Min. Bar-Lev tem razão: ‘O Terrorismo Judeu Existe’

Omer Bar-Lev (Ministro da Segurança Interna de Israel), um guerreiro valente que já comandou a Sayeret Matkal – a força de operações especiais de elite do Estado Maior – tem sido transformado pela redes sociais em “traidor”, “assassino” e “terrorista”.

[ por Ami Ayalon | Haaretz | 20|12|2021 | traduzido pelo PAZ AGORA|BR ]

Omer Bar-Lev

Entre seus detratores – alguns dos quais declaram que ‘o sangue judeus está em suas mãos’ – encontram-se prefeitos e outras figuras públicas.

Para eles, seu pecado imperdoável foi dizer a verdade. Em uma reunião com uma diplomata norte-americana em visita, o ministro utilizou um termo que reflete a situação existente: “violência dos colonos”. O assédio que ele sofreu, como resultado, mostra que não se aprendeu a lição do assassinato de Yitzhak Rabin.

Inclusive depois que o serviço de segurança Shin Bet alocou um destacamento para proteger Bar-Lev da onda de ameaças à sua vida, a ministra do interior Ayelet Shaked jogou lenha na fogueira, ao continuar acusando-o falsamente, para defender os colonos violentos.

Os críticos de Bar-Lev se apressam a ampliar a definição de “terror” quando os perpetradores da violência são palestinos. Quando os palestinos atacam soldados israelenses que servem na Cisjordânia, é “terror”, mas quando judeus atacam palestinos inocentes, trata-se de “crime por motivos políticos”, “atos de vandalismo” ou “violência dos membros do movimento de Jovens das Colinas”.

A negativa a chamar o terror judeu por seu nome e o uso de eufemismos, permite aos fariseus dentre nós lavar suas mãos do assunto e ignorar as sérias implicações do terrorismo judeu, que desafía as instituções do governo e ameaça o futuro do Estado.

Muitos deputados do Knesset e ministros do gabinete ignoram o perigo, que consideram como um comportamento marginal, inclusive justificado, frente à violência palestina.

Deve-se dizer: -“O terrorismo judeu existe!”. É o terror que levou ao assassinato de Rabin e ao bombardeio da casa da família Dawabsheh, matando uma criança pequena e seus pais. É o terror que levou a queimar vivo o menino Mohammed Abu Khdeir, de 16 anos, e o terror que provocou o assassinato e lesões graves de muitos palestinos inocentes por parte de judeus.

Ami Ayalon

A destruição de propriedades palestinas, como oliveiras, fontes de água e plantações, e o vandalismo contra casas e veículos, também são atos criminosos de terrorismo.

Deve-se dizer, em termos inequívocos: um ato terrorista é qualquer ação destinada a lograr objetivos políticos ao prejudicar intencionalmente civis; danos à vida, à integridade física e à propiedade, sem fazer referência à identidade dos perpetradores, sejam palestinos ou judeus. Portanto, deveriam explicar a Shaked, ao ministro de Serviços Religiosos Matan Kanaha e aos legisladores que defendem abertamente o terror judeu: Bar-Lev não está errado.

Ele comprende bem o perigo que representa o estado de violência daqueles desordeiros que se vêem como sucessores da “clandestinidade judia” e do rabino Meir Kahane; que se identificam com Baruch Goldstein, que assassinou 29 fiéis muçulmanos na Tumba dos Patriarcas de Hebron e que cultuam o assassino de Rabin, Yigal Amir.

A lição que Bar-Lev aprendeu, mas não os seus críticos, é que este punhado de ativistas violentos é só a ponta do iceberg.

Rabin foi assassinado por Amir, que se via como um emissario público e que não teria atuado se não tivessem prevalecido algumas outras condições: um grupo social próximo que apóia a idéia, líderes religiosos que dão forma a uma ideología que muda as regras da moral e legitima o assassinato. E líderes políticos que ignoram as incitações ao assassinato, ignoram que os ativistas terroristas os percebem como apoio.

O assassinato de Rabin nos ensinou que as palavras matam. Os judeus que afrontam a lei interpretam os rótulos “nazista”, “traidor” e “criminoso com sangue judeu nas mãos” como uma licença para matar.

As pessoas que dizem tratar-se só de um punhado, uma poucas centenas no máximo, têm razão. A maioria dos colonos são pessoas respeitadoras da lei, que se consideram sucessores dos pioneiros.

Mas aqueles que permanecem em silêncio e, às vezes, até perdoam os ativistas terroristas judeus, estão muito equivocados. Ao não denunciar claramente os terroristas judeus e não chamá-los por seu nome, dão-lhes um metafórico respaldo político.

Bar-Lev lutou contra o terrorismo como soldado e comandante durante anos. E continua suportando esta carga como Ministro da Segurança Pública. Para enfrentar este desafío, devemos aderir corajosamente à verdade. Diferentemente de seus detratores, Bar-Lev se mantém firme ante estes desafios.

[ Ami Ayalon é almirante de reserva, ex-comandante do Serviço de Segurança Shin Bet; co-autor do Plano de Paz “A Voz dos Povos (leia íntegra abaixo), juntamente com o ex-reitor da Univerdade Al-Quds, Sari Nusseibeh, em 2002 ].

[ por Ami Ayalon | Haaretz | 20|12|2021 | traduzido pelo PAZ AGORA|BR ]

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Procurando terroristas no lugar errado 

A Voz dos Povos – Plano de Paz Ayalon-Nusseibeh (texto integral)

Ami AyalonSari Nusseibeh 27/07/2002 DocumentosPosiçõesProcesso de paz

 “ O povo palestino e o povo judeu reconhecem o direito histórico de ambos sobre a mesma terra. Através das gerações, o povo judeu deseja estabelecer um Estado Judeu sobre toda a terra de Israel, enquanto o povo palestino, da mesma forma, deseja estabelecer um Estado Palestino sobre toda a terra da Palestina. As duas partes aceitam um compromisso histórico fundamentado no princípio de Dois Estados soberanos e viáveis existindo lado a lado. A Declaração de Intenções abaixo é a expressão da vontade da maioria de ambos os povos. As duas partes acreditam que através desta iniciativa, podem influenciar seus dirigentes e escrever um novo capítulo na história da região.

Nesse novo capítulo apelam à comunidade internacional para garantir a segurança da região e contribuir para o desenvolvimento de sua economia.  “

Eis os seis pontos principais da proposta conjunta de Ami Ayalon e Sari Nusseibeh, que já conta com o apoio de mais de 180.000 israelenses e 140.000 palestinos:

1.   Dois Estados para Dois Povos:  Ambos os lados irão declarar que a Palestina constitui o único Estado do povo palestino, e Israel constitui o único  Estado do povo judeu.

2.  Fronteira: Fronteiras permanentes entre os dois Estados serão acordadas com base nas linhas de 4 de junho de 1967, resoluções das Nações Unidas e na iniciativa árabe de paz (conhecida como “Iniciativa Saudita”).

Modificações nas fronteiras serão fundadas no princípio de troca eqüitativa de territórios (1 para 1) em função das necessidades vitais de ambas as partes, incluindo considerações demográficas, de contigüidade territorial e de segurança.

O Estado palestino terá uma conexão entre suas duas zonas  geográficas: a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Após o estabelecimento da fronteira acordada, nenhum colono ficará no Estado palestino.

3. Jerusalém:  Jerusalém será uma cidade aberta, a capital dos dois Estados. A liberdade religiosa e o total acesso aos lugares sagrados serão garantidos para todos.

Os bairros árabes de Jerusalém passarão a ter soberania palestina e os bairros judaicos terão soberania israelense.  Nenhuma parte exercerá soberania sobre os locais sagrados. O Estado da Palestina será designado Guardião do Monte do Templo em benefício dos muçulmanos e Israel será o Guardião do Muro das Lamentações em benefício do povo judeu. O status quo dos locais sagrados cristãos será mantido. Nenhuma escavação poderá ser efetuada  nos lugares santos, ou por baixo deles.

4. Direito de retorno: Reconhecendo o sofrimento e as dificuldades dos refugiados palestinos, a comunidade internacional, Israel e o Estado Palestino iniciarão e contribuirão para um fundo internacional para compensá-los. Os refugiados palestinos retornarão apenas para o Estado Palestino e os judeus retornarão apenas ao Estado de Israel.

5. O Estado Palestino será desmilitarizado e a comunidade internacional garantirá sua segurança e independência.

6. Fim do conflito: Com a realização destes princípios, todas as reivindicações das duas partes serão concretizadas, finalizando dessa forma o conflito israelense-palestino” .

HAMIFKAD HALEUMI

 O Plano de PazA Voz dos Povos” [ The People’s Voice / Ha’Mifkad Ha’Leumi] foi traduzido em 27|07|2002 pelos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA, que ainda o consideram como base relevante para futuras negociações de paz, ao lado da Iniciativa de Genebra e da Iniciativa Saudita [Inicitiva Árabe de Paz].

SIM AO ACORDO !

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