido, Canadá, França e outros países europeus anunciaram restrições à exportação de assentamentos em 2027, em resposta ao aumento da violência dos colonos, à aceleração da expansão dos assentamentos e a projetos como o E1, que muitos governos acreditam tornar impossível um Estado palestino viável ao dividir fisicamente a Cisjordânia.

Os países da União Européia adotaram uma variedade de abordagens em relação aos assentamentos israelenses. O Reino Unido, apoiado pelo Canadá e vários estados europeus, anunciou proibições direcionadas à exportação de assentamentos e sanções a empresas envolvidas no desenvolvimento e financiamento de assentamentos. Um segundo grupo, incluindo Espanha, Bélgica, Irlanda e Holanda, introduziu proibições sobre bens de assentamento e apoiou amplas restrições à cooperação comercial e de pesquisa entre a UE e Israel.

O terceiro grupo apoiaria restrições da UE apenas para assentamentos e não restrições de um único país ou restrições a Israel como um todo. Um quarto bloco, liderado pela Alemanha, se opõe totalmente às sanções, argumentando que elas seriam contraproducentes e prejudicariam os israelenses comuns.

Medidas Direcionadas

À primeira vista, proibições sobre importações de assentamento podem parecer significativas. Na prática, porém, seu impacto econômico direto é limitado. Tais exportações de assentamentos são de cerca de US$ 300 milhões por ano, parcela mínima das exportações totais de Israel. A maioria consiste em produtos agrícolas. Embora a UE seja um destino chave, o valor total permanece modesto.

Medidas direcionadas a empresas que apoiam a expansão e financiamento dos assentamentos podem se mostrar mais significativas, segundo Hagit Ofran, do PAZ AGORA. Os bancos israelenses desempenham um papel central ao fornecer hipotecas, financiamento para construção, garantias de empréstimos e seguros que ajudam a tornar possível o crescimento dos assentamentos. Se as instituições financeiras concluírem que o financiamento as expõe a riscos excessivos, podem optar por encerrar sua participação. Nesse caso, o governo israelense provavelmente seria forçado a assumir um papel maior no financiamento da expansão dos assentamentos.

Tal mudança poderia tornar os custos do projeto de colonização mais visíveis. Atividades atualmente financiadas por bancos privados podem exigir financiamento governamental direto. E o governo teria que justificar gastos adicionais que beneficiam um segmento relativamente pequeno da população. O debate poderia gradualmente mudar da diplomacia e do direito internacional para questões de prioridades orçamentárias e o ônus dos contribuintes, embora os argumentos de segurança alegados pelos apoiadores dos assentamentos continuem influentes.

Sanções direcionadas também têm um risco menor de desencadear uma forte reação nacionalista. Como o foco permanece nos assentamentos e não em Israel como um todo, os apoiadores podem argumentar que as medidas têm como objetivo preservar a possibilidade de uma Solução de Dois Estados, e não punir o país como um todo.

Medidas Amplas
afetariam grande partes da economia de Israel. Suspender o Acordo de Associação UE-Israel ou limitar a participação de Israel no programa de pesquisa Horizon Europe, que forneceu €1,1 bilhão a Israel entre 2021 e 2024, afetaria universidades, institutos de pesquisa, empresas de tecnologia e redes de inovação em todo o país.

As consequências econômicas seriam substanciais. Israel está profundamente integrado aos mercados europeus e aos programas de pesquisa há décadas. A UE é o segundo mercado mais importante, depois dos EUA, para as exportações de bens e serviços de Israel, ou cerca de US$ 30 bilhões. Em comparação, os mercados do Reino Unido e do Canadá são pequenos.

A assimetria entre a UE e Israel é notável. As exportações da UE para Israel representam apenas uma pequena parcela das exportações globais. Para Israel, entretanto, a UE representa mais de 30% de suas importações.

O potencial israelense em alta tecnologia, cibersegurança, indústrias de defesa e pesquisa criam vínculos significativos com as economias europeias. Interromper esses laços imporia custos tanto à Europa quanto a Israel.

Por razões políticas, sanções amplas continuam difíceis de implementar. Vários Estados-membros da UE mantêm fortes laços políticos com Israel e dificilmente apoiarão medidas abrangentes. Como sanções amplas geralmente exigiriam unanimidade, os obstáculos políticos continuam sendo substanciais. Restrições mais direcionadas, que podem ser adotadas por meio de regras de tomada de decisão menos exigentes, parecem, portanto, mais alcançáveis.

Propostas recentes da Comissão sugerem que medidas parciais, como a proibição proposta de importações das colônias ou as recentemente aplicadas ao programa Horizon, poderiam ser adotadas por maioria qualificada

A resposta de Israel já sinalizou que mesmo restrições limitadas contra assentamentos trazem consequências. Países que aplicaram medidas relacionadas a assentamentos enfrentaram diferentes formas de retaliação. Reino Unido, Holanda, Noruega e Espanha enfrentaram restrições que afetam atividades diplomáticas ou o acesso aos territórios palestinos. Essas ações demonstram a disposição de Israel em reagir mesmo quando as medidas se limitam aos assentamentos.

Historicamente, medidas específicas para assentamentos, como rotular bens de assentamentos e proibições de importação de assentamentos, geraram menos reação interna do que ações mais amplas, como boicotes abrangentes, processos criminais internacionais ou iniciativas da ONU que muitos israelenses percebem como anti-Israel.

Uma opção mais eficaz

Ainda é cedo para determinar se medidas europeias recentes terão algum impacto mensurável no ritmo da expansão dos assentamentos. Até agora, não há evidências de que proibições sobre bens de assentamento o tenham alterado.

Sanções direcionadas à infraestrutura financeira que sustenta os assentamentos parecem ser as mais práticas e potencialmente as mais influentes. Elas pressionam os atores israelenses envolvidos na expansão dos assentamentos, preservam a distinção entre Israel e os territórios ocupados e são menos propensos a desencadear uma forte reação nacionalista do que sanções amplas.

Um governo mais de direita poderia aumentar a probabilidade de que sanções sejam implementadas e ampliadas. Um governo mais centrista, dependendo de sua abordagem aos assentamentos, poderia atrasar sua adoção.

 
(*) David D. Cohen é pós-graduado em Negócios, Economia e Planejamento Regional. Foi conselheiro sênior de políticas, executivo e chefe de gabinete em governos canadenses e no setor privado. Foi palestrante em conferências sobre políticas regionais e avaliação de projetos. Publicou em revistas científicas e profissionais, além de inúmeros artigos sobre o conflito israelo-palestino. É membro do conselho dos Amigos Canadenses do PAZ AGORA.
Os Amigos Brasileiros do PAZ AGORA saúdam os israelenses pela clara opção pelo fortalecimento da democracia de Israel.

O forte resultado da votação demonstra que cidadãos de vários setores estão determinados a decidir pelo futuro do país.
 
Condenamos com veemência as alegações infundadas do Likud de que os partidos árabes teriam “fraudado” as eleições. Tais acusações minam a credibilidade da democracia. Sugerir que os votos dos cidadãos árabes são menos legítimos que os dos judeus agride o coração da igualdade democrática.

A ameaça real desta eleição vem das tentativas de desacreditar votos legítimos, as quais minam a confiança no processo democrático.

Enquanto os votos são computados e um novo governo começa a se formar, apelamos aos novos líderes de Israel que defendam a visão dos fundadores do Estado: um país que seja tanto judeu como democrático, comprometido com a igualdade e um futuro compartilhado para todos seus habitantes, independemente de religião ou etnicidade.

A minoria árabe constitue mais de 20% da população israelense e deve ser representada no próximo governo.

Um Israel forte depende de instituições democráticas fortes, direitos iguais e um compromisso renovados com a paz.

Este é o país que os Amigos Brasileiros do PAZ AGORA desejam que o próximo governo trabalhe para construir!
 
Após a Votação: Uma Conversa com Lior Amichai

Reserve a data > 5ª feira | 05/nov | 15h

Junte-se ao Diretor Executivo do PAZ AGORA, Lior Amichai, para um diálogo aprofundado sobre os resultados das eleições israelenses, o cenário político em evolução e as prioridades do PAZ AGORA, incluindo o combate à expansão dos assentamentos e o avanço de uma Solução de Dois Estados.

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Lior Amichai lidera o PAZ AGORA, a principal organização israelense a defender uma Solução de Dois Estados – Israel e Palestina. Anteriormente liderou o movimento Yesh Din e co-dirigiu a EQUIPE DE MONITORAMENTO DE ASSENTAMENTOS na Cisjordânia.

Evento organizado pelos Amigos Canadenses do PAZ AGORA.

Esforços de anexação continuam

O Comitê Superior de Planejamento nos Territórios Ocupados agendou reunião para avançar projetos para novas 401 unidades habitacionais.

Esta sessão é notável devido aos planos críticos em análise.

Dos 5 planos, 2 – localizados em Noa e Metzukei Eretz – têm como objetivo permitir a instalação de bairros de casas móveis em locais designados para novos assentamentos.
Leia mais > Avanço de 401 unidades habitacionais na Cisjordânia
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É Hora de Formar um Governo com os Árabes!

por YAIR GOLAN * | Haaretz | 30/10/2026
tradução Amigos Brasileiros do PAZ AGORA | www.pazagora.org

Ergam suas cabeças, nós vencemos! O Israel democrático fez a sua escolha.

Os resultados das eleições mostram que o público se cansou do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O povo falou. A única questão que resta é se nós, líderes da oposição, seremos sábios o suficiente para respeitar o veredito dos eleitores. Mandaremos Netanyahu e seu governo para casa e embarcaremos no caminho da reconstrução de Israel?

Como era de se esperar, uma campanha coordenada está emanando do gabinete do primeiro-ministro, buscando nos convencer de que perdemos. Eles, que fizeram todo o possível para formar um governo com a Lista Árabe Unida, agora tentam nos fazer acreditar que nenhum governo alternativo deve ser formado e que a parceria com os partidos árabes é ilegítima. Chamam isso de “Ra’amgate” – sua mais recente narrativa falsa.

Este é o fim de uma era. Em um Israel democrático, a cidadania não é condicionada. O voto de um cidadão árabe nas cidades de Sakhnin ou Rahat tem exatamente o mesmo peso que o voto de um cidadão judeu em Tel Aviv ou Sderot.

Aqui, os governos são formados com base na maioria do Knesset [Parlamento]. Cada membro do Knesset é eleito em eleições livres e democráticas e é um membro legítimo do nosso sistema político. Quem acredita na democracia não pode defendê-la pela manhã e, à noite, rejeitar os votos de centenas de milhares de cidadãos por causa de sua origem ou nome.

Continuaremos a ter divergências com os partidos árabes. Apresentaremos nossas reivindicações, manteremos firmes nossos princípios de segurança e nacionais e conduziremos negociações duras e substanciais, assim como fazemos com todas as outras facções do Knesset.

Mas não deslegitimaremos as pessoas, nem aceitaremos as regras impostas pela “máquina venenosa” de Netanyahu para se manter no poder.

O futuro de Israel está agora por um fio. A trajetória até aqui aponta para uma teocracia ultraortodoxa extremista, mergulhada em derramamento de sangue. O governo anterior trouxe devastação e destruição, massacres e colapso social. Ele minou deliberadamente nossa democracia.

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Este governo tem adotado uma política de Ocupação, expulsão e assentamentos em vez de uma estratégia diplomática e de segurança. Promoveu a exclusão das mulheres e violações dos direitos LGBTQ+. Os valores sobre os quais Israel foi fundado estão em constante retrocesso, e o governo deixou claro que pretende acelerar essa decadência.

Qualquer pessoa que se preocupe com a segurança, a resiliência e o caráter de Israel como democracia liberal deve fazer tudo ao seu alcance para substituir este governo. Esta pode ser a última chance de salvar o Israel idealizado na Declaração de Independência.

Servi Israel por 38 anos e continuarei a servi-lo até o dia da minha morte. Movido por esse senso de responsabilidade e dever, vejo apenas uma opção diante de nós: a formação de um governo de reparação e mudança. Apelo aos meus colegas, os líderes do “bloco da mudança“: imaginem esta visão. Temos o poder de formar um governo que rompa com as fronteiras tradicionais e abra as portas para a esperança e a parceria.


Será um governo que busca forjar alianças regionais para fortalecer a segurança de Israel; um governo que defende a democracia; um governo que combate o crime e restaura a lei e a ordem em Tira, Petah Tikva, Be’er Sheva e nas colinas do sul de Hebron; um governo que inicia o trabalho de reabilitação nacional, resgatando um sistema educacional em colapso, fortalecendo o sistema de saúde e estabelecendo um serviço de saúde mental funcional; um governo que investe no norte e no sul de Israel em vez de postos avançados e novos assentamentos na Cisjordânia Ocupada; um governo que finalmente estabelecerá uma comissão estatal de inquérito sobre o dia 7 de outubro de 2023.

Basta que respeitemos a vontade dos eleitores e nos recusemos a deixar que Netanyahu defina os limites da legitimidade política. Chegou a hora de pôr fim à era Netanyahu e formar um governo que sirva a todos os israelenses. É isso que o momento exige. É isso que um sionista deve fazer.

Temos o poder de formar um governo que ultrapasse fronteiras e abra as portas para a esperança e a parceria.

(*) Yair Golan é membro do Knesset e presidente do partido “Os Democratas”.

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